Segunda-feira, 20 de maio de 2013
- Londrina:Com exceção de alguns fogos de artifício que ainda teimavam em estourar na manhã londrinense, o dia de ontem começou igual a todos os outros. Sim, o Corinthians é campeão da Libertadores, mas isso não alterou os acontecimentos triviais da existência: o Sol, brilhante; a água, molhada; o céu, azul; a terra, vermelha; as folhas, verdes. E, por falar em verde, posso até dizer que o meu coração palmeirense ficou feliz por você, Vô Briguet.
No Céu tem televisão. Você estava lá, na frente do monitor e ao lado de São Jorge, para torcer na final contra o Boca Juniors. Afinal, Vô Briguet, o Corinthians e você nasceram no mesmo ano (1910) e no mesmo bairro (Bom Retiro), com a diferença de apenas um mês. Impossível amar outro time.
Mas quis o destino que o seu primeiro neto fosse palmeirense. Lembro-me de irmos juntos à quitanda do Seu Duílio, na Barra Funda, eu vestido com o uniforme do Palestra. Naquela primeira metade dos anos 70, o Corinthians andava mal das pernas; e o Palmeiras andava muito bem, obrigado, com Ademir da Guia, o Divino. “Olha só, o neto é mais inteligente que o avô!”, provocava o Duílio. Mas tudo mudaria. Depois que o Divino pendurou as chuteiras, o netinho amargou longos 17 anos sem títulos palmeirenses.
Você, porém, era uma alma nobre. Nunca vi prova de amor mais impressionante que a de um corintiano roxo, nascido a uma esquina do próprio clube, torcer para dar empate quando jogavam Palmeiras e Corinthians – só para o neto não ficar triste.
E, por falar em tristeza, você estava ao meu lado, Vô Briguet, há exatamente 30 anos, quando o Brasil perdeu para a Itália na tragédia do Sarriá. Naquele dia, eu chorei muito – e você me consolou. Já havia sido juiz de futebol; testemunhara incontáveis dores no gramado.
De qualquer maneira, eu queria dizer que o título do Corinthians foi plenamente merecido. Uma campanha bonita, suada, incontestável. Parabéns, fiel Vô Briguet. E que a nação corintiana seja bem-vinda à galeria dos conquistadores da América.