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Roberto Custódio/JL / A psicóloga Maíra Bonafé Sei é autora de publicações sobre arteterapia A psicóloga Maíra Bonafé Sei é autora de publicações sobre arteterapia

A arte que pretende curar

Estratégia que leva linguagem diferente à terapia tradicional, facilita aos pacientes a exposição de problemas; na UEL, clínica oferece atendimento a famílias por meio da técnica

04/06/2012 | 00:00 Rafael Sanchez, especial para o JL

Se a terapia tradicional pode ser um pouco dolorosa para os pacientes, um bom caminho para mudar isso é a arteterapia. A psicoterapia que utiliza a expressão artística como tratamento surgiu no começo do século passado em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo a psicóloga Maíra Bonafé Sei, doutora em psicologia clínica e autora de publicações na área, a arteterapia leva uma linguagem diferente para o tratamento do paciente. “Além da comunicação verbal você tem atividades, materiais que facilitam a comunicação, especialmente quando a gente tem pessoas que precisam desse outro meio para se comunicar.” É um mecanismo, segundo ela, que facilita principalmente a comunicação com as crianças.

A Clínica Psicológica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) começa a desenvolver um projeto de extensão que propõe o atendimento a famílias a partir da arteterapia. “São os estudantes, participantes desse projeto, que realizam o atendimento às famílias, que são encaminhadas a eles ou procuram espontaneamente a ajuda”, explica a psicóloga.

“Não fica cutucando a ferida”

Em Londrina a arteterapia ainda está dando os primeiros passos, mas Silvia Maria Moreira, moradora de São José dos Campos, já conhece os seus benefícios há 16 anos. Silvia ficou sabendo da existência da arteterapia e foi procurá-la para ajudar o filho, Fernando, que na época tinha 8 anos. “Ele é adotivo e estava passando por um processo de entendimento [da própria realidade]. E eu não sabia como funcionava terapia para crianças nessa idade.” Segundo Silvia, em aproximadamente quatro meses, o menino já começou a entender e aceitar o que se passava à sua volta. Silvia também precisou da ajuda da arteterapia anos mais tarde. “Comigo foi mais a parte de plástica e desenho. E funcionou, pois eu sempre tive muita dificuldade de me expor, e o desenho não nos deixa mentir.” Para ela, todo o êxito do tratamento foi devido a essa maneira diferente de atender que a arteterapia tem. “Porque foi sem sofrimento, suave. Não teve aquela coisa da terapia tradicional, de ficar cutucando a ferida da pessoa. Foi ótimo para ele e para mim também.”

Núcleo oferece especialização

O Núcleo de Arte e Educação (Nape), de São José dos Campos (SP), vai oferecer a partir de agosto em Londrina um curso de pós-graduação em arteterapia. Segundo a psicóloga e arteterapeuta Fabíola Gaspar, coordenadora do curso, pessoas de várias áreas podem participar. “Todos os profissionais graduados e interessados no curso podem fazer a especialização, sejam das mais diferentes áreas [artes, educação, saúde, social, comunicação e afins]. Não há necessidade de habilidades artísticas por parte do aluno.” O curso terá a duração de 18 meses, com aulas nos fins semana, e inclui supervisão de estágio. Em São José dos Campos, o curso já está na sétima turma. Os interessados devem enviar para o Nape os documentos necessários para a inscrição. A relação desses documentos pode ser encontrada no site www.napesjcampos.com.br. As aulas terão início no dia 25 de agosto.

Em fevereiro começou a qualificação dos alunos que fariam os atendimentos e desde o início de maio alguns já estão atendendo. É o caso de Salomé de Moura Fereli, estudante do quinto ano de psicologia. Apesar do pouco tempo, ela diz gostar da experiência. “Estou achando o máximo, porque a pessoa coloca no desenho ou na construção [referindo-se à expressão artística] coisas que ela nem imagina. Depois que você começa a conversar, ela começa a falar. Se fosse uma abordagem direta, dificilmente a pessoa traria tão facilmente aquela informação.” No momento Salomé está na terceira semana de atendimento a uma família, composta por um casal e seu filho. A estudante ainda ressalta que, para ela, o diferencial é usar as técnicas da arte, como giz, tinta, colagem e recortes. “Na arte a pessoa não tem muito filtro. Se ela tem dificuldade de expressão verbal, a emoção flui normalmente pela arte.”

“No processo arteterapêutico fortalecemos as potencialidades do indivíduo. A arteterapia é preferencialmente assentada nas artes plásticas e visuais. A dança, música e o teatro são complementos dentro da arteterapia”, explica Fabíola Gaspar, que mantém em São José dos Campos (SP) o Núcleo de Arte e Educação e, em agosto, vai oferecer uma pós-graduação na cidade (leia texto ao lado). Ela afirma que a função da arteterapia é reconhecer a fragilidade da pessoa e trabalhar no sentido de fortalecer o lado restaurador.

Serviço: Quem desejar o atendimento da arteterapia deve procurar a Clínica Psicológica da UEL. O telefone é (43) 3371-4237.

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