Candidatos afiam discurso para ganhar o eleitor

Entre as principais críticas à atual gestão, aparecem a “necessidade” de obter “paz” para a cidade e “credibilidade” política

17/07/2012 | 00:02 Fábio Silveira

Enquanto ainda organizam a estrutura para ir às ruas pedir votos, os candidatos à Prefeitura de Londrina afinam seus discursos para tentar ganhar os votos dos eleitores. Por se tratar de uma campanha na qual o prefeito disputa a reeleição, a tendência é de o atual ocupante do cargo, Barbosa Neto (PDT) defenda a sua gestão, enquanto os adversários apontem as fragilidades do discurso e da obra governista. Entre as principais críticas à atual gestão, aparecem a “necessidade” de obter “paz” e “credibilidade”, numa contraposição a uma administração marcada por quatro Comissões Especiais de Inquérito (CEIs) e quatro pedidos de cassação contra o prefeito.

”O mote da campanha que eu estou vendo nesse momento é paz e desenvolvimento, a cidade conflitada, conflagrada, com uma série de problemas de credibilidade na política e nos políticos e isso se deve aos maus exemplos”, discursa Luiz Eduardo Cheida (PMDB), mirando a atual gestão.

O discurso de enfrentar a “política conflagrada” aparece nas entrelinhas da chapa tucano-belinatista. “Em Londrina todas as pessoas estão se unindo, visando uma administração pública melhor, essa é a grande motivação”, afirma Junker Grassioto (PSDB), vice na chapa de Marcelo Belinati (PP). “O importante é discutir os problemas da cidade e tentar buscar as soluções para esses problemas”, concorda Marcelo Belinati, num tom diplomático.

Econômico em palavras, Alexandre Kireeff (PSD) diz que a palavra de ordem da sua campanha é “planejamento, organização, realização e transparência”. Segundo ele, essas palavras de ordem representariam “qualidade de gestão, bom uso de recursos públicos” para viabilizar as medidas necessárias para a cidade.

Para o PT de Márcia Lopes, que administrou a cidade em três mandatos nos últimos 20 anos, o discurso vai na direção de se descolar do desgaste, principalmente do segundo mandato de Nedson Micheleti (2005-2008). “Embora o PT tenha dado muitas contribuições para a cidade nas três gestões que fez, eu tenho minhas características, eu não sou o Nedson e cada gestão tem uma característica que depende do perfil do governante”, declarou Márcia Lopes ao ser questionada sobre o desgaste do ex-prefeito. Segundo ela, a má impressão é “reversível, porque é o PT do Lula, da Dilma [Rousseff] e de inúmeras gestões do Brasil que deram muito certo”.

Valmor Venturini (PSol), tem um mote diferente. “É tomar conta da cidade com a participação popular”, afirmou o candidato. Segundo ele, sem participação a cidade fica passiva “e as coisas acontecem”. “Quem faz parte do problema tem que fazer parte da solução do problema. Não pode esperar soluções mágicas, choques de gestão”, concluiu.


‘Vidraça’
Enquanto a oposição afia o discurso, o front governista, que surge no papel de “vidraça” – ao contrário da função de “estilingue” exercida por Barbosa há quatro anos –, também prepara a estratégia da campanha. “Vamos colocar em pauta o que já desenvolvemos e os projetos que pretendemos desenvolver. Queremos falar da cidade e dos projetos, do plano de governo”, sinaliza Daiane Medeiros, presidente interina do PDT de Londrina. “Vamos mostrar os pontos favoráveis, não temos interesse em fazer uma campanha de partir para a baixaria ou fazer desconstrução de alguma coisa”, concluiu.


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