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Movimentos repetitivos podem ocasionar danos ao corpo

Hábitos simples do cotidiano, como cruzar as pernas, podem ser a origem das dores no corpo

31/08/2009 | 00:00 Luiz Bartelli / Especial para o JL

A prática de exercícios físicos sem supervisão e hábitos simples aliados a esforços repetitivos no cotidiano podem contribuir para quadros de incômodo muscular. Manter as pernas cruzadas por muito tempo, por exemplo, pode causar encurtamento muscular. A dor é um dos principais indicadores de que algo não funciona bem ou que o corpo pode ter atingido o seu limite em razão de um esforço físico. O uso de analgésicos e relaxantes musculares mascaram problemas que se não cuidados, podem comprometer seriamente o equilíbrio e o funcionamento corporal.

De acordo com o ortopedista José Antonio Rocco, antes de identificar o que causa a dor, o paciente deve ser questionado sobre vários hábitos, como episódios prévios de dor, situação ocupacional, social e psicológica do paciente. “Algumas vezes, apenas um vento frio pode causar um espasmo muscular e um torcicolo, por exemplo. Mas exercícios repetitivos e realizados de forma errada também podem causar danos graves e dores que são irradiadas para várias partes do corpo”, destaca o médico. Entre os principais distúrbios posturais estão a assimetria na altura dos ombros e da pelve, escoliose, cifose dorsal acentuada (corpo voltado para frente), hiperlordose lombar, abdômen flácido e costas planas.

Ainda segundo o ortopedista, a maioria das pessoas que apresentam dor muscular sofre com a chamada “Síndrome Miofascial”, caracterizada por dores musculares provenientes de movimentos repetitivos, má postura, estresse, traumatismos ou sobrecarga muscular. “Nem sempre a região que dói é a que apresenta algum problema. Uma lesão na panturrilha pode irradiar dor no calcanhar”, afirmou Rocco. “Muitas vezes sabemos o que causa a dor e ainda assim continuamos a causá-la. A pessoa sabe qual a posição ou o movimento que está sendo mal realizado.”

O tratamento pode ser feito com analgésicos, antidepressivos, injeções de xilocaína e, principalmente, sessões de fisioterapia e alongamento. “O ideal é procurar ajuda logo no início dos sintomas para que mais rápido ele seja corrigido”, destaca o fisioterapeuta Roger Senhorini que, entre as muitas possibilidades de tratamento, indica a Reeducação Postural Global (RPG), técnica de origem francesa que alonga o corpo por inteiro e promove a reeducação respiratória.

De acordo com Senhorini, o tratamento de problemas posturais deve ser multidisciplinar. “A prática de um exercício não supervisionado, por exemplo, pode intensificar um problema já pré-existente, mas que até a realização da atividade ainda não havia se revelado inteiramente”, afirmou. “Antes de se iniciar qualquer atividade física, o ideal é passar por uma avaliação postural completa. Assim, tratamos o que está descompensado primeiro para que o paciente possa desfrutar das atividades de forma completa e saudável.”


Atletas de final de semana devem ficar atentos

De acordo com o professor do departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Abdallah Achour Junior, os atletas de final de semana são mais propensos a desenvolverem problemas de saúde. Sem orientação, fazem exercícios intensos a ponto de provocarem pequenas lesões musculares, identificadas pela dor que surge nos dias seguintes à prática da atividade. “Com o passar do tempo ou em movimentos mais bruscos, estes atletas podem ter desvios posturais e até lesões mais graves, como hérnias de disco e problemas nas articulações. Além disso, eles sobrecarregam os sistemas musculares e cardíacos que precisariam de cargas moderadas e regulares”, destaca Abdallah, que é doutor em biodinâmica do movimento humano. “Se uma pessoa for participar de um programa de atividades físicas, ela deve fazer exame médico e ter orientação de um profissional para poder viver de uma forma ativa e saudável e realizar os exercícios físicos com segurança.”

O professor aponta ainda que como freqüentador ativo do Lago Igapó e do Zerão, percebe que muitas pessoas, sem orientação e com excesso de peso, se iniciam na corrida ao invés de optar pela caminhada. “As pessoas optam por isso com o anseio de perder peso rapidamente, mas é muito mais provável que antes de ocorrer a perda de gordura, elas comecem a sentir dor músculo-articular”, explica Abdallah Junior. “Muitas pessoas fazem caminhadas com caneleira como forma de sobrecarga, outras com halteres nas mãos e outras, com plásticos sob o agasalho, o qual causa somente desidratação. O problema não é o caminhar ou o correr, mas quem está caminhando e correndo, sobre quais circunstancias e condições.”


Distúrbios posturais têm início na
adolescência

De acordo com o fisioterapeuta Roger Senhorini, os principais problemas se desenvolvem durante a adolescência, geralmente provenientes do estirão de crescimento. “A escoliose é conhecida como doença do crescimento e, em alguns casos, é necessária intervenção cirúrgica”, afirma. “Como o tratamento sempre visa a frear a evolução de doenças, o ideal é começá-lo na adolescência para que o indivíduo chegue à idade adulta sem problemas relacionados à má postura.”


Medidas simples evitam dores nas costas

O médico ortopedista José Antonio Rocco destaca que medidas simples podem evitar dores nas costas. Abaixar para amarrar os sapatos, levantar peso com a coluna na posição do eixo do corpo, sem se dobrar para frente, colocar um banquinho sob um dos pés ao trabalhar em pé e levantar da cama com os dois pés apoiados, sem se curvar para a frente, são exemplos de hábitos que devem ser cultivados para manter a coluna em ordem.


Alongamentos só devem ser feitos com orientação

Algumas pessoas, ao se alongar, acabam fazendo mais força que alongamento, aponta o professor Abdallah Achour Junior. “Há pessoas que não são flexíveis, mas tentam a qualquer custo colocar a mão nas pontas dos pés. Muitas ainda pedem ajuda para outro empurrar sua coluna. Isso só sobrecarrega a parte mais móvel da coluna lombar, exatamente regiões que apresentam problemas de hérnias”, afirma Junior. “Não contra-indico exercício físico, mas sugiro que haja cautela e que sejam feitas adaptações para algumas pessoas, dependendo de seu estado físico.”

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