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em organizações de eventos Tatiane está no 4º período de Gastronomia e pretende abrir uma empresa de assessoria em organizações de eventos

Cursos Tecnólogos: mais curtos, práticos e específicos

Com duração menor que outras graduações, os cursos de tecnologia são voltados para áreas específicas de carreiras mais abrangentes e são perfeitos para quem quer colocar a mão na massa logo na faculdade

30/08/2010 | 00:04 Marcela Campos

Ano de vestibular é mesmo um ano cheio de decisões. Como se escolher a profissão e onde estudar não fosse suficiente, quem sai do ensino médio ainda precisa definir que tipo de curso superior deseja fazer. Existem hoje quatro opções: bacharelado, licenciatura, curso sequencial e curso superior de tecnologia. Enquanto um bacharelado dura de quatro a seis anos, um curso superior de tecnologia, também chamado de tecnólogo ou tecnológico, normalmente leva de dois a três anos para ser concluído.

Mas a principal diferença entre um tecnólogo e um curso tradicional de graduação não é o tempo que se passa estudando. “O tecnólogo não é um bacharelado com menor duração. Os dois são totalmente distintos. O tecnólogo é muito mais voltado para a prática que o mercado exige”, explica o diretor do Centro Tecnológico da Universidade Po­­si­­tivo (UP), Ronaldo Casagrande.

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Antonio More/Gazeta do Povo / Douglas está no 3º ano do curso de Tecnologia em Design Gráfico da UTFPR Ampliar imagem

Douglas está no 3º ano do curso de Tecnologia em Design Gráfico da UTFPR

Outros tipos de graduação

Fazer um curso tecnólogo não está nos seus planos? Fique ligado: na semana que vem, o Vestibular explicará a diferença entre um bacharelado e uma licenciatura. Não perca!

E o que são cursos sequenciais?

Assim como os tecnólogos, os cursos sequenciais apresentam duração menor que as licenciaturas e os bacharelados. Mas fique atento, porque existem dois tipos de sequenciais: os de complementação de estudos e os de formação específica.

O sequencial de complementãção de estudos funciona como um curso de extensão e é destinado principalmente a quem está fazendo ou terminou uma graduação. Os cursos sequenciais de formação específica são considerados cursos de nível superior. Só que eles não têm o caráter de graduação, ou seja, não permitem que o profissional faça, depois de formado, mestrado ou doutorado, apenas especialização.

Por esse motivo, o coordenador-geral de regulação da educação profissional do MEC, Marcelo Feres, afirma que a modalidade não tem despertado o interesse de estudantes e universidades. O diretor do Centro Tecnológico da UP, Ronaldo Casagrande, diz que na instituição todos os cursos de curta duração são tecnólogos. “Os sequenciais são cursos superiores, mas não são cursos de graduação. Esse foi um dos fatos que fez com que eles praticamente deixassem de existir”, afirma.

Para se ter uma ideia, basta observar o exemplo de Tatiane Paola Te­­rezin, 27 anos, aluna do curso de Tecnólogo em Gas­tro­nomia da Pon­­tifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPPR). Segundo ela, que está no quarto período, no primeiro semestre do curso há 80% de teoria e 20% de prática. A partir do segundo período, os alunos colocam mais a mão na massa e do quarto semestre em diante a proporção se inverte, com 80% de prática e 20% de teoria.

“Geralmente os cursos tecnólogos oferecem formação em uma área bem específica, diferentemente dos bacharelados, que são mais generalistas”, afirma Casagrande. O que ele quer dizer é que um curso superior de tecnologia é direcionado a determinado segmento de uma profissão mais abrangente. Por exemplo: há cursos de tecnologia em Gestão de Recursos Humanos, uma das áreas estudadas no bacharelado em Administração. Da mesma forma, não há um curso tecnólogo em Jornalismo, mas é possível en­­­­contrar um de Comunicação Ins­­titucional, área que faz parte dos estudos em Jornalismo. Como o estudo é mais específico, a duração é menor. “A duração é consequência e não causa”, diz o diretor da UP.

Além da informática

Um erro comum é achar que os tecnólogos são cursos apenas de informática ou computação. O diretor de graduações da Univer­si­dade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Álvaro Peixoto de Alencar Neto, explica que, apesar do nome, os tecnólogos podem ser ofertados dentro de qualquer área do conhecimento. No Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia de 2010 do Ministério da Educação (MEC) há 112 denominações de cursos, divididas em 13 áreas, entre elas “Ambiente e Saúde”, “Hos­pi­talidade e Lazer” e “Produção Alimentícia”.

Mais que focar um campo específico de um bacharelado mais amplo, o tecnólogo pode formar profissionais em áreas não cobertas pelas graduações tradicionais. Existem, por exemplo, cursos de tecnologia em Jogos Digitais (PUCPR e UP), em Produção de Música Eletrônica (Universidade Anhembi Morumbi) e em Vi­­ticultura e Enologia (Univer­sidade Federal de Pelotas), voltado para a produção de vinhos.

Mercado de trabalho

Os cursos tecnológicos normalmente surgem em função de uma procura do mercado. Segundo Casagrande, o curso de Gestão da Produção In­­dustrial Auto­mo­bi­lística da UP, ofertado em Curitiba, foi criado a pedido da Volkswagen, que ajudou a montar o currículo da graduação. Álvaro Peixoto, da UTFPR, diz que, antes de abrir um tecnólogo, a universidade avalia a possibilidade de colocação do profissional na cidade onde o curso é ofertado. “Em Medianeira, já houve cursos voltados para a área de alimentos, por causa da vocação da região na área de carnes e laticínios”, afirma.

Apesar disso, ainda existe desinformação sobre essa modalidade de curso e alguns concursos exigem que os concorrentes apresentem diploma de bacharelado, situação que tende a mudar com a expansão dos tecnólogos. Dados do Censo da Educação Superior mostram que, de 2002 a 2008, o número de matrículas nos cursos de tecnologia saltou de 81,3 mil para 412 mil, aumento de mais de 400%.

Embora a maior parte das matrículas esteja no setor privado, as universidades públicas, que resistiam a oferecer essa modalidade de formação, também passaram a ofertá-la. No vestibular deste ano, por exemplo, a Uni­ver­sidade Federal do Paraná (UFPR) irá ofertar 13 cursos de tecnologia. “Estamos percebendo que há uma demanda do próprio mercado por essa modalidade. O Brasil tem um apagão de mão de obra e o Paraná está importando trabalhadores de outros estados”, disse o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, durante a 8.ª Feira de Cursos e Profissões da instituição, realizada há duas semanas.

Para quem são indicados

Como os tecnólogos são cursos muito específicos, são mais indicados para pessoas que já sabem em que área pretendem atuar. Por isso para quem ainda está indeciso sobre a futura profissão um curso tradicional de graduação geralmente é mais indicado.

O bacharelado oferece uma formação mais ampla e, consequentemente, mais opções de escolha depois da formatura. “O que a gente normalmente tem visto é que o curso de tecnologia é mais adequado para quem está no mercado de trabalho e quer se aprofundar na área em que está atuando. Normalmente os alunos têm uma faixa etária maior. Mas isso não impede o estudante que está terminando ensino médio de entrar nessa modalidade”, afirma o diretor de graduações da UTFPR, Álvaro Peixoto de Alencar Neto.

Foi isso que fez Douglas Rodrigo da Luz, 20 anos, do terceiro ano do curso de tecnologia em Design Gráfico da UTFPR. “A UTFPR também oferta o bacharelado em Design, mas em período integral. Eu entrei no curso de tecnologia por ser oferecido só no período da noite. Assim eu poderia trabalhar durante o dia”, explica. O universitário conta que os alunos desenvolvem atividades práticas no início da graduação. “Logo nos três primeiros períodos, há bastante prática. Os professores passam muitos trabalhos de uma semana para a outra”, afirma.

Thaís Mucelin, 20 anos, começou dois cursos ao mesmo tempo: Jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e Tecnologia em Comunicação Institucional, na UTFPR. “Meu foco era estudar Jornalismo, mas eu tinha uma conhecida que fazia o curso da UTFPR e vi que era bem interessante. Lá as matérias são voltadas para comunicação empresarial”, explica. Aluna do quarto ano de Jornalismo e recém-formada pela Tecnológica, Thaís diz que o tecnólogo valorizou o seu currículo. “Quando eu mandava currículo para vagas de estágio, o curso era um diferencial. Apesar de as pessoas não conhecerem muito a graduação, elas achavam muito interessante depois que eu explicava”, afirma.

Curso de tecnologia não é técnico!

Não confunda: curso superior de tecnologia não é curso técnico. Como diz o próprio nome, ele confere diploma de nível superior e permite a continuidade dos estudos em cursos de especialização, mestrado e doutorado. “A Lei de Diretrizes e Bases da Educação define que o curso tecnológico é uma das formas de graduação ofertadas no país; as outras duas são o bacharelado e a licenciatura, mais tradicionais”, afirma o coordenador-geral de regulação da educação profissional do MEC, Marcelo Feres. O curso técnico, por sua vez, é um curso de nível médio.

Funcionário da Volvo do Brasil, Luciano Lima de Oliveira, 35 anos, iniciou a formação profissional em um curso técnico. Hoje faz o tecnólogo em Gestão da Produção Industrial Automobilística da Universidade Positivo (UP).

“Quando optei por fazer curso superior, conversei com pessoas da empresa e elas me aconselharam a fazer esse curso. Existe atual­mente uma lacuna entre os técnicos e os engenheiros e a empresa tem aumentado o número de bolsas de estudo para os tecnólogos”, diz.

Segundo Feres, alguns tecnólogos são estratégicos para o desenvolvimento do país, como aqueles nas áreas de agroecologia, petróleo e gás, biocombustíveis, gestão de turismo e gastronomia. No Paraná, o curso de Gastronomia é ofertado por oito instituições de ensino superior, entre elas a PUCPR, onde estuda a Tatiane Paola Terezin. “Eu fazia faculdade de Direito na Federal, há uns sete anos, mas vi que não era essa área que eu queria. Não queria fazer alguma coisa só para ter um diploma”, conta ela, que está no quarto período de Gas­tronomia e pretende abrir uma empresa de assessoria em organização de eventos.

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