Especialista reconhece avanço, mas aponta falhas

17/07/2012 | 00:02 Erika Pelegrino

O PhD em Pesquisa Educacional e presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista de Oliveira, tem diversos livros publicados na área. Ele falou com o JL sobre o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). O pesquisador reconhece o avanço representado pelo Programa, mas faz algumas considerações, que na sua avaliação acabam prejudicando sua eficácia.

O Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) visa ao letramento até os 8 anos. Na avaliação do senhor o que é essencial para alcançar essa meta?

O Programa representa um avanço no sentido de que o governo federal reconhece a importância de lidar com o assunto. Mas padece de algumas limitações graves, que dificultam seu êxito. Ao definir o 3º ano para a alfabetização, o governo federal está dizendo que os alunos da escola pública podem ser alfabetizados até o 3º ano, num país em que a escola particular alfabetiza no 1º ano. Dois Brasis: um para os ricos, outro para os pobres. O normal, em qualquer país que adota o código alfabético, é alfabetizar o aluno no 1º ano da escola, o que no Brasil significa que são as crianças de 6 anos.
O Programa também não define com clareza o que é alfabetizar e com isso prejudica as demais questões. A avaliação também fica prejudicada, pois se não sabemos com clareza o que é alfabetização, fica impossível definir como saber se o aluno foi alfabetizado. A Provinha Brasil é uma prova disso. É uma prova que não mede nada. Não define também o que é letramento (que é um termo indefinível, que só causa confusão e nenhum benefício).


Falta método para o Brasil alfabetizar?

Falta seriedade do governo federal. Existem conhecimentos científicos que permitem definir com clareza o que é alfabetizar, quando se deve alfabetizar e como se avalia a alfabetização. Também existem conhecimentos científicos a respeito de quais métodos são eficazes, e quais não são. Recentemente a Academia Brasileira de Ciências publicou relatório a respeito, que foi
encaminhado ao MEC, que insiste em ignorar.


E quanto ao investimento em professores alfabetizadores? O senhor diria que a falta de professores específicos para esta função compromete a alfabetização?
Não adianta capacitar professores com ideias equivocadas. Enquanto o país não adotar uma atitude séria, científica e atualizada sobre a questão, é preferível deixar as coisas como estão. Pelo menos há espaço para quem quiser enfrentar a questão com seriedade


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