Ponto de Vista

Educação nacional: a banda passa sem saber a música!

19/08/2012 | 00:34 Marcos J. Vieira


>> Os resultados do Ideb confirmam: boa parte dos jovens sai do ensino básico como analfabetos funcionais. Apesar das discussões, não foi abordado pontos centrais. A educação nacional é o retrato do comportamento geral da sociedade atual: irresponsável, indisciplinada e sem noção de limites.
Domina no país um comportamento social pouco civilizado, seja na família ou na escola, nas filas ou no trânsito. Por onde se ande pode-se observar atitudes que ferem o respeito mútuo, gerando descabida violência. Diariamente, se expõem os instintos mais primitivos do ser humano.
Talvez, em função de nossa história recente, confundiu-se o sentido de liberdade com ausência de limites. Como resultado, vive-se uma crise de autoridade por parte de quem deveria exercê-la para educar: pais, família, professores, gestores e poderes constituídos. A sociedade brasileira parece ter perdido o senso de ética e civilidade. Sobrepor-se aos limites para tirar vantagem a qualquer custo tornou-se prática corriqueira; convive-se com a propina sem alarde; elegem-se corruptos sem remorsos; onde há uma oportunidade, suborna-se, rouba-se. Os honestos se sentem como trouxas.
As estatísticas demonstram que a ausência de responsabilidade paterna e materna, assim como a desagregação familiar, é um fenômeno de grandes proporções, principalmente nas médias e grandes cidades. Muitas crianças crescem sem a presença orientadora dos pais, componente básico na formação de um indivíduo civilizado e, por conseguinte, de uma sociedade que pretende ser educada, digna e justa. A falta do estabelecimento de limites transforma os jovens numa espécie de “reizinhos”, onde o significado de respeito não faz o menor sentido. É esse o indivíduo que está nas escolas para ser “educado” por professores que atendem salas numerosas e para quem não são oferecidas as condições técnicas, logísticas e de autoridade para trabalhar com dignidade. Num ambiente escolar em que “joio e trigo” são colocados lado a lado, como medida “politicamente correta”, sob a proteção de leis e regulamentos feitos para sociedades mais civilizadas, muitas sementes boas acabam por deteriorar-se, contaminadas pelas más.
Para completar, a necessidade de demonstrar resultados quantitativos de curto prazo, com indicadores de avaliação manipuláveis pelos gestores, tais como o nível de aprovação e a redução de evasão, faz com que se baixem as exigências, ajudando a transformar o que deveria ser uma construção séria de conhecimentos e superação pessoal em uma farsa, aonde todos vão em frente sem saber o necessário. O importante é que a banda passe! Se a música está correta é outra discussão.
O Brasil necessita urgentemente de autoridade e disciplina, a começar pela responsabilidade dos pais.
*Marcos J. Vieira é pai, engenheiro agrônomo e professor.

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