Retirada de banheiros irrita frequentadores do Zerão

Secretaria de Obras demoliu o vestiário e instalou canteiro no local. Pedido seria da população, segundo o secretário Bruno Morikawa

11/07/2012 | 00:03 Telma Elorza

Frequentadores estão reclamando da solução dada pela administração municipal para acabar com o tráfico de drogas e prostituição no Zerão. Homens e máquinas da Secretaria Municipal de Obras puseram abaixo os banheiros e vestiários que existiam ali, na Rua Julio Estrela Moreira. No lugar, um canteiro que está preparado para receber flores e, segundo o secretário de Obras, Bruno Morikawa, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deve instalar banheiros químicos na área. As obras fazem parte da revitalização do Zerão.

Para os usuários do espaço, a solução não agradou. Os estudantes Vinícius Mana, 18 anos, e Gustavo Pereira, 19, disseram que preferiam que houvesse apenas manutenção no local. “Era ruim, sujo, mas melhor que nenhum. Para quem vêm de longe, como nós, que somos da zona sul, pode fazer falta”, disse Gustavo Pereira “E se houver uma emergência, vamos usar o quê como banheiro? As árvores?”, questionou Vinícius Mana.

Para o assistente jurídico Frederico Melhado, 29 anos, que faz parte de um grupo de basquete que joga no local há muitos anos, quase que diariamente, a demolição foi um exagero. “Estávamos pedindo uma limpeza e um vigilante ali. Puseram abaixo. Para nós, servia como vestiário. Saíamos do trabalho e vínhamos direto para cá, mudávamos de roupa ali. Agora, vamos fazer como, nos trocar no carro?”, apontou.

O consultor de turismo Newton Felício, 48 anos, que mora na região desde criança e frequenta o Zerão para prática de esportes, diz que a solução de banheiros químicos não é adequada no local, porque é temporária. “Precisamos de uma solução definitiva”, disse. De acordo com ele, o banheiro estava em perfeitas condições de uso, embora sujo e sem água, que foi cortada há mais de seis meses, inclusive das torneiras disponíveis para a população beber. “O que precisava era de uma pessoa para manter o local e afastar os usuários de drogas. O dinheiro do aluguel de banheiros químicos poderia ser usado para pagar um zelador”, disse.

Segundo ele, nunca fizeram uma pesquisa sequer para saber os que os usuários pensavam da questão. “E eles decidem assim, num estalar de dedos”, afirmou.

Segundo o secretário Bruno Morikawa, a decisão foi tomada depois de uma inspeção no local. “Tanto a Secretaria de Obras quanto o ‘Fale com o Prefeito’ registraram muitas queixas do local, principalmente sobre usuários e tráfico de drogas, além da prostituição. Vim ver a situação e fiquei horrorizado. A decisão foi administrativa”, afirmou.

De acordo com ele, todos os pedidos eram para demolição e não apenas reforma. Questionado sobre o valor do aluguel dos banheiros químicos ser utilizado na contratação de zelador, Morikawa respondeu: “Não vou entrar em discussão filosófica com você”.


Como o secretário só atende a imprensa das 11h30 às 12 horas e das 17h30 às 18 horas, e ontem foi atender o celular por volta das 17h45, a reportagem não teve tempo hábil para questionar a CMTU sobre as datas para instalação dos banheiros químicos.

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