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Quebra-molas sem padrão

Especialista afirma que a maioria das lombadas, em Londrina, está irregular

13/08/2010 | 00:00 Douglas Lopes

Oitenta por cento dos quebra-molas, em Londrina, estão irregulares. Além de não respeitar as medidas previstas pelo Código Nacional de Trânsito, as lombadas, em muitos casos, não estão acompanhadas de sinalização vertical e horizontal adequadas. A denúncia é do engenheiro especialista em tráfego, Júlio Mortari.

De acordo com a resolução 39/98, que estabelece os padrões e critérios para instalação de ondulações transversais, as lombadas podem ter duas medidas: 1,50m de tamanho e 8cm de altura ou 3,7m por 10 cm. O JL mediu alguns quebra-molas alvos de reclamações constantes de motoristas, e comprovou que todos descumprem a resolução (veja quadro).

O diretor de trânsito e sistema viário do Ippul, Hirak Ohara, admitiu não haver critérios para as diferenças de medidas de uma lombada para outra, mas afirma que a regularização não vai ocorrer. “Esses quebra-molas existem antes do Código [Nacional de Trânsito]. Vamos retirar [as lombadas] só se os moradores da redondeza aceitarem, porque foi o pessoal que pediu”, justifica Ohara. O diretor afirma também que “caso precise” retirar um quebra-molas por irregularidade, todos serão retirados [inclusive os regulares].

Para o engenheiro de tráfego, Júlio Mortari, o “argumento é falho”. “A própria Prefeitura é responsável pela fiscalização das lombadas. Elas não passam por manutenção e estão em situação precária. Se um carro ou uma moto passa por cima [de um quebra-molas irregular] e acontece um acidente, a Prefeitura tem que indenizar a pessoa”. Segundo ele, é muito comum encontrar em Londrina lombadas totalmente fora do padrão e em locais proibidos. Ele cita como exemplo, o tráfego de ônibus do transporte coletivo em vias com quebra-molas. “O Código [Nacional de Trânsito] não permite porque transporta pessoas em pé, o que causa riscos de fraturas como de pescoço, por exemplo.” O Código Nacional de Trânsito proíbe ainda quebra-molas em vias onde a velocidade máxima permitida ultrapassa os 20 km/h.

O advogado Gustavo Rubin afirma que o condutor que tem seu veículo danificado por uma lombada que esteja irregular deve entrar com uma ação contra a Prefeitura. “Tanto quebra-molas irregulares quanto buracos são de responsabilidade do órgão público e o dever de indenizar é do agente responsável pelas vias.”

Lombadas medidas pelo JL

• Avenida Madre Leônia em frente ao Morada do Sol, tamanho 2,90 m em frente ao bar Salomé, tamanho 1,60 m

• Rua Antonio Moraes de Barros próximo à Casa do Papai Noel/PM, tamanho 1,90 m perto da Praça do Monumento à Bíblia, tamanho 1,80 m

• Avenida Bandeirantes, em frente ao Evangélico, tamanho 65 centímetros

O engenheiro Júlio Mortari enumera alguns pontos da cidade com ondulações transversais irregulares:

Madre Leônia próximo ao Super Muffato - comprimento irregular e ausência de sinalização vertical correta Avenida Inglaterra próximo à 10 de dezembro - muito próximo do cruzamento quando o correto é uma distância de 30 metros Rotatória de acesso ao Jardim Bela Suíça - sinalização vertical trans versal à lombada

Solução contra excessos

O diretor do Ippul, Hirak Ohara argumenta que as lombadas e os radares de velocidade são as únicas soluções para conter o excesso de velocidade no trânsito de Londrina. “Na gestão passada era para ser instalados radares [de velocidade], mas o Conselho [de Trânsito] foi contra. A culpa [pela irregularidade] também é deles”, esquiva-se.

Um ex-membro do Conselho de Trânsito [atualmente “desarticulado”] que preferiu ter sua identidade preservada, afirmou ao JL que o órgão se posicionou contra porque os radares de velocidade seriam repassados ao Ippul por “valores exorbitantes”. “Algo em torno de R$ 14 milhões. Inadmissível”, considera.

Desgaste do veículo aumenta

A lombada fora das medidas estabelecidas pelo Código de Trânsito pode causar transtornos aos motoristas. Os veículos que trafegam por vias com essas ondulações, com certa frequência, precisam vez ou outra desviar da rota original para uma oficina mecânica.

A Rua Samuel Moura (paralela à Avenida Maringá) é um dos pontos mais criticados pelos condutores. “Se você passar nessas lombadas à noite e não tiver muito cuidado, você arrebenta o seu carro”, reclama Cláudio Espiga que recentemente gastou R$ 300 em mecânico para consertar estragos no seu veículo causados pelas lombadas.

O mecânico Valdir Ferrato afirma que “o dano mais comum causado nos veículos é na suspensão e em alguns casos na caixa de direção também. Passar por um quebra-molas [diariamente], ainda mais se ele está irregular, o desgaste [do veículo] aumenta e muito”, alerta.

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