Terça-feira, 21 de maio de 2013
- Londrina:Darren Staples/ Reuters
Rafaela Silva recebe o consolo de Rosicléia ainda na saída do tatame
Ministro do Esporte havia cogitado acionar a Polícia Federal para descobrir quem ofendeu a judoca pelo twitter
A decisão de Rafaela foi informada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em comunicado oficial. Na nota, assinada também pela Confederação Brasileira de Judô e a Missão Brasileira nos Jogos Olímpicos Londres 2012, as entidades "repudiam qualquer manifestação de racismo, seja contra atletas, membros de delegações ou qualquer outra pessoa", além de destacar o encaminhamento legal do caso.
"A Missão Brasileira em Londres, prestando auxilio jurídico a atleta, consultou o departamento jurídico do COB sobre as medidas legais que possam ser tomadas. No entanto, a própria Rafaela Silva não pretende dar prosseguimento ao caso", informa o comunicado.
Horas antes, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, havia dito ao site do jornal O Globo que o caso seria investigado pela Polícia Federal. O ministro esteve depois da eliminação.
"Racismo é uma questão de Justiça. É uma indignidade onde não foi apenas a atleta que foi desrespeitada. É um desrespeito ao povo brasileiro. A PF vai entrar no caso pois estamos falando de um ser humano que além de representar seu país recebe bolsa-atleta", afirmou o ministro ao site.
A ofensa contra a atleta brasileira é o terceiro caso envolvento a Olimpíada de Londres. Pouco antes de a Olimpíada começar, a saltadora grega Paraskevi Papahristou foi excluída dos jogos após fazer comentários racistas contra imigrantes africanos em seu país. Na segunda-feira (30), o jogador de futebol da Suíça Michel Morganella foi expulso da Olimpíada por um comentário racista em sua conta do twitter. Morganella chamou os sul-coreanos de retardados mentais, após sua seleção perder para a Coreia do Sul pelo torneio olímpico de futebol por 2 a 1.
Defesa
A técnica da seleção brasileira de judô, Rosicléa Campos, conta que Rafaela foi acessar sua conta no microblog já na Vila Olímpica e se deparou com os comentários ofensivos, a chamando de macaca e que deveria estar em uma jaula. "Quem fez isso é um bicho. Ele é quem tem de estar na jaula. Não falar isso para ela. É um animal quem fala uma coisa dessas. Estamos falando de uma atleta olímpica, a carreira dela é brilhante, um ser humano maravilhoso. Que pais é esse que a cor da pele influencia na conduta do outro?".
Rosicléa ressaltou que chamou a atenção da atleta pela forma como ela revidou as agressões no twitter, mas explicou que ela própria não estaria preparada para receber críticas dessa forma. Ela conta que se surpreendeu com a reação do internauta e que Rafaela acessou a internet para conversar com os familiares e amigos no Brasil e ficou transtornada quando encontrou os recados ofensivos.
“Depois que a porta estava aberta, tentamos fechar o cadeado”, disse a técnica. Ela diz que, assim que os comentários começaram a repercutir, a judoca de 20 anos foi orientada a sair das redes sociais e não responder mais aos comentários ofensivos que recebeu.
“Ela voltou ao twitter e pediu desculpas. Foi uma lição para todo mundo. As redes sociais estão aí e há uma linha muito tênue. Infelizmente, ela deixou-se descer ao mesmo nível [da pessoa que a ofendeu], de uma forma infantil”, disse a treinadora.
Recado da atleta
“Para a galera que me ajudou me deu força torceram por mim mt obrigada desculpe pela minha participação poderia ser melhor mas tem 2016 ai”, foi uma das mensagens postadas pela judoca após o incidente.
Entre os atletas que responderam na rede social, o atacante Neymar escreveu: "Sei como vc se sente !! Agora é ficar ao lado dos que te amam de verdade e treinar mto para realizar seu sonho no Rio/2016 !!”.
Crime de injúria
Autores das ofensas racistas contra a brasileira Rafaela Silva podem ser autuados pelo crime de injúria, descrito no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. A pena para este crime é reclusão de três anos e multa.