Quinta-feira, 23 de maio de 2013
- Londrina:Roberto Custódio/JL
No verão, aversão à luz aumenta; astigmatismo e olho seco são algumas das causas do desconforto
A maior incidência de queixas de sensibilidade à luz no verão é constatada nos consultórios médicos, como avalia o oftalmologista londrinense Robson Begalli. “No verão aumenta em 60% a 80% as reclamações sobre intolerância à luz. Não que as pessoas venham ao consultório somente pela queixa, mas acabam relatando durante a consulta”, avalia Begalli.
Óculos escuros saem do armário dos acessórios e entram no receituário médico contra a fotofobia. Na hora de escolher um modelo é importante levar em consideração os fatores de proteção contra raios ultravioletas.
“As pessoas que usam óculos de grau podem optar por lentes antirreflexo e fotocromática. As que não têm problemas de visão, mas apenas a fotofobia, a sugestão são os óculos de sol com proteção UVA e UVB”, orienta o oftalmologista Robson Begalli.
Os londrinenses ainda procuram óculos apenas para compor o visual. A gerente da Ótica Persona, Andréa Venancio, ressalta que muitas pessoas não sabem que podem colocar grau nos óculos de sol. “O brasileiro ainda não tem a cultura de associar óculos solar aos cuidados de saúde visual, mas algumas pessoas já começam a mudar esse conceito”, avalia Andréa, lembrando que óculos maiores, além de proteger os olhos, são proteção contra o envelhecimento da pele e aparecimento de rugas.
A gerente dá dicas para os que se preocupam também com a escolha dos óculos como acessório. Andréa diz que a tendência é dos óculos serem grandes e não é preciso mais que as sobrancelhas apareçam. “O que não pode é sobrar muito nas laterais do rosto. Os óculos não podem ultrapassar um dedo da face”, afirma.
A tecnologia a serviço da saúde dos olhos e das tendências em óculos de sol oferece lentes polarizadas que evitam reflexos, como os de estradas molhadas e superfícies de água. Ideais para os que frequentam piscinas ou gostam de pescar. Armações em materiais leves, como o titânio, acetato e troglomide garantem também mais conforto.
É o caso da crediarista Tatiane Carolina Alexandre Lelinski, 20 anos, que descobriu em uma avaliação médica que tinha fotofobia. “Há cinco anos, eu fiz exame porque tinha dificuldade de foco no olho esquerdo. Não conseguia focar uma imagem direito. Na consulta fiquei sabendo que era astigmatismo, que também causa fotofobia”, conta Tatiane.
Óculos escuros são boas companhias para todos os dias, mas em casos como da Tatiane a avaliação médica vai definir se haverá a necessidade do uso de óculos de grau, que corrige o astigmatismo, ou de tratamento, a exemplo da síndrome do olho seco, que também provoca fotofobia (v. texto abaixo).
Dieta ameniza
A dieta alimentar não faz diferença somente na balança, mas também pode ajudar a tratar a fotofobia, sintoma de olho seco. Entre os tratamentos para a doença, que também provoca aversão à luz, além de queimação e vermelhidão nos olhos, entre outros sintomas, a dieta do olho seco pode ser indicada pelo oftalmologista com a ajuda de nutricionista.
No verão, os casos de olho seco se agravam pela maior evaporação da lágrima, associada a outros fatores como poluição. A incidência da doença é de 37% em mulheres que fazem reposição hormonal, entre 45 e 55 anos. Apenas 15% dos homens na mesma faixa etária têm o problema. O tratamento pode ser feito com o uso de colírios lubrificantes, mas a dieta alimentar também ajuda a melhorar a qualidade da lágrima.
“O ômega3 presente na linhaça e peixes de água fria, como salmão, atum e também na sardinha pode ajudar a tratar o olho seco. Alimentos ricos em zinco, magnésio e vitaminas A e E também são indicados. Pode ainda haver a indicação de suplementos de ômega 3”, afirma a a nutricionista, especialista em Nutrição Clínica, Aline Menezes Tiburcio Roque, professora de Nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Ômega3 são ácidos graxos chamados de essenciais porque não podem ser sintetizados pelo organismo e devem ser consumidos sob a forma de gorduras. Entre os alimentos ricos em zinco e magnésio, Aline destaca as verduras de folhas escuras, como brócolis e couve. A vitamina A está presente em frutas, como a manga e mamão e a E no kiwi, nozes e peixe.
Sol desencadeia reação
O oftalmologista Robson Begalli explica que no verão as queixas de intolerância à luz aumentam porque os dias mais ensolarados desencadeiam a reação. Outros hábitos da estação quente do ano, como banhos de piscina, favorecem o aparecimento da conjuntivite, doença que pode ser infecciosa ou alérgica, provocando fotossensibilidade.
É mito que pessoas de olhos claros são mais sensíveis à luz. Begalli destaca outras causas da aversão além do astigmatismo e olho seco: “Lesões de córnea podem acontecer até no trabalho, como na construção civil e em pessoas que trabalham com solda. É comum apresentarem sintomas de fotofobias.”
Ele acrescenta que outras doenças, como a uveíte, uma inflamação intraocular, também pode provocar a fotofobia. Porém, sintomas de vermelhidão, olhos lacrimejantes e baixa acuidade visual são identificados com mais facilidade, mas na consulta o paciente acaba relatando sensibilidade à luz. “Hoje aumentou muito a fotofobia por causa do uso excessivo do computador.”
Pais e pediatras precisam estar atentos com a fotofobia em recém-nascidos, que pode ser sintoma de conjuntivite ou glaucoma congênito. “Os pediatras fazem essa avaliação e o próprio teste do olhinho ou do olho vermelho pode identificar várias doenças oculares, como o glaucoma congênito em que a recomendação é a cirurgia o quanto antes”, aponta Begalli.
A fotossensibilidade também pode ocorrer em pessoas que não têm nenhuma doença. A sensibilização acontece por causa do movimento natural de contração e dilatação da pupila, que em algumas pessoas é mais lento ou rápido em reagir à luz.