Quinta-feira, 23 de maio de 2013
- Londrina:Técnica e evolução tecnológica são responsáveis por despontar o Paraná em termos de produtividade nos últimos 30 anos
Trazida ao Brasil no início da década de 1970, a técnica de plantio direto na palha revolucionou a agricultura e colocou o Paraná no topo do setor em relação à produtividade de grãos. Nos últimos 20 anos, a produção no Estado cresceu 60%. “A substituição do plantio tradicional pelo direto foi um fator fundamental para isso”, explica o secretário da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, Ricardo Ralisch.
O plantio direto é um dos temas a ser debatidos durante o 41º Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola e o 10º Congreso Latinoamericano y Del Caribe de Ingeniería Agrícola que teve início no último domingo e segue até aproxima quinta-feira no ginásio de esportes do Colégio Marista, em Londrina. O evento traz representantes de 22 Estados, além de pesquisadores dos Estados Unidos e da América Latina.
A técnica do plantio direto contribui para aumentar a qualidade do solo e evitar problemas com erosão, já que a palha que se espalha pelas áreas de plantio após a colheita é deixada sobre o solo. Isso mantém a terra úmida, diminuindo ainda o impacto danoso dos maquinários agrícolas.
Por ter sido colocada em prática primeiramente em solo paranaense, a técnica de plantio direto na palha se desenvolveu consideravelmente no Sul do país. “O Paraná hoje é referência em plantio direto não só no Brasil como no mundo”, destaca Ralisch. Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul pegaram carona e atualmente lideram a técnica no Brasil ao lado do Paraná.
O agricultor Herbert Bartz foi o precursor do plantio direto no país, em sua propriedade localizada na região de Rolândia. Para contornar o prejuízo com as perdas no plantio ocasionadas após uma forte chuva e acumular prejuízos consecutivos, Bartz aplicou com sucesso a técnica trazida por ele dos Estados Unidos.
O plantio direto na palha foi difundido no restante do país nas duas últimas décadas e já é realidade em 92% dos 25 milhões de hectares de plantio distribuídos por todo o território nacional. “O plantio direto aumentou em 180% a produtividade no país, expandiu 30% as áreas agrícolas e reduziu 60% do consumo de combustível”, enumera o secretário.
Apesar do sucesso com que o plantio direto na palha é aplicado em diversas culturas como os grãos, outras ainda engatinham principalmente por empecilhos tecnológicos como é o caso da cana-de-açúcar. “Existem experimentos com hortaliças, mas o grande desafio é quando se trata da cana”, enfatiza Ralisch.
O físico Milton La Scala Júnior estuda a emissão de dióxido de carbono liberado pelo plantio da cana-de-açúcar e reforça o argumento do secretário da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha de que a dificuldade ainda é enorme e destaca a urgência do setor. “O que se precisa é de maquinários para a plantação da cana. Isso viabilizaria o plantio direto na palha. Existem apenas maquinários para a colheita”.
Segundo o estudioso, a cana-de-açúcar libera três vezes mais dióxido de carbono do que outras culturas. “A técnica do plantio direto reduziria consideravelmente essas emissões”, argumenta.
Ao todo, o Paraná possui 669 mil hectares de área de plantio de cana-de-açúcar, de acordo com dados do Instituto CanaSat, que monitora o plantio no país.
Serviço
Mais informações a respeito da programação do congresso podem ser obtidas pelo site www.sbea.org.br.