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saúde

Zumbido no ouvido representa sintoma de diversas doenças

O maior obstáculo para o tratamento é diagnosticar a causa entre muitas possibilidades. Hipertireoidismo, diabetes e hipertensão estão entre as mais de 200 causas do problema

  • Juliana Gonçalves, especial para o JL
  • 02/03/2009 03:45

Imagine ouvir diariamente um barulho semelhante ao canto de uma cigarra ou de uma colméia de abelhas. Milhões de brasileiros sofrem com essa sensação nos ouvidos. Trata-se de zumbido, um ruído que pode ser provocado por diversos problemas de saúde.

O zumbido é uma das queixas de problemas no ouvido mais comuns e está sempre associada a outras doenças. “Assim como a febre, o zumbido é um sintoma de que algo não está bem no organismo. É uma sensação de som percebido pelo indivíduo que não é gerado por uma fonte externa”, explica o otorrinolaringologista Lucio Takemoto.

Segundo ele, a pessoa afetada reporta escutar chiado, apito, barulho de cachoeira, cigarra, colméia, panela de pressão, rádio fora de sintonia, sinos, pulsação do coração e de outros modos. Um repertório infindável e perturbador.

“Quanto maior o silêncio, pior o ruído. A maior reclamação de quem sofre com zumbido é na hora de dormir”, conta Takemoto.

O zumbido pode ser causado por mais de 200 fatores diferentes. De acordo com o otorrinolaringologista Kooki Tan, a perda de audição é a primeira delas. “Problemas na coluna cervical ou na articulação têmporo-mandibular, problemas respiratórios, metabólicos ou de fundo nervoso também podem ser a causa do zumbido”, garante Tan.

Além disso, excesso de cera no ouvido, hipertireoidismo, hipertensão, diabetes, alergias, doenças renais, tumores, medicamentos e até o HIV podem ser culpados pelo incômodo ruído no ouvido. “O grande problema é saber, entre tantas possibilidades, qual é a causa do zumbido. O diagnóstico é feito por exclusão, vamos afunilando o leque de opções até chegarmos à causa”, explica Tan.

A história do paciente é o primeiro e o mais importante passo no diagnóstico. A descrição de alguns tipos de zumbido, a maneira como o paciente relata, o desconforto que ele produz, podem ser informações úteis na avaliação do médico, sugerindo as prováveis causas de cada caso. “A partir disso, são definidos que exames serão feitos. Pode ser feito exame de sangue para verificar níveis de colesterol, diabetes e tireóide, além de tomografia ou ressonância magnética, entre outros exames”, explica Takemoto.

A avaliação cuidadosa, minuciosa, criteriosa e global de todas as informações obtidas poderá determinar a causa do zumbido. Sabendo-se a causa, será dado um passo à frente na obtenção de melhores resultados, pois vai tornar possível tratar de modo específico a doença da qual o zumbido é apenas um sintoma. “Quando a causa do zumbido é detectada, basta tratá-la e o zumbido, consequentemente, vai desaparecer ou diminuir. Alguns casos não têm cura, como o zumbido causado por tumor ou problemas crônicos de perda de audição”, ressalta Takemoto.

Aparelho camufla o zumbido

A perda auditiva é a causa do zumbido que há um ano incomoda Gentil Cesarino Alves. Para amenizar o problema, a indicação médica foi o uso de um aparelho que camufla o som do zumbido. “Eu fiz um teste de 15 dias com o aparelho emprestado e foi ótimo. Mas eu não tive condições de comprá-lo. Custa R$ 4 mil”, lamenta. Segundo ele, além de aliviar o incômodo, o uso do aparelho durante um ano poderia até mesmo eliminá-lo.

Além de descobrir a causa, quem convive com o zumbido tem mais um desafio: controlar o estresse. “Não tenho tonturas, dores ou surdez, mas o zumbido incomoda demais”, conta Alves.

As alterações emocionais podem aumentar a percepção em relação ao zumbido. “A pessoa fica com medo de que o zumbido seja sinal de algo muito grave e essa preocupação faz com que ele preste mais atenção no ruído, que, dessa forma, parece piorar”, explica Takemoto.

Tirar as dúvidas do paciente faz parte do tratamento. “A partir do momento em que o paciente é tranquilizado, já se percebe um alívio na percepção do ruído”, garante o médico.

Problema pode causar depressão

Ao não ouvir bem, o indivíduo passa por sentimentos de depressão, raiva, isolamento e medo, com tendência a se afastar dos demais por não poder participar da vida em grupo. Por isso, uma das possíveis causas para o desenvolvimento da depressão pode estar relacionado com o zumbido, esteja ele sozinho ou associado à perda da audição.

De acordo com o otorrinolaringologista, Kooki Tan, o convívio com o zumbido muitas vezes se torna insuportável. “Nos casos em que não se detecta sua causa, não se obtém a cura. Há pessoas que chegam a cometer suicídio por não suportar a convivência com o ruído”, revela o otorrinolaringologista.

Cirurgia mutilante é alternativa

Nos casos em que não se detecta a causa do zumbido e, consequentemente, não se chega à cura, a solução é aprender a conviver com o ruído diário. “Existe um procedimento possível que é a cirurgia mutilante, que deixa o paciente totalmente surdo para que ele não ouça mais o zumbido. Mas esse procedimento não é utilizado”, conta Tan.

A indicação, segundo o médico, é utilizar o princípio da física, mascarando o ruído nos ouvidos através de outro barulho. “Na hora de dormir, que é o momento mais difícil para quem tem zumbido, o paciente pode deixar o rádio relógio ou a TV ligados em um volume que apenas cubra o zumbido. E basta programar para que desligue algum tempo depois”, explica.

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