Bom dia

A carona

19/08/2012 | 00:06

A lógica de confronto que transformou a disputa política brasileira numa espécie de briga de torcidas, personalizada nacionalmente no embate entre PT e PSDB, emburrece e empobrece o debate. Enquanto a discussão se aproxima de um Fla-Flu, um Atletiba ou Grenal– vai pelo gosto do freguês –, em que o erro do adversário é sempre pior do que o do próprio “time”, lições deixam de ser aprendidas e o principal deixa de ser discutido.
Foi o que se viu em Londrina no episódio da carona do prefeito José Joaquim Ribeiro (PSC); o presidente da Câmara, Gérson Araújo (PSDB); e o presidente da Sercomtel, Kentaro Takahara, no avião do empresário Osvaldo Pitol, numa viagem para uma reunião em Curitiba. Os sinais se inverteram: quem estava na oposição até há pouco reagiu como áulico e os ex-áulicos reagiram com um furor republicano que antes não demonstravam.
Seguindo essa lógica torta, as viagens de Barbosa Neto (PDT) custeadas por recursos públicos para reuniões do PDT foram piores que a carona de Ribeiro, ex-vice e posteriormente desafeto de Barbosa – e vice-versa, depende do freguês. Na verdade, os dois erros são igualmente graves, confundem público com privado e precisam ser rejeitados com veemência. Só assim os erros do presente podem se transformar em lições que melhorem o futuro.

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