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Ivan Amorin/Gazeta do Povo / Luiz Totti de Souza torce para que oferta em alta não rebaixe os preços do cereal na região de Maringá, que apostou alto na segunda temporada Luiz Totti de Souza torce para que oferta em alta não rebaixe os preços do cereal na região de Maringá, que apostou alto na segunda temporada

Safrinha deve ampliar a oferta de milho

Para equilibrar o mercado, país terá de exportar ao menos 10,5 milhões de toneladas, índice só atingido uma vez, em 2009/10

22/05/2012 | 00:03 William Kayser, da Gazeta Maringá

Correria acentua recorde na soja

Da Redação

Os preços recordes da soja aceleram as exportações e o ritmo das vendas ao exterior, por sua vez, eleva os preços. Enquanto esse círculo não se quebra, os produtores saem na vantagem. O quadro é estimulado ainda pelo fato de o dólar ter chegado à casa de R$ 2, o que torna as cotações internacionais mais expressivas no mercado interno e favorecem a comercialização.

No Porto de Paranaguá, onde a soja chegou aos R$ 65 por saca nos últimos dias, a avaliação é que os preços estão intensificando os embarques. Não bastasse a escassez do produto, o prêmio pago pela soja exportada por Paranaguá na Bolsa de Chicago chega a US$ 0,74 por bushel (medida igual a 27,2 quilos). Trata-se do maior bônus dos últimos três anos, informou ontem a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).

Os exportadores estão promovendo uma corrida aos portos brasileiros, avalia o superintendente da Appa, Luiz Henrique Dividino. Para ele, quem estava procurando a melhor época para comprar soja decidiu que “o momento é agora”.

O Brasil exportou 11,2 milhões de toneladas de soja em grão de janeiro a abril, volume 36% maior que o do mesmo período do ano passado. Em Paranaguá, os embarques somaram 3 milhões de toneladas no quadrimestre, com alta de 68%. Houve aceleração um pouco menor na exportação de farelo, que somou 1,6 milhão de toneladas no porto paranaense (23% a mais do que entre janeiro e abril de 2011).

Com a soja acima de R$ 60 em Paranaguá, o preço médio no interior do estado ontem foi de R$ 56,56 por saca de 60 quilos, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral), com alta de 0,6% sobre o índice de sexta-feira. O milho, por sua vez, subiu 0,5%, para R$ 20,72/sc.

Fila de navios

Como as exportações seguem fortes, os navios cercam o Porto de Paranaguá. Ontem à tarde, a fila ao largo somava 51 embarcações e 25 esperavam para atracar no corredor de exportação de grãos. Oito armazéns ligados ao corredor de exportação de Paranaguá operam para dar conta de carregar cargas de diversas empresas e diferentes países de origem.

A Appa argumenta que o quadro ocorre também em Santos. Ontem, 76 navios aguardavam atracação no porto paulista. No porto catarinense de São Francisco do Sul, havia nove e, no gaúcho de Rio Grande, 20 embarcações.

Colaborou José Rocher.

Números

• 36% mais soja em grão foram exportados pelo Brasil no primeiro quadrimestre deste ano. Os embarques passaram de 11 milhões de toneladas.

• 68% foi a proporção do aumento nas exportações do grãos pelo Porto de Paranaguá, que passaram de 3 milhões de toneladas.


A produção nacional de milho de inverno deve ser 40% maior, conforme o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Isso em função do crescimento do cultivo em Mato Grosso (39%, de 1,84 milhão para 2,55 milhões de hectares) e no Paraná (12,5, de 1,72 para 1,93 milhão de hectares) no ciclo de inverno. Como a “safrinha” vai bem, a produção da temporada pode chegar a 65,14 milhões de toneladas, com expansão de 13,5% na oferta.

Para que o excedente não derrube os preços no mercado interno, será necessário exportar pelo menos 10,5 milhões de toneladas, estima a Conab. As exportações só passaram de 10 milhões de toneladas em 2009/10. No Paraná, a cotação se mantém acima de R$ 20 por saca de 60 quilos. O risco é de os produtores terem a margem de lucro reduzida ao limite dos custos operacionais, que estão em R$ 15 por saca.

Apesar do risco de os preços do milho caírem, os produtores da Região Noroeste do estado seguem confiantes em relação à safrinha. A produção deve ser colhida entre os meses de julho e agosto e, como em praticamente todo o estado, as lavouras apresentam bom estado.

Produtor de milho em Doutor Camargo (cerca de 36 quilômetros de Maringá), Luiz Totti de Souza diz acreditar que o preço não cairá muito em relação a outros anos. “Para quem vendeu a R$ 14 anos atrás, entregar hoje por R$ 20 está bom demais”, comentou. “Mais que isso não poderemos cobrar, senão vamos afetar os criadores de suínos e frangos.”

Segundo Souza, a safrinha não germinou bem por causa da seca do início do ano. Apesar daquele momento negativo, a expectativa é de boa colheita. “Não nasceu bem [a produção], mas agora está melhor”, disse. Os casos de quebra são estimados em 10%, o que é considerado normal em se tratando da safra de milho de inverno.

O produtor Devanir Pires Martins, de Maringá, comenta que os valores da safrinha devem ser menores, mas próximos dos atuais. Ele também aponta que a produção não vai atingir 100% de seu potencial. “A seca deu uma prejudicada, mas acredito que a média seja entre 200 e 220 sacas por alqueire (5 mil e 5,5 mil quilos por hectare).”

Conforme monitoramento da Secretaria da Agricultura (Seab), 87% das lavouras de milho do Paraná encontram-se em bom estado e 12% seguem regulares. Apenas 1% pode ser considerado ruim. Um terço das lavouras entrou na fase de frutificação e metade está em florescimento, fases decisivas na determinação do volume da safra.

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