Terça-feira, 21 de maio de 2013
- Londrina:
“Não lembro nem fisicamente, tinha que ver a fisionomia dele, mas não me recordo não”, confirmou o professor. Ele ressalvou, porém, que “Londrina certifica todos [os cursos], inclusive das outras unidades”.
De acordo com a assessoria de imprensa da Procuradoria Regional da República da Primeira Região (PRR1), em Brasília, o bicheiro apresentou no pedido de habeas corpus um certificado de que concluiu o curso, que teria sido feito presencialmente, em Londrina. A assessoria informou ainda que a PRR1 questionou a Inesul sobre a veracidade do certificado e foi informada pela instituição que o documento é válido. O diploma ainda não foi expedido.
A Inesul pertence aos mesmos donos do Centro Integrado e Apoio Profissional (Ciap), a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que foi investigada em 2010 pela Polícia Federal, acusada de desviar cerca de R$ 300 milhões em contratos de parcerias com prefeituras de todo o país, sendo R$ 10 milhões só no contrato com a Prefeitura de Londrina. Dinocarme Lima, que aparece no site da instituição como chanceler, foi condenado a 17 anos e 4 meses de prisão pela 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, em agosto do ano passado. A esposa dele, Vergínia Aparecida Mariani, que aparece como diretora da Inesul, foi condenada a 14 anos e 11 meses de prisão. Outras 10 pessoas foram condenadas em primeira instância nesse processo. O JL tentou contato com Vergínia quarta e quinta-feira, mas não conseguiu. Funcionários da Inesul passaram o contato para o departamento jurídico da instituição, que falou sobre a passagem de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, como aluno da instituição.
Cachoeira usou o certificado da Inesul num pedido de habeas corpus, para alegar que tem profissão e por isso não precisaria ser mantido preso. Segundo a assessoria, a Procuradoria se manifestou no processo alegado que "trata-se de um certificado de conclusão, e não de um diploma, como a defesa afirma. O certificado não prova que o paciente tem escolaridade de nível superior, pois é desprovido de status de diploma devidamente registrado no Ministério da Educação (MEC)", conforme já havia noticiado o jornal Correio Braziliense, em 19 de abril.
Estágio e TCC
De acordo com o departamento jurídico da Inesul, Cachoeira fez o último ano do curso de Administração em Londrina. Ele cursou entre fevereiro e dezembro de 2010 as disciplinas de estágio e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), para as quais não precisaria comparecer diariamente na instituição. O departamento jurídico, porém, não informou o nome do professor que orientou o TCC de Cachoeira, alegando tratar-se de uma informação que só o aluno poderia divulgar. Ainda segundo o departamento jurídico, Cachoeira veio para a instituição londrinense transferido da Unievangélica, de Anápolis (GO), cidade do bicheiro.
O diretor do curso de Administração da Unievangélica, Ieso Costa Marques, disse que assumiu o cargo em 2010, depois que Cachoeira já tinha sido transferido para a Inesul. “Estou recentemente como diretor”, explicou. O JL procurou a diretoria geral da instituição, que disse que as informações sobre a vida acadêmica dos alunos só podem ser passadas aos alunos.