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Problemas na mandíbula podem ter reflexos em todo o corpo

Procedimentos odontológicos aliados ao tratamento fisioterápico podem oferecer resultados mais rápidos e positivos para disfunções nos movimentos da mandíbula

15/03/2010 | 00:00 Juliana Leite

Por mais simples que possa parecer, atos como falar e mastigar exigem mais do que uma simples abertura e fechamento da boca. Um sistema complexo de músculos, ligamentos, articulações, ossos e arcada dentária compõem a mandíbula e sua multifuncionalidade. A articulação temporomandibular (ATM) é a que permite estes movimentos, liga a mandíbula ao crânio e é responsável por movê-la para frente, para trás e para os lados. Qualquer problema que impeça o adequado funcionamento desta articulação é chamado de D-ATM.

Desgaste dos dentes, dor facial e na mastigação, dor de ouvido e de cabeça, capsulite (inflamação do tecido que envolve a articulação) e estalido são sintomas da D-ATM. Por este motivo, não são poucas as pessoas que procuram neurologistas, otorrinos e até psiquiatras. Somente após exames e diagnósticos é que chegam ao dentista para resolverem seu problema.

De acordo com José Roberto Pinto, especialista no assunto, a dor geralmente irradia-se para o ouvido e região do couro cabeludo “causando uma certa desorientação no paciente quanto ao profissional que deve recorrer”.

A combinação entre estresse e traumas emocionais gera tensão nos músculos faciais, provocando o aparecimento do “bruxismo”, conhecido como o ato de apertar e ranger os dentes. “Esta é hoje uma das condições mais comuns nas clínicas odontológicas”, comenta José Roberto. Conforme o professor Maurício Sella, especialista em reabilitação oral e prótese e dor orofacial, a D-ATM é reflexo de um estilo de vida atual. “O corre-corre do cotidiano causa muita tensão nas pessoas.”

Ele explica também que a má oclusão dos dentes, que não se fecham corretamente e fazem o osso da mandíbula se deslocar para compensar a mordida errada, também gera problemas na articulação. Depois de diagnosticada a existência da D-ATM os tratamentos variam de acordo com a necessidade de cada paciente. O ajuste por desgaste seletivo é aconselhado quando a diferença da mordida habitual para a correta não é muito grande. Segundo Sella, há também o tratamento ortodôntico, quando essa diferença é ainda maior. O uso de uma prótese de resina acrílica, que é encaixada na arcada dentária superior, tem a função de organizar essa diferença. “É necessário fazer ajustes, em média, a cada 20 dias até que haja uma coincidência da mordida com a articulação.”

Segundo o professor José Roberto Pinto o tratamento cirúrgico somente é indicado quando todas as terapias conservadoras falharem. “Para o paciente submetido ao tratamento cirúrgico, o ideal é que seu controle após a cirurgia seja realizado por uma equipe composta pelo cirurgião bucomaxilofacial, o dentista clínico e outros profissionais da área da saúde.”

Tratamento da D-ATM deve ter abordagem multidisciplinar

Quando o assunto é o tratamento da disfunção da articulação temporomandibular a fisioterapia ganha espaço como ferramenta integrante de uma abordagem multidisciplinar. A ação conjunta de dentistas e fisioterapeutas tem contribuído para que os sintomas da disfunção diminuam e, desta forma, acelerem a recuperação do paciente.

Segundo o fisioterapeuta Leonardo Debértolis, o tratamento ainda é pouco conhecido na região. “Alguns profissionais não sabem como lidar com esse tipo de caso e as pessoas acabam sem saber qual a origem de seu problema”, conta.

Através de exercícios intra-orais para o relaxamento e alongamento da musculatura, aos poucos o tratamento fisioterápico busca reposicionar a mandíbula ao crânio, minimizar a dor muscular, melhorar a amplitude de movimento, reduzir a inflamação e melhorar a postura do paciente.

De acordo com Debértolis, a postura correta é essencial para que o tratamento tenha bons resultados. Uma desordem temporomandibular pode ter seu fator descendente ou ascendente. O problema pode se refletir em outras partes do corpo, como em dores nos pés, joelhos e coluna, ou então, ser resultado de uma alteração corporal. “Nosso corpo tem um funcionamento complexo, consiste em um sistema de compensação. É preciso ver o paciente como um todo”, justifica.

O fisioterapeuta utiliza ainda o hiperbolóide, um aparelho pequeno feito de silicone usado em exercícios periódicos em busca do fortalecimento muscular. “O paciente pode treinar a movimentação”, conta.

Postura correta melhora problema

Após a orientação de um ortopedista, o professor de inglês Marcelo Nascimento iniciou um tratamento para a reeducação postural global (RPG). Há quase três anos, ele recebe o acompanhamento profissional e faz exercícios semanais para tratar das dores que sentia nas costas, nuca e em outras partes do corpo. “Posso dizer que a minha postura melhorou bastante”, conta.

Durante o período de tratamento, Nascimento descobriu que sofria de uma desordem temporomandibular. Como o corpo funciona como um sistema de compensação, os problemas na coluna refletiam em dor, apertamento dos músculos faciais e estalidos no ouvido, que aumentavam em épocas de avaliação e correção de provas.

Foi aí que, orientado por um cirurgião-dentista, começou o tratamento da D-ATM aliado à fisioterapia. “Eu não conhecia esse método antes, o que eu posso dizer é que tudo melhorou na minha vida, só tive benefícios”, revela.

Serviço:
José Roberto Pinto - (43) 3322-3582
Maurício Sella - (43) 3324-5959
Leonardo Debértolis - (43) 3329-9560

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