Canteiros estreitos demais

Pedestre está confinado a espaços reduzidos para atravessar a nova Avenida Maringá

09/08/2012 | 00:02 Marcelo Frazão

Na cidade planejada para os carros, a Prefeitura de Londrina está em plena revitalização da Avenida Maringá. Veículos ganharão uma nova faixa de rolamento com a retirada de estacionamentos, o recapeamento asfáltico será total, mas o projeto em curso, de quase R$ 1,5 milhão, não resolve um dos ‘nós’ da acessibilidade urbana: a prioridade e o espaço para pedestres, principalmente em vias comerciais.

Em Londrina, atravessar vias movimentadas de um lado ao outro - como as Avenidas Tiradentes e Higienópolis, por exemplo - é uma tarefa ingrata e perigosa para o pedestre que se vê obrigado a saltar por canteiros que servem como divisores de pistas. Além disso, é raro encontrar faixas de pedestres no meio dos quarteirões, expulsando quem caminha para travessias que só podem ser feitas nos cruzamentos, onde estão esquinas com semáforos.

Se a gente não cabe, imagina um cadeirante’

“Os espaços ficaram realmente pequenos para o pedestre”, avalia o secretário de Obras, Marcello Teodoro. “Há uma lista de discussões que pretendo fazer com o Ippul e a questão da [Avenida] Maringá é uma delas”, assegura. Como não participou da elaboração do projeto de revitalização da via, Teodoro sustenta que ainda precisa “testar os argumentos técnicos” que motivaram a construção do canteiro central com pouco espaço para o pedestre. Em frente ao Colégio Marista, a falta de espaço e de prioridade para o pedestre na Avenida Maringá ficou mais evidente ainda: um pequeno trecho do canteiro central, rebaixado, comporta, no máximo, duas pessoas uma ao lado da outra – mas dezenas de estudantes costumam atravessar ao mesmo tempo. Quem aceita, fica sobre o canteiro – da mesma forma como há anos se atravessa a Avenida Higienópolis. “Se a gente não cabe, imagina um cadeirante e um acompanhante”, aponta a professora Cristina Arthuzo, também sem compreender muito bem a barreira agora formada pelo canteiro que delimita os espaços “reservados” para o pedestre. O retrato do problema também está bastante visível no cruzamento da Avenida Maringá com a Avenida Tiradentes: as faixas de pedestre novas, já pintadas, são muito mais largas do que o exíguo espaço reservado para a passagem do pedestre no meio do canteiro.

A Avenida Maringá, com o novo desenho, ganhará 2,2 quilômetros de canteiros ao meio separando as pistas – uma barreira que custará R$ 111 mil (mais de 7% da obra) aos cofres, mas onde raramente o pedestre tem vez. Enquanto são construídas rampas novas para cadeirantes nas esquinas, trechos de calçadas novos e várias mudanças que chegam com a certeza de melhoria para o local, o pedestre permanece com dificuldades.

Os croquis do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), seguidos à risca pela construtora Axial, responsável pela revitalização, mostram que o pedestre está confinado a espaços ínfimos para atravessar a avenida.

Via essencialmente comercial, na Avenida Maringá o fluxo de pedestres de um lado para o outro, no lugar de prioritário, foi confinado a trechos onde o canteiro central está aberto de forma bastante restrita.

Como atestou o JL, no canteiro não cabe mais que uma pessoa. Se for uma mãe com um carrinho de bebê, a permanência no meio da pista, à espera da travessia, deve ser muito cuidadosa: “Eu e o carrinho não cabemos no vão que foi deixado e alguém fica de fora do canteiro, quase na rua, na hora de atravessar. Quando tentei passar com o carrinho de bebê na companhia do meu pai junto, foi até curioso. Ele teve que esperar de um lado da via enquanto eu fiquei do outro. Não entendi por qual motivo não cabe todo mundo no meio”, constata Ana Karina de Mello, com Bruna, 1 anos e 2 meses, no carrinho.


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