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Evasão escolar: rumos e desafios

01/02/2009 | 23:44 Nelson Ávila Simão*

Um dos mais graves problemas do sistema educacional brasileiro é o fracasso escolar, principalmente das crianças pobres, e parece ser evidenciado pelo grande número de reprovações nas séries iniciais do Ensino Fundamental, alfabetização insuficiente, exclusão da escola ao longo dos anos.

Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas investigou as causas mais amplas da repetência escolar. Sua finalidade foi a de explicar a repetência não só pelas deficiências dos alunos, mas por outros fatores como: características individuais dos alunos, condições familiares, corpo docente, interação professor e aluno, bem como aspectos internos e estruturais da organização escolar.

A conclusão aponta que a reprovação é um dos fatores da evasão escolar e não pode ser atribuída a causas isoladas, sejam as deficiências pessoais dos alunos, sejam os fatores de natureza socioeconômica ou da própria organização escolar. Mas, entre as causas determinantes, a mais decisiva parece ser o fato de a escola, na sua organização curricular e metodológica, não estar preparada para utilizar procedimentos didáticos adequados para trabalhar com as crianças pobres.

Os procedimentos didáticos que acabam discriminando socialmente as crianças são muitos. Por exemplo, já no início do ano letivo o professor costuma "prever" quais alunos irão reprovar. Além disso, alunos com diferente aproveitamento recebem tratamento desigual, pois o professor prefere os que melhor correspondem às suas expectativas de "bom aluno" .

É também comum os professores justificarem as dificuldades dos alunos pela pouca inteligência, imaturidade, problemas emocionais, falta de acompanhamento dos pais e falta de limites (termo este, muito utilizado nos dias atuais). É verdade que esses problemas existem, mas nem por isso é correto colocar toda a culpa nos alunos e pais. Há fatores hereditários que determinam diferentes tipos de inteligência, mas a maioria dos alunos é intelectualmente capaz. Além disso, a influência do meio, especialmente do ensino, pode facilitar ou dificultar o desenvolvimento da inteligência. Se o meio social em que vive a criança não pode prover boas condições para o desenvolvimento intelectual, o ensino pode proporcionar um ambiente necessário de estimulação e é para isso que o professor se prepara profissionalmente.

A escola e os professores têm sua parte a cumprir na luta contra o fracasso escolar. O domínio da leitura e da escrita, tarefa que percorre todas as séries escolares, é a base necessária para que os alunos progridam nos estudos, aprendam a expressar suas idéias e sentimentos, aperfeiçoem continuamente suas possibilidades cognoscitivas, ganhem maior compreensão da realidade social. O ensino significativo, bem como a aprendizagem significativa, que possibilita a mudança do perfil conceitual do aluno, é fator de uma alfabetização bem conduzida que instrumentaliza a agirem socialmente, a lidarem com as situações e desafios concretos da vida prática: é meio indispensável para a expressão do pensamento, da assimilação consciente e ativa de conhecimentos e habilidades, meio de conquista da liberdade intelectual e política.

*Nelson Ávila Simão é professor de Química do Colégio Estadual Vicente Rijo.

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