Quinta-feira, 23 de maio de 2013
- Londrina:Eram 19h45 quando o prefeito de Londrina chegou à Câmara de Vereadores. Barbosa Neto subiu ao plenário para assumir, pessoalmente, a última cartada da defesa após o fracasso das sucessivas manobras jurídicas dos advogados. Em um discurso de 45 minutos, em tom firme, Barbosa foi eloquente e ameaçador. Começou dizendo que completaria três anos e três meses de governo nesta terça-feira, “se Deus assim me permitir”. Mesmo assim, ele teve o mandato cassado.
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Barbosa defendeu-se com acusações - principalmente mirando contra o vereador Jacks Dias (PT), a quem imputou diversas irregularidades. De forma insistente, o prefeito responsabilizou-o por fraudes no contrato de segurança da Centronic, assinado quando Dias era Secretário da Gestão Pública do prefeito Nedson Micheleti. A tentativa era constrangê-lo a, no mínimo, abster-se. “Fizeram uma manobra na Câmara para blindar o vereador e acusar o prefeito”, disparou, por diversas vezes. Acusou-o, inclusive, de receber propina da Centronic – fato pelo qual o petista já foi denunciado na Justiça. Dias não ficou no plenário para ouvir.
Durante o discurso de defesa, Barbosa exibiu uma série de documentos na tentativa de comprovar, pela última vez, que os dois vigias que trabalharam na Rádio Brasil Sul, do qual é dono, não foram pagos com dinheiro da Prefeitura de Londrina - como descobriu a Comissão Processante. Enquanto brandia uma série de documentos, as galerias o ouviam de costas. “Nenhum documento ou depoimento chegou dessa comissão chegou perto de apontar qualquer benefício a mim ou à rádio Brasil Sul”, discursou Barbosa. “São apenas calúnias e acusações feitas durante um ano contra mim”, apelou, falando firme, como nos programas de rádio que costumava comandar.
Após 45 minutos de discurso, Barbosa sentou-se próximo do plenário para assistir à votação dos vereadores. Tranquilo, não pareceu instável um único momento. Ao fim, cassado, saiu em disparada cercado por assessores que o conduziam – em meio a chutes, empurrões e agressões contra os jornalistas – de volta à Prefeitura de Londrina. Cercado por pessoas mais próximas preferiu o silêncio. Saiu da Câmara pela porta dos fundos, sem nada falar.