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Calor de agosto faz orquídeas anteciparem primavera

19/08/2012 | 00:02 Bruna Komarchesqui e Fábio Calsavara

Se um habitante do hemisfério norte visitasse Londrina nas últimas semanas, custaria a acreditar que estamos no inverno. Além das altas temperaturas, que têm obrigado as pessoas a desfilarem roupas leves nas ruas, as flores coloridas por todos os cantos da cidade parecem antecipar a primavera em pleno mês de agosto. No Orquidário da Universidade Estadual de Londrina, várias espécies de orquídeas já estão floridas.

De acordo com o professor Ricardo Faria, coordenador do Orquidário, as altas temperaturas antes do esperado, associadas ao excesso de chuvas do mês de julho, contribuíram para a antecipação da florada em um mês. “O relógio biológico das plantas entende que estamos na primavera, por conta do clima. A temperatura é um estímulo para que as flores se desenvolvam. Além disso, o dia também já está mais longo.”

O adiantamento na florada das orquídeas, segundo o professor, tem ocorrido com frequência, já que as estações do ano estão menos definidas do que antigamente. Apesar disso, o risco para as plantas é pequeno. Faria explica que, somente se as temperaturas voltarem a cair demais, por volta dos 10 graus, é que as orquídeas podem perder as flores. “Se tiver um frio drástico, a planta pensa que não é mais primavera. Mas, pelo que tenho visto, não vai mais esfriar, não. E deve voltar a chover nos próximos dias.”

Ao contrário das orquídeas, os ipês costumam mesmo florescer antes da chegada oficial da primavera. “Esta é a época deles mesmo, os ipês florescem todo agosto. Não tem nada de anormal”, explica o professor de botânica José Pimenta, da Universidade Estadual de Londrina.

Veranico
Os londrinenses estão enfrentando um inverno com altas temperaturas, cerca de 4 graus acima da média histórica segundo o Simepar. Na última sexta-feira, Londrina completou 30 dias sem chuva. O último registro feito pelas estações meteorológicas do Simepar foi em 17 de julho. A situação está parecida com o que ocorreu entre julho e agosto de 2004, quando a cidade enfrentou 33 dias de tempo seco e quente no inverno.

Para o final de semana, a previsão é de tempo seco e altas temperaturas. As mínimas ficam em torno de 15 graus, e as máximas se aproximam da casa dos 27 graus. “Nós tivemos algo parecido com esse ‘veranico’ também em 2007, quando a região de Londrina ficou 27 dias sem chuva. As temperaturas não estavam tão altas quanto agora ou 2004, mas também estavam acima da média”, lembrou o meteorologista do Simepar, Lizandro Jacobsen.

O chamado “veranico”, no entanto, não é uma situação incomum. De acordo com Jacobsen, esse fenômeno sempre ocorre durante o inverno. “É uma situação relativamente comum no inverno, quando uma massa de ar quente e seco fica ‘estacionada’ sobre uma determinada área e impede a chegada de frentes frias, que provocam chuvas”, explicou. O tempo seco e quente em Londrina ainda deve permanecer por pelo menos mais uma semana, conforme a previsão do Simepar.

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