Quinta-feira, 17 de maio de 2012
- Londrina: nublado min: 11° max: 21°Iniciativas desenvolvidas para complementar a educação de crianças e adolescentes; práticas pedagógicas inovadoras; iniciativas educacionais junto à comunidade. Indicados:
Regina Campos - Musicando na Escola: Musicista. Ver Perfil
Lucinea Rezende - Ler para Ser: Pedagoga. Ver Perfil
Water Okano (in memorian): Professor. Ver Perfil
Milene Ferrazza: Psicóloga. Ver Perfil
Eliana Louvison - Conte Outra Vez: Psicoterapeuta. Ver PerfilTrabalhos em diferentes áreas da cultura e obras como iniciativas que promovam a cultura. Indicados:
Ballet de Londrina: Voluntariado. Ver Perfil
Kiko Jozzolino: Produtor musical. Ver Perfil
Roney Marczak: Músico. Ver Perfil
Luiz Carlos Jeolás (In Memorian): Médico. Ver Perfil
Márcio Américo: Ator e escritor. Ver Perfilprojetos de incentivo à conservação do meio ambiente; ações de proteção ao ambiente; ações educativas sobre o meio ambiente. Indicados:
João das Águas: Ativista. Ver Perfil
ONG MAE: Voluntariado. Ver Perfil
Ocupa Londrina: Voluntariado. Ver Perfil
ONG E-lixo: Voluntariado. Ver Perfil
Ricardo Faria: Agrônomo e professor . Ver Perfiliniciativas e práticas de saúde nas esferas pública e privada e também iniciativas voluntárias ligadas à área. Indicados:
Bebê Clínica: Voluntariado. Ver Perfil
Banco de Leite – Márcia Benevenuto: Enfermeira. Ver Perfil
Projeto EELO: Voluntariado. Ver Perfil
Arnaldo Okino: Cardiologista. Ver Perfil
APS Down: Voluntariado. Ver PerfilPesquisas científicas em diversas áreas; inovações tecnológicas em diversas áreas. Indicados:
Gedal: Voluntariado. Ver Perfil
Flávio Oliveira dos Santos: Economista. Ver Perfil
José Lopes: Biólogo. Ver Perfil
André Laforga Vanzela: Biólogo. Ver Perfil
Walter Germanovix: Engenheiro. Ver PerfilTrabalho social junto a diferentes públicos (crianças, idosos, comunidades carentes, geração de renda, economia solidária). Indicados:
Casa do Bom Samaritano: Voluntariado. Ver Perfil
Galera de Deus: Voluntariado. Ver Perfil
Padre Romão: Padre. Ver Perfil
Plantão Sorriso: Voluntariado. Ver Perfil
Lar dos Vovozinhos e Vovozinhas: Voluntariado. Ver Perfil
O Projeto Musicando na Escola foi criado em 2001, pela musicista Regina Maria Grossi Campos, violinista aposentada da Orquestra Sinfônica da UEL. Com o objetivo de levar educação musical a alunos da rede municipal de Londrina, o projeto já atendeu cerca de 700 crianças de três escolas da cidade (zonas norte, sul e oeste).
Bairros com música
Há dez anos, Regina Grossi Campos estava vendo um documentário na TV sobre a diminuição dos índices de evasão escolar em Volta Redonda (RJ), por meio de projetos musicais e pensou: “Nossa, eu sei fazer isso”. As atividades começaram em uma escola do conjunto Cafezal (zona sul) e, mesmo atendendo um número relativamente pequeno de crianças, o projeto pretendia acrescentar referenciais de valores positivos em toda a comunidade. Deu certo. Com as aulas de violino, violoncelo, musicalização, canto coral, prática de orquestra e música de câmara no contra turno, o Musicando na Escola incentivou pais, professores e funcionários a estudar música e frequentar teatro.
Hoje, o lugar se vê como “um bairro que tem música”, comemora Regina. Dos ex-alunos do projeto, um está indo para a Suíça no próximo mês, alguns se destacaram como compositores e outros tocam em orquestras da cidade. Atualmente, a equipe do projeto conta com seis professores e seis monitores (ex-alunos), sendo coordenado por Regina Grossi Campos (coordenação geral e instrumental) e Andréa de Melo (coordenação vocal).
Natural de Borda da Mata (MG), Lucinea Aparecida de Rezende é formada em Pedagogia e tem pós-doutorado em Educação, pela Universidade de Aveiro, em Portugal. É professora do Departamento de Educação da UEL, onde desenvolve projetos sobre o papel da leitura no processo de ensino e aprendizagem. Lucinea é palestrante, autora de livros na área de educação, e há oito anos mantém a coluna "Ler para ser" na Rádio UEL FM.
Leitura, uma paixão
O que os alunos leem? Como eles leem? O que eles fazem com o que leem? Essas são algumas inquietações que levaram a professora Lucinea Rezende a criar o projeto Ler para ser. Com foco de trabalho na formação de professores, ela conta que a leitura sempre ocupou um lugar significativo nesse processo. Leitora “desde que se conhece por gente” e grande curiosa desse universo, Lucinea trabalha com a leitura do ponto de vista do leitor. Nesse sentido, o Ler para ser conta com subprojetos em várias frentes, na tentativa de responder à pergunta: “Como posso ajudar, em diferentes frentes de atuação, para que o sujeito possa ler mais e melhor?”
O projeto engloba palestras, parcerias para formação de professores em municípios de baixo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da região, além da criação de espaços de leitura para a comunidade em geral, acadêmica ou não. Somente no ano passado, Lucinea orientou oito trabalhos de mestrado na área da leitura. Também está em andamento um projeto de leitura com o pessoal do curso de Engenharia. “A questão que mais nos inquieta é o pouco encantamento pela leitura. Então, temos isso como ponto principal de atuação.”
Se fosse preciso definir Water Okano em uma palavra, certamente, seria “educador”. Nascido em Lins (SP), Okano chegou a Londrina ainda menino, na década de 50, onde se tornou um dos professores mais respeitados do Paraná. Em 1969, juntamente com outros colegas, fundou o Colégio Universitário. Faleceu em janeiro do ano passado, aos 72 anos.
Uma vida pela educação
Water Okano costumava dizer que havia herdado a vocação de educador dos pais, Eizo e Corina, que foram professores no interior de São Paulo – lecionando japonês – e, depois, no Paraná. Já aos 15 anos, Okano foi nomeado professor na Escola Gonçalves Dias, na região da Mata dos Godoy, onde atuou até 1958, quando foi para Curitiba graduar-se em Matemática pela UFPR e licenciar-se pela PUC.
Sempre atencioso, o professor costumava esperar pelos seus alunos com uma balinha nas mãos, e gostava de conversar com eles sobre qualquer assunto. Ensinava olhando nos olhos, de maneira envolvente, exigente e paternal. Dizem os alunos que com ele só não aprendia quem não queria, tamanha a dedicação de Okano na tarefa de ensinar.
Water Okano sempre lutou pela qualidade da educação, tanto na rede pública, quanto na particular. Foi inspetor de ensino, responsável por nove municípios da região Norte Pioneiro, colaborou na criação do curso de Matemática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UEL, foi pró-reitor de Administração e Finanças da Fundação UEL e diretor do Colégio Universitário até 2010.
Milene Ferrazza, 49 anos, nasceu em Birigui (SP) e chegou a Londrina em 1981, para cursar Psicologia na UEL. Morando nos Estados Unidos, atua em empresas, escolas, universidades e organizações, na área de Psicologia Interpessoal. Coordenadora do programa “Seja a Mudança” no Brasil, Milene trabalha com a temática do bullying, auxiliando pais, educadores e crianças de Londrina, além de várias cidades do Paraná e de São Paulo.
Resgatando a convivência
A preocupação com a educação sempre esteve presente na vida de Milene Ferrazza, que, aos 15 anos de idade, já lecionava inglês. Envolvida com o trabalho com crianças e jovens, há anos ela tem como foco a afetividade dentro da sala de aula. “Sinto que quanto mais avançamos nas áreas de ciências e tecnologia, mais desaprendemos a lidar uns com os outros. Educadores têm que se preocupar mais com conteúdo e rendimento do que com os relacionamentos em sala de aula. Estamos no século 21 e a grande maioria das pessoas não sabe lidar com a diversidade.”
Do desejo de proporcionar segurança e paz a crianças e jovens, em 2007, veio a ideia de trazer para o Brasil o programa “Seja a Mudança” – que existe desde 1987 nos EUA. Com o objetivo de prevenir e eliminar a prática do bullying, o programa já atendeu e ajudou milhares de educadores, psicólogos, empresários, pais, crianças e jovens. Por meio de atividades e debates, os participantes do programa têm a oportunidade de compartilhar suas histórias de vida, sonhos e desafios e quebrar as barreiras das diferenças. A proposta tem como objetivos facilitar a aproximação entre as pessoas e resgatar valores de sociabilidade.
Nascida em Fartura (SP), no ano de 1954, Eliana Louvison é formada em psicologia pela Unesp de Assis (SP). Em 1979, mudou-se para Londrina onde foi professora universitária e, atualmente, trabalha em sua clínica particular. Além de atuar como psicoterapeuta, Eliana dedica seu tempo à pesquisa sobre desenvolvimento infantil em creches e berçários, que resultou no livro “Conte outra vez – histórias infantis para a formação de crianças”.
O valor da contação de histórias
Trabalhando com psicoterapia clínica há mais de 30 anos, Eliana Louvison sempre quis fazer coisas fora do consultório. Criou uma instituição para crianças autistas, participou de uma ONG, mas foram “iniciativas frustradas, que duraram pouco tempo”. O desejo de fazer algo a mais, no entanto, permanecia. Em 2000, a convite de uma irmã claretiana da cidade, Eliana começou um trabalho voluntário com crianças de zero a seis anos na recém-inaugurada creche Menino Deus, no João Turquino (zona oeste). A ideia, ainda sem um projeto formal, era levar a prática de contação de histórias para a formação de valores sociais e éticos das crianças.
“Com a criança é difícil trazer algo de fora para dentro. Não funciona dizer ‘não faça’. Por isso, usamos a história como mediador entre o educador e a criança.” Foi dessa ideia que nasceu o “Conte outra vez”: por meio da repetição de narrativas infantis clássicas, que são permeadas de conflitos e trazem os pares antitéticos de bem e mal, a criança consegue internalizar valores sociais e éticos. Hoje o projeto atende três creches filantrópicas: Menino Deus (João Turquino), Santo Antonio e Dom Geraldo (ambas na região central).
Em dezembro do ano passado, a Cia. de Ballet de Londrina chegou à maioridade. Nesses 18 anos, foram montados e apresentados 22 espetáculos de dança contemporânea, 12 turnês nacionais e 9 viagens internacionais, o que totaliza cerca de 500 apresentações para mais de 150 mil pessoas. Composto por 13 bailarinos, o Ballet de Londrina é dirigido pelo atual secretário de Cultura, Leonardo Ramos.
Ascensão social pela dança
No início dos anos 90, Londrina contava apenas com escolas particulares de dança. E, apesar do trabalho bem feito em grande parte delas, muitos talentos se perdiam pela inexistência de uma companhia profissional de balé e de uma escola pública de dança na cidade. Foi em 1993, com a criação da Secretaria Municipal de Cultura, que nasceram também a Escola Municipal de Dança e o Ballet de Londrina, cuja estreia aconteceu em dezembro do mesmo ano. Já em 1994, a Cia. de Ballet fez sua primeira turnê nacional, e depois disso, não parou mais.
Hoje, o Ballet de Londrina é uma vitrine da cidade e goza de boa aceitação por parte da crítica, especialmente, após o espetáculo Decalque, de 2007. O elenco, por onde já passaram mais de 30 bailarinos, visitou países como Peru, Argentina, Cuba, África, Paraguai e, em março deste ano, irá para França, onde o Ballet faz sua primeira apresentação na Europa. Grande parte do elenco recebe formação na Escola Municipal de Dança, que atende mais de 500 crianças de classe média e média baixa de Londrina, dando-lhes a oportunidade de ascender socialmente por meio da dança. Daqui já saíram bailarinos para companhias de Israel, França, além dos balés dos teatros Guaíra e Castro Alves, em Salvador (BA).
Kiko Jozzolino é londrinense e trabalha como produtor musical há mais de 20 anos. Músico autodidata, aos 40 anos ele divide seu tempo entre a composição de jingles publicitários premiados - em um estúdio próprio na cidade - e sua grande paixão: o blues. Além dos shows com o Acústico Blues Trio por todo o País, Jozzolino é responsável por importantes eventos locais como o Festival de Blues e o Blues In Concert.
Blues, uma paixão
Jozzolino ainda era adolescente, tocava e ouvia rock, quando um amigo lhe deu um disco do guitarrista britânico Eric Clapton. Ele conta que, na época, era difícil esse tipo de música chegar por aqui, especialmente na Bahia, onde morou por 12 anos. “Eu ouvi e disse: não, para, é isso que eu quero tocar.” E desde então, o blues entrou na vida do músico para não sair mais.
Sem nunca ter frequentado um conservatório, Jozzolino teve como grandes professores os discos, de onde tirava músicas de ouvido. “Até porque blues não se aprende na escola”, diz. Outro fato que marcou sua vida foi o encontro com o ídolo B.B. King, em 2003. “Ele foi muito receptivo, foi importante e emocionante para mim.”
Com o Acústico Blues Trio, o músico faz shows por todo o Brasil e deve começar uma turnê pela Europa em novembro. Além disso, Jozzolino é organizador do Festival de Blues de Londrina e do Blues In Concert, eventos que contam exclusivamente com o apoio da iniciativa privada, e que trazem grandes nomes do blues nacional e internacional para Londrina. Já em sua primeira edição, ano passado, o Festival de Blues teve os ingressos esgotados 15 dias antes do início.
Nascido em Londrina, em 1972, Roney Marczak começou a tocar violino aos seis anos e meio de idade e, aos 17, ganhou uma bolsa de estudos na Alemanha. Lá, concluiu com honra ao mérito graduação, pós, mestrado e doutorado. Em 2001, fundou a Escola de Música Sol Maior, que deu origem à Orquestra Infanto-Juvenil Sol Maior e ao Quarteto Descobertas. Atualmente, o músico é membro de honra da Academia de Cultura do Estado do Paraná.
Um músico, muitos frutos
Filho de uma família de professores, a cultura sempre esteve presente na vida de Roney Marczak. Cedo começou a tocar violino e, aos nove anos de idade, já viajava de ônibus para várias cidades maiores em busca de formação musical. Após estudar na Alemanha, Marczak conta que uma das decisões mais importantes de sua vida foi voltar a Londrina para se dedicar a pessoas talentosas, mas sem oportunidade de acesso a educação musical.
Em 2001, criou a Escola de Música Sol Maior, por onde já passaram mais de 1.200 alunos. Com o objetivo de valorizar o talento local, a Escola tem apoio de escolas suíças e italianas, oferecendo bolsas de estudo a alunos da periferia. “Nosso maior troféu é ter um aluno – o Danilo de Oliveira, 19 anos, do Jardim Cafezal (zona sul) – indo estudar em Berna, na Suíça, com uma bolsa.” Além da Orquestra Jovem de Londrina, que já fez mais de 60 concertos gratuitos na região, outro “fruto” da Sol Maior é o Quarteto Descobertas, formado por professores da escola. Com apresentações marcadas em países da Europa, o grupo leva a música de 50 compositores nacionais, com o objetivo de mostrar o que o Brasil tem de melhor em termos de repertório.
Nascido em Niterói (RJ), Luiz Carlos Jeolás chegou a Londrina na década de 60 para exercer a medicina. Aqui, o pneumologista foi o primeiro diretor do Hospital Universitário e professor no curso de medicina da UEL. Na cidade, Jeolás também descobriu um grande talento: as artes plásticas. Falecido em 1991, o médico deixou vasta obra: são 150 quadros catalogados e reproduzidos em um livro publicado pela família no ano passado.
O médico pintor
Luiz Carlos Jeolás era médico da Marinha no Rio de Janeiro, nos anos 60, quando resolveu se mudar para o norte do Paraná para ganhar a vida. Na época, sua madrinha comentou de um sobrinho médico de Londrina, o pioneiro Jonas de Faria Castro, e fez a ponte para que Jeolás desembarcasse aqui com a esposa e dois filhos. Na cidade, o médico teve mais dois filhos, tornou-se diretor do Hospital Universitário e professor do curso de Medicina da UEL. Anos mais tarde, Jeolás descobriria o talento para a pintura. Ficou doente e em repouso por 20 dias, e a amiga Joana Lopes apareceu com telas e tubos de tinta, para ajudar a passar o tempo.
Faleceu em 1991 e, no ano passado, os filhos resolveram homenageá-lo com uma exposição e um livro, reunindo 150 quadros catalogados. “Foi um trabalho colaborativo. Fomos atrás das pessoas que o conheceram. E ficamos surpreendidos. Não tínhamos ideia de que ele tinha uma produção tão grande assim”, conta o filho Nenê Jeolás. “Meu pai fotografava as cirurgias para usar em sala de aula. Então, acredito que o olhar dele já era treinado pela fotografia.” Depois da publicação, outras pinturas de Jeolás doadas a amigos estão sendo descobertas.
Londrinense de nascimento e de coração, Márcio Américo, 47 anos, dois filhos, define-se como um artista autodidata. Começou a fazer teatro em 1982, escreveu quatro livros e deve lançar o quinto ainda este ano. Um deles, o “Meninos de Kichute”, de 2000, foi adaptado para o cinema. No teatro, escreveu e apresentou 17 espetáculos. A marca registrada de seu trabalho é a crítica por meio do humor.
Arte para a mudança
Quando começou a fazer teatro, em 1982, Márcio Américo tomou contato com grandes nomes da dramaturgia londrinense, como Mário Bortolotto, e conheceu outras manifestações artísticas. “Passei a ser um interessado pela arte como ferramenta para falar, criticar, mudar a realidade que me incomodava”, conta. E assim o fez. Da infância pobre na Vila Nova nasceu o livro “Meninos de Kichute”, que conquistou leitores até mesmo na Europa e virou filme. “Transformei aquela infância, que poderia ser motivo de lamento, em arte. Muita gente disse ‘que lindo’. Então, acho que a arte, ainda que não altere as coisas na prática, altera na percepção.”
Há dez dias, Américo foi morar em São Paulo, onde está escrevendo roteiro para um filme, faz stand up comedy e terá um programa de televisão. “Tenho trabalhado muito, mas nunca esqueço de onde vim. Sempre que estou no meio de pessoas famosas, gosto de falar ‘sou de Londrina’, e nem preciso explicar, porque todo mundo conhece.” Apesar de garantir que não pensa em ser engraçado, o humor está sempre presente nas suas obras. “No livro Corações de Aluguel, por exemplo, trato da violência urbana com humor. Tudo o que eu faço sempre tem humor.”
Finalista do Prêmio JL Nossa Gente pela segunda vez, o baiano de Mundo Novo João Batista de Souza chegou a Londrina em 1979. Aqui, conheceu o Lago Igapó, apaixonou-se pela canoagem e, mais ainda, pelos rios. Vendo a situação de poluição das águas, começou a militar pela causa ambiental. Hoje, atua no Instituto Ecometrópole e preside a ONG Patrulha das Águas, que fundou em 1990.
História de amor com as águas
Na década de 80, João Batista de Souza fundou em Londrina a primeira cooperativa de trabalho de pintores da construção civil do Brasil. Mas sua vida mudaria mesmo anos mais tarde, quando foi fazer um trabalho de pintura no Iate Clube. Lá conheceu a parte náutica, encantou-se pelos caiaques. Chamado pela Confederação Brasileira de Canoagem para fazer um curso na USP, ao voltar, fundou em Londrina a primeira escola de canoagem do Paraná, agosto de 1990.
Subindo e descendo os rios aos finais de semana, e dando aulas de canoagem, João se envolveu com as águas e sentiu-se afetado pela poluição. Começou a participar da ONG Bandeira Verde e, com a militância ambiental, nasceu a ONG Patrulha das Águas e, também, um novo João. “O pessoal começou a me chamar de João das Águas. ‘Quem é João Bastista?’ ‘O João das Águas...’. E foi ficando.”
As pesquisas de João renderam um documentário fotográfico com mais de 400 mil imagens, organizadas em 1.200 temas ambientais. Hoje, o primeiro ambientalista da cidade comemora o crescimento da militância na área, mas não vê avanços nas ações do poder público. “Hoje a questão ambiental acabou ganhando a mídia e, consequentemente, mais defensores. Hoje tem mais ONGs, e o empresariado já aceita nos receber.”
Fundada em 2001, após um acidente em um posto de combustíveis na zona norte, a ONG MAE (Meio Ambiente Equilibrado) conta com cerca de 30 membros filiados – com formação em diversas áreas do conhecimento – que atuam no desenvolvimento de projetos de proteção e recuperação ambiental. Presidida pelo biólogo Eduardo Panachão, a ONG participa ativamente de discussões sobre meio ambiente na cidade.
Em defesa do verde
Em setembro de 2001, um vazamento subterrâneo em um posto de combustíveis chamou a atenção para um tema ainda pouco discutido em Londrina: o meio ambiente. Preocupada com a questão, a promotora do Meio Ambiente à época, Luciana Lepre, impulsionou os estagiários de Direito do Ministério Público (MP) a criarem um grupo com foco no Direito Ambiental. Surgia, assim, a ONG MAE. Com o tempo, novos membros com outras formações foram se filiando e a ONG tornou-se multidisciplinar. Hoje, é dividida em quatro grupos: Educação, Direito, Comunicação e Grupo Técnico Ambiental, que fornece embasamento científico aos projetos.
Além da atuação jurídica na defesa do patrimônio ecológico de Londrina e da elaboração de projetos nas áreas de conservação e reflorestamento, a ONG MAE promove estudos de mamíferos e aves, e discussões sobre temas como lixo reciclável e futuro do aterro sanitário. Com relatórios e provas científicas nas mãos, muitos impactos negativos foram estancados pela ONG. Dentre as conquistas da MAE, está a criação do Parque na Fazenda Refúgio, conseguida após estudos e mapeamentos da área. Cerca de 100 pessoas estão envolvidas na ONG - 30 são filiadas e as demais participam esporadicamente.
O movimento Ocupa Londrina surgiu de maneira espontânea no Facebook, depois de o jornalista Guto Rocha ter postado, em seu mural da rede social, fotografias do corte de árvores no Bosque. Inspirado no Occupy Wall Street, o grupo virtual é formado por mais de mil membros, e tem como objetivo mobilizar os cidadãos para preservar espaços tradicionais da cidade.
Mobilização na rede
Era dia 11/11/11 quando o jornalista Guto Rocha estacionou seu carro ao lado do Bosque para participar de uma coletiva de imprensa na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Ao olhar para o lado, viu motosserras começando a abertura da rua, que havia sido noticiada pelo JL dez dias antes. Indignado, fotografou o início das obras no Bosque, com o celular, e postou no Facebook, convocando amigos a discutirem o assunto. Logo, as pessoas começaram a compartilhar as fotos, e o grupo de discussões saiu do mundo virtual para reuniões no Bosque, que pediam o fim da obra.
Sem conotação partidária, o Ocupa Londrina agrega pessoas indignadas com a pouca atenção que a preservação ambiental vem recebendo do poder público. O grupo conseguiu o embargo da obra, por meio de uma ação na Justiça. “Uma cidade que privilegia carros, em detrimento de pedestres, só pode estar doente”, defende Guto, que chegou a abraçar um tronco de árvore para impedir o trabalho das máquinas no Bosque. “Liguei para a promotora do Meio Ambiente e ela disse que não poderia fazer nada. Então, eu fiz o que pude, que era ficar ali.”
A ONG E-lixo foi criada em março de 2008 pelo técnico em informática Alex Gonçalves, que também é presidente da instituição. Com sede na Vila Portuguesa, zona central de Londrina, a ONG é a única que trabalha com reciclagem de material eletrônico na cidade. Mensalmente, a E-lixo recicla 40 toneladas de componentes eletrônicos.
Solução para o lixo eletrônico
Com a indústria tecnológica cada vez mais rápida no quesito inovações, aparelhos eletrônicos que eram de última geração há menos de um ano, hoje já são considerados ultrapassados e precisam ser substituídos. Mas o que fazer, por exemplo, com um computador que não tem mais serventia? A inexistência de um trabalho de reciclagem de eletrônicos em Londrina e região levou o técnico em informática Alex Gonçalves a criar a pioneira E-lixo, que, atualmente, recebe materiais de 31 cidades, 10 delas de fora do Paraná.
Cerca de 90% do material entregue na ONG são computadores; o restante é aparelho doméstico, como rádio, ventilador – pilhas e lâmpadas não podem ser recicladas, pois obedecem uma legislação específica. Após o desmonte e separação (alumínio, ferro, cobre...), a maior parte do material vai para fora de Londrina, já que a cidade não conta com indústrias que possam reaproveitá-lo. Muitas peças usadas também dão origem a dezenas de computadores que são doados a creches e penitenciárias de Londrina. A E-lixo conta com sete funcionários e o projeto se sustenta com a venda dos componentes eletrônicos que não podem ser reaproveitados.
Natural de Sorocaba (SP), Ricardo Faria é formado em Agronomia, tem mestrado e doutorado em Genética Vegetal e pós-doutorado em Biotecnologia. Em 1997, veio para Londrina, onde passou a integrar o quadro de professores do Departamento de Agronomia da UEL. Além de ministrar disciplinas de floricultura e paisagismo, no mesmo ano, criou o Orquidário da UEL, que trabalha com projetos de preservação e atende a comunidade externa.
Onde nascem as orquídeas
Em 1997, enquanto ministrava disciplinas de floricultura e paisagismo a alunos de Agronomia da UEL, o professor Ricardo Faria percebeu uma carência de estudos sobre orquídeas, além de um aumento no número de espécies em extinção no Paraná. Estavam aí os motivos necessários para a criação do Orquidário da Universidade que, num primeiro momento, contava com 400 ou 500 plantas. Logo, o projeto começou a apresentar resultados e alunos da Biologia e da Agronomia se mostraram interessados no trabalho de preservação das orquídeas. Hoje, são seis livros publicados (sobre orquídeas e floricultura).
Atualmente, o orquidário da UEL é um dos mais citados do Paraná e Londrina tem sido reconhecida como um exemplo de trabalho bem sucedido. Com uma equipe de mais de 15 alunos (de graduação e de pós), o Orquidário produz milhares de mudas. Com capacidade de produção de 10 mil mudas/mês, o objetivo é salvar as espécies, diminuindo sua retirada das matas. Todas as sextas, o Orquidário do campus é aberto à comunidade, que pode comprar mudas a preços acessíveis e participar de cursos. “Quando você compra de reprodutores e não de coletores, está ajudando a preservar o meio ambiente.”
Finalista do Prêmio Nossa Gente Londrina pela segunda vez, a Bebê Clínica começou a ser idealizada em 1984 e foi inaugurada março de 1986, tornando-se referência mundial na área de Odontopediatria. O órgão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é dirigido, atualmente, por Antônio Ferelle e atende gratuitamente cerca de mil novos pacientes por ano.
Binômio prevenção-educação norteia o trabalho
A ideia de criar uma clínica odontológica para bebês pode ser resumida facilmente em um dito da sabedoria popular: prevenir é melhor que remediar. Ao perceber que crianças com dois ou três anos de idade já chegavam ao consultório com cáries, os professores da UEL concluíram que o ideal seria acompanhar os dentes antes do primeiro aninho do bebê. O resultado do trabalho preventivo ao longo dos anos foi tão bom que, em 2003, o índice de cáries em Londrina era de 0,9, número que nem a Suíça conseguiu atingir. A Bebê Clínica trabalha no sistema educar e prevenir, por isso, o atendimento se inicia de quatro a seis meses de idade - que é quando começam a nascer os dentes - e vai até os cinco anos da criança. Além dos seis professores de Odontopediatria da UEL, seis residentes de odontologia trabalham de segunda a sexta, das 7h30 às 17h. Até o momento, 18.860 crianças estão inscritas no programa e mais 12.646 já foram atendidas pelo pronto-socorro, que engloba casos de maior complexidade que o posto de saúde não consegue atingir.
O Banco de Leite do Hospital Universitário (HU) de Londrina foi criado em 1988, como um projeto do Departamento de Enfermagem da UEL. Integrante da Rede Brasileira de Leite Humano (formada por 206 bancos), Londrina é referência no Paraná, que conta com nove bancos de leite. A coordenação do Banco de Leite do HU, atualmente, está a cargo de Márcia Benevenuto.
Apoio à vida
A Rede Brasileira de Leite Humano tem como ações prioritárias a proteção e apoio ao aleitamento materno. O Banco de Leite do HU é referência, não só pela quantidade de leite coletado, mas também pela tecnologia de pasteurização que utiliza - com baixo custo -, além da articulação com a comissão estadual e do esforço integrado com a Vigilância Sanitária para garantir a qualidade do leite.
Qualquer mãe que seja sadia e produza mais leite do que seu bebê necessita pode ser uma doadora. Os funcionários do Banco vão até a residência, orientam como fazer e, depois, passam semanalmente recolhendo o material. Os receptores prioritários são prematuros e internados na UTI, mas o Banco também atende casos de mães que morreram no parto ou de bebês alérgicos a outros tipos de leite.
“É gratificante ver bebês que estavam muito mal e, hoje, 8, 10, 20 anos depois estão bem. Muitas crianças deixaram de morrer por isso”, destaca Márcia. De janeiro a novembro do ano passado, o Banco de Leite do HU coletou 3.151 litros de leite de 2.959 doadoras e distribuiu 2.096 litros a 4.121 receptores de Londrina e região.
Iniciado em 2008, o Projeto EELO tem como objetivo estudar o perfil epidemiológico e os indicadores das condições de saúde de idosos de Londrina. Coordenado por uma equipe de 12 doutores da Unopar (dos diversos cursos da área da saúde), com supervisão geral da professora Audrey de Souza Marquez, em 36 meses o EELO avaliou 518 pessoas, com idade acima de 60 anos, de todas as regiões da cidade.
Mapeamento da terceira idade
O EELO (Estudo Sobre Envelhecimento e Longevidade) é um projeto temático que abrange diversas áreas da saúde e que estudará variáveis ligadas ao envelhecimento, com abordagens interdisciplinares. Num primeiro momento, a equipe formada por 117 membros (entre alunos e professores da Unopar) já avaliou 518 idosos em variáveis como: perfil sócio demográfico; capacidade cognitiva; percepção da qualidade de vida; tabagismo e fatores determinantes da função respiratória; marcadores imunológicos de inflamação; fatores associados ao uso de medicamentos; diabetes; saúde bucal; perfil genético-molecular; perda auditiva e vertigem; perfil nutricional; risco de quedas; osteoporose; capacidades físicas e motoras e atividade física diária.
Os participantes do projeto são idosos atendidos pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Por meio de 14 questionários e 48 avaliações (entre testes e exames laboratoriais), o projeto descobriu que 31,4% da população avaliada é diabética e 66,26% têm alguma perda auditiva. Além de serem encaminhados para atendimento nas UBS, os idosos avaliados estão sendo convocados para tratamento e acompanhamento da melhora da qualidade de vida.
O cardiologista Arnaldo Okino, que faz parte das equipes médicas da Santa Casa e do Hospital do Coração, é o atual responsável pelos transplantes de coração em Londrina. Formado pela 40ª turma de Medicina da UEL, Okino é um dos sete cirurgiões que compõem a equipe médica de transplantes cardíacos na cidade.
Quarenta e três novos corações
O primeiro transplante de coração de Londrina ocorreu em 1994, na Santa Casa, único hospital do interior do Paraná credenciado pelo Ministério da Saúde para fazer esse tipo de procedimento. Chegando à maioridade, o programa de transplantes cardíacos de Londrina já atendeu 43 pacientes. O volume poderia ser bem maior, de acordo com Arnaldo Okino, mas faltam recursos e apoio. “Hoje temos muita dificuldade na questão do acesso do paciente até a indicação do transplante.”
A espera entre o diagnóstico da necessidade de um transplante cardíaco e o dia da cirurgia pode demorar de três a quatro anos, mas também pode levar apenas algumas semanas. Tudo depende do tipo sanguíneo do paciente, peso e situação em que se encontra. Com sete cirurgiões cardiovasculares, a equipe de transplantes de Londrina conta com mais de 20 profissionais. E, apesar das limitações, em 18 anos já houve muitos avanços. “Um ponto positivo foi a criação da central de transplantes, que só existe em Londrina e Curitiba, e ajuda na conscientização da população e na captação, orientando os hospitais, além de fazer a triagem e seleção dos receptores e doadores”, explica Okino.
A APS Down (Associação de Pais e Amigos de Portadores de Síndrome de Down) foi criada em 27/11/1993, por um grupo de sete pais que participavam de um projeto de extensão universitária desenvolvido pelo departamento de Psicologia da UEL. Com o fim do projeto, surgiu a instituição sem fins lucrativos, com o objetivo de atender pessoas com Síndrome de Down em áreas terapêuticas, ocupacionais e educacionais.
Atendimento exclusivo
Receber a notícia de que um filho nasceu com Síndrome de Down, na maioria das vezes, é um choque para os pais. Há 15 anos, Luzia da Silva Ribeiro recebeu essa notícia e foi aí que a APS Down entrou em sua vida e na de sua filha Heloísa. Hoje, Luzia é presidente da instituição, que atende gratuitamente 130 pessoas especiais de zero a quase 50 anos de idade. “Percebemos que o atendimento proporciona um desenvolvimento incrível em todos os sentidos”, diz Luzia. Com a diretoria toda formada por pais, a APS Down oferece atendimentos de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e assistência social. Outro trabalho importante é a inclusão de pessoas com Down nas escolas regulares, o que é feito com orientação de psicopedagogas da instituição.
Atualmente, a APS conta com 47 funcionários, que se dividem entre a instituição e uma creche filantrópica que atende 57 crianças não especiais. “Nós temos um convênio com o SUS, então, eles pagam as terapeutas. O bebê chega, passa por uma triagem e logo começa o atendimento. É natural que os pais fiquem chocados com a notícia, mas chegam aqui e são super bem recebidos.”
O Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina (Gedal) foi criado em 1999, por cinco amigos que tinham em comum o interesse pela astronomia. Hoje, o grupo conta com 40 membros ativos e dezenas de esporádicos e promove atividades de observação pública, além de palestras sobre astronomia. Com foco na divulgação e democratização da Astronomia, o Gedal é presidido pelo advogado e empresário Miguel Moreno.
O céu para todos
Uma chuva de meteoros, em novembro de 1999, motivou cinco amigos de Londrina a criarem um grupo para discutir astronomia e promover observações públicas do céu. Com formações acadêmicas variadas, eles tinham em comum apenas o interesse pela astronomia. “O homem tem esse desejo intrínseco de saber de onde viemos, para onde vamos. Isso tem relação com o universo, porque somos integrantes desse todo”, diz Moreno. A ideia do Gedal, então, é tornar a astronomia acessível à população, por meio de atividades de observação publica de chuvas de meteoro, eclipses, conjunções planetárias, cometas, além de palestras em escolas e associações.
Hoje, o Gedal é um dos grupos mais ativos do Brasil, em volume de atividades e número de membros atendidos. Em 2009, o grupo reuniu 1.500 participantes de todo o País –maior público num Encontro Nacional de Astronomia. Os eventos de observação em praças, como o “Na rua, de olho pra lua” – realizado todos os sábados de lua crescente na Praça Nishinomiya – chegam a reunir 800 pessoas. “Não tem quem não tenha interesse. Fico sempre muito emocionado quando vêm idosos olhar no telescópio e dizem ‘nunca pensei que fosse assim’. Esse é o nosso objetivo, levar a ciência de forma lúdica e acessível para todos”, completa Moreno.
Finalista do Prêmio JL Nossa Gente Londrina pela segunda vez, Flávio Oliveira dos Santos nasceu em São Jorge do Ivaí (PR) e chegou a Londrina em 1989. Casado e pai de dois filhos, ele é técnico agrícola, economista, formado pela UEL, e tem mestrado em economia pela UnB. Professor da Faculdade Pitágoras, desde maio de 2001, ele realiza uma pesquisa mensal sobre a cesta básica em Londrina.
Cesta básica mês a mês
Em maio de 2001, Flávio Oliveira dos Santos lecionava em uma faculdade de Santo Antonio da Platina (PR), quando percebeu que havia uma carência de pesquisas sobre cesta básica no interior do Estado. Então, o professor resolveu investir na pesquisa em Santo Antonio da Platina e em Londrina. Desde então, ele faz o levantamento todo dia 3 de cada mês, de maneira ininterrupta, para que a série histórica não se perca. “A série histórica é uma das coisas mais valiosas em economia. Se ela for quebrada, não dá para medir a inflação direito.”
O preço dos 13 itens da cesta básica é pesquisado em 9 supermercados de Londrina. Utilizando a mesma metodologia do Dieese, descrita num decreto-lei de 1938, Santos conta com o auxílio de alunos da Faculdade Pitágoras e os resultados são divulgados nos meios de comunicação da cidade. Além do levantamento dos preços, o professor completa o serviço de utilidade pública orientando os consumidores, por meio de entrevistas. Em breve, a cesta básica passará a ser divulgada na internet, em site próprio e no site da Pitágoras, onde também será revelado, mensalmente, o supermercado com os preços mais baixos.
Nascido em Cambé, José Lopes é formado pela segunda turma de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Com mestrado e doutorado na área de entomologia, aposentou-se em setembro do ano passado como professor do Departamento de Biologia da UEL. Há seis anos, criou o projeto “Plano de Vigilância e Controle do Aedes aegypti”, que consiste em uma armadilha de sequestro de ovos do mosquito da dengue.
Armadilhas para combater a dengue
O projeto de Vigilância e Controle da Dengue é baseado em uma armadilha de sequestro de ovos, chamada “ovitrampa”, formada por um vaso de plástico de cor escura, água, um atrativo para a fêmea do Aedes, além de um filete de madeira, chamado de palheta, onde o mosquito vai depositar os ovos. A ideia é retirar essa palheta semanalmente da armadilha, para sequestrar os ovos. “Se estou eliminando ovos, estou fazendo o controle. Mas o mais importante que isso é que ela é uma armadilha de diagnóstico”, explica Lopes.
Num primeiro momento, cerca de 250 armadilhas foram espalhadas pelo campus da UEL, local de difícil controle da dengue, por sua extensão física e pela quantidade de pessoas que circulam ali diariamente. Toda semana, a equipe do projeto retira as palhetas, quantifica os ovos, identifica a espécie do mosquito e elimina os ovos. Recentemente, o projeto está sendo oferecido à comunidade - em parceria com a Unifil e a Unopar - e indústrias e órgãos públicos estão recebendo as armadilhas. Na Copel (Rua Chile), o projeto conseguiu diminuir drasticamente o nível dos ovos, que eram 8 mil no primeiro mês e caíram para apenas 200.
Nascido em Londrina, em 1967, André Luís Laforga Vanzela é graduado em Ciências Biológicas pela UEL, tem mestrado em Genética e doutorado em Botânica. Professor da Universidade Estadual de Londrina, desde 2001, implantou o Laboratório de Citogenética Vegetal na UEL, usando a tecnologia de mapeamento cromossômico, cujos resultados chamaram a atenção da comunidade científica nacional e internacional.
Em prol da biodiversidade
O foco de trabalho do Laboratório de Citogenética Vegetal da UEL é o estudo da biodiversidade vegetal, utilizando ferramentas genéticas de alta tecnologia, como o mapeamento físico dos cromossomos das plantas. “Usamos as diferenças e igualdades dos genes e dos cromossomos para entender as relações entre espécies nativas e de interesse econômico”, explica Vanzela. A tecnologia - que vem sendo empregada em estudos de mapeamento cromossômico em espécies de café, em associação com o Iapar e Embrapa Café –, além de permitir identificar e diferenciar espécies, pode sinalizar aos agrônomos possibilidades de cruzamentos para fins de melhoramento vegetal.
Atualmente, Vanzela faz estágio de pós-doutorado no Departamento de Genética da Universidade da Georgia, nos EUA, onde vem sequenciando os genomas de dez espécies vegetais nativas do Brasil, da família Cyperaceae, para avaliar a riqueza dos elementos. “Essas plantas, que são comumente conhecidas como tiriricas, embora sejam odiadas pelos jardineiros, são extremamente resistentes à seca, inundação e doenças e, futuramente, podem ser fonte de genes úteis para o melhoramento das gramíneas que são de consumo humano e animal.”
Walter Germanovix tem 59 anos, é londrinense, casado e tem dois filhos. Possui graduação em Matemática e Engenharia, mestrado em Microeletricidade e doutorado em Engenharia Biomédica. Em 1982, começou a trabalhar na prefeitura do Campus da Universidade Estadual de Londrina, instituição onde, desde 2000, é professor do Departamento de Engenharia Elétrica.
Melhorando a vida das pessoas
O interesse do professor Walter Germanovix pela Engenharia Biomédica surgiu na década de 80, quando ainda trabalhava na área de engenharia elétrica e telecomunicações. Ao dar manutenção em equipamentos do Hospital Universitário, percebeu a necessidade e resolveu investir em pesquisas de Engenharia Biomédica. “Meu pai já era uma pessoa que se preocupava com pesquisa, então, talvez tenha despertado já em casa mesmo esse interesse.”
Atualmente, Germanovix trabalha com Engenharia da Reabilitação, que procura desenvolver sistemas voltados à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Uma das pesquisas que ele vem desenvolvendo, com o auxílio de alunos, é na área de monitoramento de sinais de eletrocardiograma. “Esperamos que, lendo aqueles sinais, o equipamento já detecte que tipo de problema o paciente está tendo.” Outro projeto, que ainda carece de pesquisas, é a criação de uma interface braile automatizada, que facilite, não só a alfabetização de um deficiente visual, mas também sua passagem por bancos e museus, por exemplo. “Ainda não conseguimos transformar o resultado de nossas pesquisas em produtos. Mas essa é uma aproximação que estou tentando fazer: entre o conhecimento de laboratório e a indústria.”
Fundada em 1983, a Casa do Bom Samaritano oferece abrigo temporário a moradores de rua, dependentes químicos, pessoas que estão de passagem pela cidade e andarilhos, na faixa de 18 a 60 anos de idade. Aberta 24 horas por dia, a instituição, conveniada com a Prefeitura, tem capacidade para atender 76 pessoas.
Abrigo para quem busca amparo
Na parábola bíblica, o Samaritano é a personificação do amor e da misericórdia ao próximo ferido, jogado à beira do caminho. Assim é a Casa do Bom Samaritano, um lugar que acolhe aqueles que precisam de amparo, comida e de um novo rumo para viver. Gerenciada por Francisco Claudino Moreno, a casa conta com 32 funcionários e dispõe de 76 leitos, 22 deles ocupados por moradores fixos, que têm problemas psiquiátricos.
A ideia do local é dar abrigo a pessoas que não têm vínculos familiares e ajudá-las nesse período de transição, até que se coloquem no mercado de trabalho. O tempo de permanência médio ali é de sete dias, mas varia de caso a caso. Além das cinco refeições diárias, banho e material de higiene, a instituição ajuda a pessoa a obter os documentos necessários, como RG e CPF. O gerente da Casa do Bom Samaritano explica que, ainda que a situação dessas pessoas seja bastante instável, o objetivo principal é prepará-las para voltar à sociedade. Mais que uma assistência temporária, a finalidade do trabalho é ajudar o próximo necessitado a dar uma “ajeitada” na vida.
Vencedor do Prêmio Betinho - Atitude Cidadã 2011, o Projeto Galera de Deus surgiu em junho de 2009 e tem como objetivo promover a cidadania, a educação e a solidariedade em comunidades da zona leste de Londrina. Atualmente, cerca de 100 crianças, de 6 a 12 anos, dos bairros Pindorama, Fraternidade, Marabá, Santa Fé, Monte Cristo e Morro do Carrapato são assistidas pelo Projeto.
Um casal pelo bem
A história do Projeto Galera de Deus se confunde com a própria história do casal Maria Luiza e Marcelo Casanova, casados há quatro anos. Os dois foram apresentados virtualmente pela irmã de Marcelo e começaram a se corresponder por e-mail. Na época, Maria Luiza já era pós-doutora em Psicologia, e estava no Canadá, e Marcelo era representante de uma indústria de tecidos em Fortaleza.
O casamento ocorreu em seis meses e, de volta a Londrina, Marcelo sentiu necessidade de dar um rumo diferente à vida. Foi aí que surgiu a ideia de se dedicar exclusivamente a algum projeto social, sem remuneração, enquanto a esposa continuaria trabalhando como professora no Departamento de Psicologia da UEL.
O primeiro passo foi entregar verduras a famílias do Jardim Marabá (zona leste). Aos poucos, o projeto foi crescendo. Até que um dia um amigo alugou uma casa onde hoje são atendidas cerca de 100 crianças da região. Além de alimentação e atividades pedagógicas, os pequenos do Galera de Deus recebem todo o carinho de Marcelo e Maria Luiza, com quem vão a eventos esportivos, além de participarem de atividades lúdicas e educativas.
Nascido em 27 de janeiro de 1967, em Londrina, Romão Antonio Martini Martins conta que sempre quis ser padre. Mais velho dos quatro filhos do casal Romão Antonio Martins e Hilda Martini Martins, ele foi ordenado sacerdote em 20 de março de 1999, aos 32 anos de idade. Há seis anos é pároco da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, onde realiza diversos trabalhos sociais.
Fé no auxílio ao próximo
Romão entrou para o seminário Xaveriano aos 15 anos. Lá cursou o colegial, retornando em 1992 para ser ordenado padre sete anos depois. Hoje, padre Romão é pároco na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, “que tem uma marca social muito grande, é uma paróquia missionária”.
O trabalho voluntário realizado com as comunidades dos Conjuntos João Turquino e Campos Verdes ganhou destaque. Com o dinheiro do dízimo e a dedicação de profissionais de engenharia e outras áreas, desde 2006, já foram construídas 48 casas nos dois bairros. Também está sendo erguido um centro social que vai oferecer reforço escolar a crianças da comunidade e orientação para qualificação profissional de adultos. “A evangelização passa pela ajuda ao próximo. Nossa fé em Deus tem uma dimensão horizontal, precisa atingir o outro”, diz padre Romão.
Além das obras, são realizadas ações em datas festivas como Páscoa e Dia das Crianças. No Natal, uma carreata que chega a reunir 200 veículos, segue até os bairros para a entrega de alimentos e brinquedos para as crianças. Em janeiro, a ajuda é com material escolar. Mensalmente, são doadas 80 cestas básicas e medicamentos a famílias carentes.
Finalista do Prêmio JL Nossa Gente Londrina pela segunda vez, o Plantão Sorriso foi criado em 1996 pela psicóloga Luciana Bazzo. A estreia da versão londrinense dos Doutores da Alegria aconteceu no ano seguinte, no HU. Hoje, 7 hospitais de Londrina e Cambé são assistidos pelo projeto, que já fez mais de 300 mil atendimentos. Com seis atores contratados, o Plantão Sorriso é coordenado pela jornalista Emilia Miyazaki.
O riso como remédio
O riso auxilia na recuperação e cura dos pacientes, chegando a reduzir o tempo de tratamento e internação em até 20%, apontam estudos. Que o digam os doutores-palhaços do Plantão Sorriso que, há 16 anos, levam alegria e diversão a crianças internadas em hospitais de Londrina e Cambé. O grupo, inspirado nos Doutores da Alegria de São Paulo, é formado por seis atores contratados que, divididos em dupla, fazem visitas às crianças leito a leito. “O Plantão não é voluntário. Trabalhamos com atores profissionais para garantir a continuidade do projeto. O voluntário vai quando pode”, explica Emilia Myiazaki.
Mantido com o auxílio do Promic e de empresas privadas, o Plantão Sorriso é um projeto de humanização do ambiente hospitalar. As visitas são tão esperadas que algumas crianças recebem alta, mas se recusam a ir embora até que os doutores-palhaços venham. A ideia do trabalho é resgatar o lado saudável da criança, por meio do lúdico.
“Através de jogos, brincadeiras, música e bom humor, procuramos resgatar aspectos saudáveis da subjetividade do paciente, muitas vezes esquecidos em função da doença”, explica a coordenadora do Projeto, Emilia Miyazaki.
O Lar dos Vovozinhos e Vovozinhas de Londrina foi fundado em 1953, pela iniciativa da Sociedade Civil, Sociedade Espírita e Maçonaria. Na época, a instituição era um albergue que atendia a população itinerante de todas as idades. Em 1959 foi criado o Lar das Vovozinhas, para atender mulheres idosas, e, em 2006, acabou o atendimento a itinerantes e surgiu a ala para homens idosos. Atualmente, o Lar é dirigido de maneira voluntária por Maria Julia Dutra Barros.
Abrigo e cuidado para idosos carentes
O Lar dos Vovozinhos e Vovozinhas atende idosos carentes encaminhados pela Secretaria do Idoso de Londrina. Por meio do Cadastro da Pessoa Idosa, a Secretaria faz uma triagem e seleciona aquelas pessoas que precisam de ajuda e cujas famílias não têm condições de cuidar. “Não é abandono”, frisa Maria Julia. A entidade tem 64 vagas para idosos atendidos gratuitamente e mais quatro particulares, para famílias que não passam no critério da Secretaria. “Somos uma instituição filantrópica que não visa lucro. A lista de espera é muito grande.”
Além da verba do convênio com a Prefeitura, usada para a folha de pagamento dos 40 funcionários (enfermeiras, motoristas, psicólogo, assistente social), o Lar conta com a ajuda da população, com doações e promoções. Aberta a visitação de segunda a segunda, das 14 às 17h, a instituição fica na Rua Araguaia, 589 e recebe idosos que não têm mais condições físicas ou psíquicas de se manter sozinhos. “São mães, tios, pessoas que sempre trabalharam e agora estão nessa situação delicada.” Além de atividades como alfabetização, fisioterapia e música, todas as terças e quintas, idosos que conseguem se locomover são levados para passeios externos.
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé
