Em obras de recape, bueiros não têm vez

Secretaria Municipal de Obras faz ‘vista grossa’ para as dezenas de bueiros entupidos com restos de piche e brita

17/07/2012 | 00:02 Marcelo Frazão

Sob a supervisão da Secretaria de Obras, empresas que fazem o recape de ruas de bairros e do centro de Londrina entupiram dezenas de bueiros com piche e brita, causando danos ambientais e piorando o deficiente sistema de escoamento de águas na cidade. O que chama a atenção é o fato de a própria Secretaria de Obras ser a responsável pelo desentupimento do sistema de bueiros na cidade e acumular uma demanda de milhares de bocas-de-lobo bloqueadas onde, sem pessoal e maquinário suficiente, o serviço de limpeza nunca chegará. Apenas nas ruas Montese, Guararapes, Humaitá, e um lado da JK, onde o serviço já passou, o JL contou 21 cheios de asfalto.

Em praticamente todas as vias que já passaram ou passam por recape o cenário é o mesmo: massa asfáltica despejada dentro dos bueiros, tampas de bueiro asfaltadas junto com a via bloqueando tentativas de limpeza, meio-fio sem acabamento – com materiais esfarelados se acumulando. Tudo o que já caiu na área interna dos bueiros chegará aos rios da cidade, colaborando para o assoreamento do Lago Igapó.

Ontem, a reportagem presenciou a falta de cuidado com os bueiros durante o recape da Rua Humaitá, executado pela DMFZ Engenharia, contratada pela Prefeitura.
No cruzamento com a Rua Canudos, massa asfáltica fresca se unia ao bueiro sem proteção, com piche e brita entupindo-o parcialmente. “Não tem problema, é só um pouquinho”, respondeu um funcionário da Secretaria de Obras, alertado do problema. Depois, reconheceu que o material entraria pela drenagem, chegando ao Córrego Água Fresca e desembocando no Igapó. Sem graça, retrucou: “tudo vai melhorar”. E encerrou o assunto.

Na Rua Montese, esquina com a Rua Guararapes, recapeada semana passada, asfalto derramado dentro de um bueiro antes já cheio de lixo formou uma massa de resíduos, papéis, plásticos e folhas agora concretados. No cruzamento com a Rua Paranaguá, é possível ver massa asfáltica na drenagem já a caminho do córrego que se conecta ao Igapó 2. Na Rua Monte Castelo com a Guararapes, pelo menos 10 cm de piche e brita se juntaram à estrutura de dois bueiros entupidos.

“Lamentável que a própria Prefeitura seja responsável por entupir bueiros se é ela mesma quem terá que desfazer tudo”, aponta o ambientalista João Batista de Souza, o João das Águas. “Sem contar que todo esse material, se não entope completamente o bueiro, tem destino certo: os córregos urbanos e inclusive o nosso cartão-postal”.

Em toda a extensão da Avenida JK, asfalto novinho contrasta com restos de brita e piche jogados nas bases de pelo menos 15 árvores. No meio-fio, bordas do asfalto novo esfarelado deixam um rastro de materiais à espera da próxima chuva para ganhar bueiros e chegar aos rios. Pequenos montes de asfalto “esquecidos” pela empresa também estão nas calçadas.

Em frente a um comércio, uma montanha de asfalto foi deixada pela Gaissler Moreira, empresa de recape que também “asfaltou” bueiros da via. Ontem, a reportagem contatou a Gaissler, mas o engenheiro indicado não atendeu ao telefone. Na outra empresa, a DMFZ, a informação é de que ninguém poderia falar sobre o tema. Bruno Morikawa, secretário de Obras, não atendeu às ligações do JL.

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