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Metalúrgicos rejeitam proposta do Sindimetal

Sindicato patronal propõe redução em 20% da jornada de trabalho e de salário

21/01/2009 | 00:12 Stella Meneghel

O Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina não aceita a proposta do sindicato patronal da categoria de redução da jornada de trabalho e de salário. A condição foi apresentada em dezembro como forma de evitar demissões devido à crise financeira global.

Apesar de ainda não causar cortes nas indústrias do setor na região de Londrina, os empresários afirmam que é preciso agir de forma preventiva. É a primeira vez que essa proposta é feita.

“Estamos preocupados com o que vai acontecer em fevereiro e março. A notícia é de recessão. Ainda não estamos sentindo a crise na pele, mas podemos nos antecipar e evitar demissões”, afirmou o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Londrina (Sindimetal), Valter Orsi. “Não temos perspectiva nenhuma de melhora na economia. Não vejo outra alternativa. É a única; a não ser que o mercado volte a aquecer”, ressaltou.

Proposta

O sindicato patronal quer reduzir em 20% a jornada de trabalho dos funcionários, que é de 44 horas por semana, e ter a mesma proporção de corte no salário, que é em média de R$ 800, no prazo de seis meses. Isso deve constar no acordo coletivo que está em negociação.

A proposta foi protocolada na Delegacia Regional do Trabalho no dia 18 de dezembro após uma reunião no órgão com representantes do sindicato dos trabalhadores. Nela não há garantia de emprego. “Quem garante emprego é a demanda”, disse Orsi.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina, Sebastião Raimundo da Silva, afirmou que não dá para concordar com a proposta patronal. “Não há como discutir essa condição de forma generalizada, como se todas as empresas estivessem com problemas. Sabemos que toda crise tem sua conseqüência. Mas o que concordamos é discutir com cada empresa que esteja com problema e encontrar uma solução. Não vamos correr dessa responsabilidade”, disse.

Evitar problemas

Ele afirmou que já foi procurado pelas indústrias que produzem peças automotivas, setor fortemente atingido pela crise. Há uma com 800 funcionários em Santo Antonio da Platina e outra com 200 em Cornélio Procópio. “Vamos sentar com elas e discutir a melhor forma de evitar problemas. Todas as indústrias que nos procurarem, nós vão atender. O que não dá é aceitar a redução de jornada em um acordo da categoria, em que toda empresa poderá implementar, mesmo que não esteja com graves problemas”, enfatizou.

Para o empresário da Indrel Indústria de Refrigeração Londrinense, José Augusto Rapcham, a proposta é uma “medida de cautela.” “A situação é preocupante. Vemos que os grandes centros já estão sentindo dificuldades com a recessão. Janeiro é um mês historicamente atípico [com queda nas vendas] e este está dentro disso. Mas a preocupação é nos meses seguintes não haver a aceleração que sempre há”, enfatizou.

Na região de Londrina há 770 metalúrgicas que empregam 7 mil funcionários. Segundo Orsi, a folha de pagamento representa cerca de 20% do faturamento das indústrias.

‘Não há dado que justifique redução’

A proposta da redução de jornada e de salário é a última a ser discutida. Essa foi uma das conclusões da reunião que aconteceu ontem em Londrina com representantes da Força Sindical e de sindicatos de trabalhadores em indústrias da cidade e de Maringá. “Sabemos que a crise afeta de forma diferenciada cada setor da economia, por isso é necessário conversar com cada empresa. É uma negociação pontual e o primeiro ponto nunca é a redução de salário e jornada”, enfatizou o sociólogo da Força Sindical do Paraná, José Carlos Trizotti.

Ele afirmou que viu com surpresa a proposta do Sindimetal. “Até porque não há nenhum dado que justifique a redução, principalmente de forma generalizada”, disse. Segundo ele, é possível “driblar” a crise com outras medidas, como banco de horas negativo, antecipação de férias e suspensão de contratos por prazo determinado, como foi feito na Renault. “Percebemos que há muita especulação em relação à crise por setores que querem tirar proveito deste momento. Acreditamos que a partir do segundo trimestre a economia já volta ao eixo. Temos setores que estão contratando, como a indústria de alimentos”, observou.

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