Domingo, 19 de maio de 2013
- Londrina:Marcelo Andrade / Gazeta do Povo
Professores das universidades federais rejeitaram pedido do governo de suspensão da greve por 20 dias
Greve dos professores federais chega hoje ao 32º dia com a adesão de 53 instituições. No Paraná, movimento segue na UFPR, UTFPR e Unila
Embora haja especulação na internet sobre possíveis cancelamentos de calendário, a UFPR e a UTFPR informam que as Reitorias não têm autonomia para tomar essa medida, que caberia aos respectivos Conselhos Universitários. Segundo o Pró-Reitor de Graduação e Educação Profissional da UTFPR, Mauricio Alves Mendes, o conselho da instituição já recebeu uma proposta de cancelamento, mas ele lembra que em greves anteriores a instituição nunca suspendeu o calendário. A assessoria da UFPR informou que há uma reunião marcada para o fim deste mês, mas o assunto não está em pauta.
Nesse período, uma medida provisória publicada na semana da deflagração da greve (concedendo aumento de 4% à categoria) parece ter servido apenas para aumentar a tensão entre sindicatos e governo federal. Em entrevistas à Gazeta do Povo, representantes dos sindicatos locais disseram que o gesto foi recebido como uma desrespeitosa tentativa de desmobilizar a categoria.
Segundo o professor Arandi Bezerra Júnior, membro do Comando Local de Greve na UTFPR, desde então o clima de descontentamento com a postura do governo só cresceu. “A insistência do MEC [Ministério da Educação], em dizer que já nos foi dado o que pedíamos, nos deixa surpresos.” O professor lembra que a ênfase dada pelo movimento não está no aumento salarial, mas sim na reestruturação da carreira docente, prometida desde o acordo que deu fim à greve de 2011.
Governo
Embora um dos maiores agravantes na deflagração dos servidores tenha sido o cancelamento, pelo governo federal, de uma reunião agendada para o fim de maio, o MEC e o Ministério do Planejamento deram sinais, na semana passada, de que querem retomar as negociações.
Em um encontro ocorrido em 12 de junho, o governo sugeriu que a carreira dos docentes tenha como base a dos servidores da área de ciência e tecnologia e pediu trégua para trabalhar no projeto. A categoria rejeitou o pedido de suspensão da greve por 20 dias, mas uma nova reunião sobre o assunto está agendada para amanhã.
Adesão nem sempre é total
Alguns estudantes compartilharam com a reportagem como está a greve em seus cursos e o que têm feito com o tempo livre. Segundo o estudante de Economia da UFPR Pedro Américo Vieira, notícias sobre o movimento são compartilhadas com frequência entre os colegas de turma. A prática também é adotada por estudantes de outros cursos.
A estudante Ana Gabriela Leal, de Educação Física da UTFPR, conta que as aulas pararam parcialmente e tem usado os horários vagos para adiantar seu trabalho de conclusão de curso. A Faculdade de Direito da UFPR também não teve adesão total, mas, segundo o aluno Alcides Santos Neto, professores que mantiveram as aulas têm ajustado os horários para que os estudantes tenham aulas seguidas em um único dia, sem precisarem ir ao câmpus a semana inteira.
Já o estudante paraguaio Délis Sandoval, do curso de Letras da Universidade da Integração Latino-Americana (Unila), conta que tem aproveitado para se dedicar mais ao projeto de extensão do qual participa, sobre pesquisa e difusão da língua Guarani.
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