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‘Propinoduto’ poderia chegar a R$ 300 mil

Amauri Cardoso (PSDB) disse que seus interlocutores ofereceram a possibilidade de ganhar mais dinheiro em outras votações

25/04/2012 | 00:02 Fábio Silveira

O vereador Amauri Cardoso (PSDB) disse que foram oferecidos R$ 80 mil e mais cargos comissionados para que ele votasse contra a Comissão Processante da Centronic e se alinhasse à base governista. Seriam pagos R$ 20 mil ontem, mais R$ 20 mil depois da votação e mais R$ 40 mil durante a campanha eleitoral deste ano. O dinheiro teria sido oferecido a ele pelo ex-secretário de Governo Marco Cito, que deixou a administração para coordenar a campanha do PDT em Londrina e a campanha do prefeito Barbosa Neto (PDT) à reeleição. Em Plenário, Cardoso disse, porém, que o propinoduto poderia chegar a R$ 300 mil, o que seria suficiente para bancar uma candidatura a vereador.

Conforme o tucano, seus interlocutores falariam em nome do prefeito e ofereceram a possibilidade de ganhar mais dinheiro em outras votações. Foram citadas as votações da Lei da Muralha e da isenção de R$ 70 milhões de ISS para a Unopar. “Ele disse que na [lei] da Muralha teria R$ 40 mil para cada um”, afirmou o tucano em plenário.

Chefe de gabinete e assessor da Sercomtel se defendem

O chefe de gabinete do prefeito, Rogério Lopes e o assessor da Sercomtel, Alysson Carvalho, negaram ontem que tenham envolvimento com a denúncia de tentativa de compra do voto do vereador Amauri Cardoso (PSDB), que resultou na prisão em flagrante do ex-secretário Marco Cito e de Ludovico Bonato. O gabinete de Lopes, na prefeitura, foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido à tarde, pelo Gaeco e Carvalho foi citado por Cardoso como um dos interlocutores na suposta tentativa de compra de voto. Os dois fazem parte da articulação política da gestão municipal e atuam no diálogo com a Câmara. "O Cito disse que o Amauri estava procurando ele e o Carvalho vinha sendo procurado e abordado pelo vereador na Câmara", declarou Lopes. Conforme o chefe de gabinete, Cardoso jamais teria sido procurado pela articulação política. "Com o PP e o PSDB não temos diálogo. Eu não conversei pessoalmente com o Cardoso desde a posse dele", reforçou Lopes. Segundo ele, foi Cardoso quem "insistiu para o Cito ir na UEL [Universidade Estadual de Londrina]". "Desafio o Cardoso a falar em juízo que conversou comigo", completou. Carvalho disse que nunca houve conversa sobre dinheiro com o tucano. "Isso é armação pura. Nós temos sete votos [para barrar a CP] e você acha que nós iríamos procurar o PSDB?", questionou. "A eleição está aí. O jogo é a eleição", concluiu. Durante a tarde, chegou a correr boato nos bastidores de que Carvalho e Lopes teriam sido presos pelo Gaeco, mas os dois passaram a tarde em Curitiba. Eles disseram que chegam a Londrina na tarde desta quarta-feira e que devem procurar o MP espontaneamente para prestarem depoimento. "Coloco meus sigilos fiscal, telefônico, bancário e midiático à disposição", afirmou Lopes.

Cardoso afirmou que Cito deu a entender que recolheria o dinheiro para repassar a vereadores. O tucano afirmou que outros vereadores foram citados, como supostamente recebendo dinheiro, mas não disse nomes. Os nomes, segundo ele, apareceram durante as conversas gravadas com o auxílio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Cardoso citou pelo menos mais um auxiliar de Barbosa Neto na suposta tentativa de suborno: Alysson Carvalho, assessor da Sercomtel, que atua na articulação política.

“Aeroporto”
O vereador do PSDB afirmou que na segunda-feira houve uma conversa com Cito, que o procurou na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde ele faz uma disciplina como aluno especial de um curso de mestrado. Na oportunidade, Cito teria ficado de levar o dinheiro, o que não aconteceu. “O Cito disse que não tinha o dinheiro porque o cara que tem a grana estava numa reunião e iria para o aeroporto”, afirmou o tucano.

Aproximação
Cardoso disse que vinha sendo abordado há alguns dias por Ludovico Bonato, que foi preso em flagrante junto com Cito. “Eles começaram a me abordar e quando eu vi que estavam perto de fazer uma proposta, procurei o Gaeco e fiz uma série de gravações”, declarou.

O vereador disse que não pediu dinheiro, apenas deu “corda” para que os aliados do prefeito avançassem na conversa. Segundo ele, no desenrolar das conversas gravadas, quando questionado sobre quanto precisava, o tucano afirmou que aceitaria o mesmo que os outros vereadores estavam pedindo. Em resposta, Cito fez um gesto com quatro dedos, que seriam R$ 40 mil.
O assédio de Bonato teria começado depois dele ter dito ao assessor da Sercomtel, Alysson Carvalho, que conhecia o interlocutor.


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