Quinta-feira, 23 de maio de 2013
- Londrina:Mario Tama/Getty Images/AFP
Manifestantes pedem liberdade de expressão na Times Square, em Nova York
Integrantes do grupo musical Pussy Riot estão presas em Moscou desde março, após uma manifestação contra Putin
Nadezhda Tolokonnikova, 22 anos, Maria Alekhina, 24, e Yekaterina Samutsevich, 30, estão presas desde março, após um protesto do grupo contra o então candidato à Presidência Vladimir Putin na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou.
EUA pedem para Rússia revisar condenação “desproporcional”
EFE
O governo dos Estados Unidospediu ontem que a Rússia revise a sentença “desproporcional” contra as integrantes do grupo punk Pussy Riot e destacou seu “impacto negativo” sobre a liberdade de expressão.
A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, solicitou que as autoridades russas “revisem” o caso e garantam que “o direito à liberdade de expressão esteja consagrado” no país.
A União Europeia (UE) também qualificou de “desproporcional” a condenação a dois anos de prisão imposta às integrantes do grupo Pussy Riot e reivindicou à Rússia que revise a sentença.
Maxim Shemetov/Reuters
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Nadezhda, Yekaterina e Maria Alekhina, integrantes da banda Pussy Riot, na prisão
“Virgem Maria, livrai-nos do Putin!
Virgem Maria, mãe de Deus, livrai-nos do Putin.
Livrai-nos do Putin, livrai-nos do Putin!”
Trecho de música de protesto do Pussy Riot.
No altar da igreja que é um dos símbolos da Rússia pós-soviética, quatro jovens com os rostos cobertos por balaclavas cantaram, em fevereiro, a música de protesto “Virgem Maria, Livrai-nos do Putin”.
“As ações das garotas foram um sacrilégio, uma blasfêmia e quebraram as regras da igreja”, disse a juíza, completando que elas ofenderam os fiéis ortodoxos russos.
Presas num cubo de vidro, as jovens riam constantemente durante as três horas em que a juíza proferia o veredito.
O procurador havia pedido três anos de sentença, enquanto o presidente Vladimir Putin, em visita a Londres ainda durante a Olimpíada, clamou por uma pena “leve”. Hoje, foi a vez de a Igreja Ortodoxa Russa demonstrar sinais de clemência.
“Pedimos que o Estado mostre clemência às pessoas condenadas pela lei, na esperança de que elas não irão cometer mais tais atos”, disse, em nota, antes da decisão.
Em todo o mundo, manifestantes protestaram, com máscaras, em apoio às integrantes do grupo. Governos de diversos países também saíram em defesa das jovens.
Já a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional pediu que as autoridades russas anulem a sentença e liberem as jovens.
Centenas de pessoas se reuniram do lado de fora do tribunal para protestar a favor das jovens. “Essa ação é contra a lei, é uma perseguição à juventude inteligente, progressiva e intelectual. Achar que elas precisam ser castigadas é fruto da propaganda da tevê de Putin”, disse a editora de livros Maria Arkhípova, 46 anos.
Pessoas carregando placas foram detidas e levadas em ônibus da polícia, entre elas o líder do movimento Frente de Esquerda, Serguêi Ualtsov, e o campeão de xadrez Garry Kasparov.
Grupo se inspira na vertente do punk proletário
Até março deste ano, quando três de suas integrantes foram presas, a banda Pussy Riot não era muito conhecida nem na própria Rússia. Hoje, é famosa em todo mundo e conseguiu unir, em protestos, artistas como Paul McCartney, Madonna, Bjork e Red Hot Chili Peppers.
O Pussy Riot não é só uma banda, mas um coletivo feminista, formado por cerca de 15 mulheres. Todas usam pseudônimos e escondem os rostos com máscaras coloridas. Além das integrantes da banda, há artistas plásticas e cenógrafas, responsáveis pelo visual do grupo e de seus eventos.
Musicalmente, o Pussy Riot se inspira no movimento “Oi!”, vertente mais alternativa e proletária do punk inglês, surgida no fim dos anos 70.
O som é, basicamente, punk rock, com guitarras distorcidas e letras cantadas como gritos de torcidas de futebol.
Outra inspiração é o movimento feminista-musical conhecido por “Riot Grrrl”, originado nos Estados Unidos nos anos 1990.