Quarta-feira, 22 de maio de 2013
- Londrina:Cenário este ano é mais enxuto que o de 2008, quando nove candidatos colocaram os seus nomes para o eleitorado
O cenário de 2012 é mais enxuto que o de 2008, quando nove candidatos colocaram os seus nomes para o eleitorado. A novidade é que com menos candidatos, todos os segmentos políticos estão representados e os “nanicos”, aqueles candidatos que representam pouco mais que uma vontade pessoal de participar da eleição, estão fora da disputa. Com isso, o uso de nanicos para a troca de acusações entre candidatos “grandes” é uma cena que não deve acontecer neste ano.
Isolado e em meio a denúncias de irregularidades contra a sua gestão, o prefeito Barbosa Neto (PDT) repete o discurso do ex-prefeito Antonio Belinati (PP) – seu aliado no terceiro turno de 2009 e hoje adversário – e acrescenta um componente religioso: “Estamos numa coligação cristã e a nossa aliança é com Deus e com o povo, essa é a nossa aliança. Nossa coligação é com o povo e abençoada por Deus”, disse o pedetista ontem pela manhã ao JL. “Não temos nenhum deputado, não temos nenhum senador, nenhum ministro, nem governador”, prosseguiu. Ensaiando o discurso da campanha, ele ironizou adversários, sem citar nomes. “Eu não sou filho, ou sobrinho, ou irmão de nenhuma figura política importante. Eu sou filho de Deus, filho de uma cabeleireira e estamos fazendo a nossa aliança com Deus e com o povo”, disparou.
Vice As últimas convenções ocorreram na manhã de sábado, mas as articulações e especulações políticas foram intensas e prosseguiram pelo sábado à tarde e pelo domingo o dia inteiro. Pela manhã, Alexandre Kireeff (PSD) chegou a ser cogitado como vice na chapa de Luiz Eduardo Cheida (PMDB), mas ele negou. “Não procede a informação, não tem nada a ver. Ontem [sábado] eu também fui vice do Barbosa. Essa candidatura não tem retorno, está consignada em ata”, declarou Kireeff. O candidato declarou que o vice da sua chapa só será divulgado hoje pela manhã. Kireeff também não informou se o PSD sairá com chapa “puro-sangue” ou se haverá coligação.
Cheida também não divulgou se havia alguma coligação firmada e nem o nome do seu vice. Pela manhã ele chegou a cogitar a convocação de uma entrevista coletiva, mas a imprensa não foi convocada. (F.S.)
Para quem passou pelas convenções e está de fato na disputa, mesmo com menos candidatos, todos os segmentos estão representados. “Eu acho que Londrina reproduz o cenário nacional. A legislação faculta a formação de partidos de maneira extremamente fácil e há uma biodiversidade enorme com relação a partidos e Londrina não é diferente”, avalia Cheida. Na avaliação do peemdebista, “há uma seleção natural no primeiro turno e esses partidos não chegam a atrapalhar [o debate eleitoral]”.
Venturini, do pequeno, mas ideológico, PSol, também avalia positivamente o cenário enxuto: “não tendo os nanicos sem ideologia que se prestam a ser escada, é um ponto positivo, isso limpa o debate, que pode ficar mais claro e na medida do possível ideológico”, avalia. “As TVs não podem alegar que é difícil fazer debate”, conclui Venturini, que diz acreditar que as opções postas à mesa “contemplam as forças políticas da cidade”.
Kireeff é partidário da ideia de que mais é menos. “Isso qualifica o debate”, analisa. Ele ressalta, porém, “mesmo num cenário com menos candidatos existe a possibilidade de polarização”, o que para Kireeff “empobrece o processo eleitoral”. O candidato do PSD diz acreditar que não haverá polarização no primeiro turno e que a votação será pulverizada nesse momento.
Márcia Lopes atribui o cenário enxuto a um “afunilamento anterior à eleição”. “Os partidos menores acabaram analisando as suas chances de ampliar ou não sua participação e foram fazendo as adesões aos partidos.”
Marcelo Belinati afirma que a quantidade de candidatos não influencia na qualidade do debate. “Eu costumo dizer que, democraticamente, quanto mais cabeças pensando, mais fácil encontrar o caminho correto das coisas”, diz o candidato, que não entende o cenário enxuto “como fato positivo”.
Barbosa Neto (PDT) acha que ainda não é possível avaliar se a quantidade de candidatos vai interferir. “Tem que esperar o comportamento. Eu vou mostrar o que fizemos e debater a cidade”, afirma o pedetista.