Celular furtado ‘avisa’ vítima com quem está

Dispositivo enviou fotos para computador sincronizado; álbum em rede social exibe imagens da pessoa que está usando o aparelho

02/07/2012 | 00:00 Bruna Komarchesqui

Quando teve o celular furtado em uma boate de Londrina, há cerca de duas semanas, Miguel (que prefere não ter o sobrenome revelado) não imaginava a repercussão que o caso teria nas redes sociais. Ao se dar conta de que o aparelho havia sumido, ele tentou entrar em contato com o ladrão e bloquear o equipamento, por meio de um aplicativo, mas não teve sucesso. Dois dias depois, curiosamente, Miguel percebeu que seus e-mails estavam sumindo da caixa de entrada. “Acho que talvez [o celular] tenha sido vendido para alguém, e o ‘gênio’ que apagou meus e-mails não sabia como trocar a conta. Então, ele apagou meus contatos também, porque tudo fica sincronizado com meu e-mail.”

Mesmo com a mudança de senha, as “manifestações” de quem estava com o celular não pararam. Graças ao sistema de compartilhamento, sincronizado ao tablet de Miguel, ele começou a receber todas as fotos feitas pela pessoa. Por dica de uma amiga, que leu a história de uma americana que passou pela mesma situação, o rapaz resolveu juntar as 26 fotografias do “ladrão” - feitas entre 16 e 20 de junho - e criar um álbum no Facebook, na tentativa de reaver o aparelho. A repercussão foi boa. O álbum “Fotos Tiradas com meu iPhone 4 Roubado” passou a ser compartilhado por amigos de amigos de Miguel e o caso se espalhou pela rede.

“Provavelmente ele não sabia que as fotos vinham para mim, porque eram todas dele mesmo, aquelas em que segura a câmera virada para você. Tinha fotos de uma moça, que imagino ser a namorada, e uma com um coelho de estimação. Não deu 10 minutos e um cara disse que o conhecia de vista, sabia quem era e tal. E disse que ia conseguir o contato dele para mim”, recorda. Disposto a dar uma “recompensa” pela devolução do aparelho, Miguel pretende tentar negociar amigavelmente a devolução do celular. “Vou tentar argumentar com ele que tenho nota fiscal, as fotos tiradas, BO e queixa na delegacia, para que ele me devolva [o celular]. Assim, retiro todas as queixas e apago as fotos no Facebook, que estão em modo privado por enquanto. Caso não dê certo, vou à delegacia novamente pedir orientação.”

Alerta
O delegado do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), de Curitiba, Demétrius Gonzaga de Oliveira, conta que a polícia tem atendido diversos casos em que aplicativos geolocalizadores são úteis para recuperar aparelhos como notebooks e smartphones. Apesar do ganho que as tecnologias sofisticadas proporcionam ao rastreamento de equipamentos roubados, ele alerta para o risco de a vítima tentar reaver o bem sem a ajuda da polícia. “Não importa se a pessoa comprou o celular do ladrão. Isso é receptação e é crime, artigo 180 do Código Penal. Mas é uma loucura ir atrás do bandido sozinho, a pessoa se arrisca a tomar um tiro.” Segundo Oliveira, já houve casos em que o bandido postou fotografias falsas com o aparelho roubado, para confundir a vítima. “Por isso, é importante procurar uma autoridade policial, deixar a recuperação do bem para a esfera da investigação policial.”

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