Terça-feira, 21 de maio de 2013
- Londrina:>> Diante da encruzilhada econômica mundial é bom relembrar Keynes, economista inglês que na década de 30 ajudou a resgatar a economia global do abismo. Algumas lições que ficaram: não existe equilíbrio automático, ou seja, os mercados não são autorreguláveis, mas imperfeitos e instáveis, sujeitos a um processo de concorrência desigual que elimina os mais frágeis e tende a concentrar poder em forma de oligopólios e monopólios. Assim, o Estado assume a imprescindível tarefa de regulador da atividade econômica, promotor do bem-comum e do equilíbrio de oportunidades, e em momentos de crise deve impulsionar a economia através do aumento do investimento público, garantindo o pleno emprego e o bem-estar social.
O Brasil após alguns anos de vigoroso crescimento vem diminuindo o ritmo da sua economia em decorrência da crise mundial e de problemas estruturais internos. O remédio aplicado para enfrentar o colapso global de 2008, apoiado em estímulos ao consumo via crédito e redução tributária, demonstrou-se bastante apropriado, porém tende a não apresentar a mesma eficiência no momento atual, já que o endividamento aumentou consideravelmente.
Diante desse contexto, Keynes propõe que o Estado dê ênfase ao investimento privado e público, de forma a impulsionar e acelerar a atividade econômica. O investimento brasileiro ainda é limitado, encontra-se próximo a 19% do PIB (sendo apenas 2,5% estatal) o que reduz o nosso desempenho potencial, já que para crescermos sustentavelmente na casa dos 5% ao ano, precisamos ter uma taxa de investimento próxima a 23% do PIB. Há que se considerar que em média, 1% de aumento no investimento em infraestrutura produz um crescimento na casa de 0,25% no PIB.
Economias bem sucedidas em termos de crescimento e equidade incorporaram progresso técnico e elevação da produtividade com a articulação estatal dos diversos agentes produtivos, laborais, educativos, de pesquisa e de financiamento, garantindo ganhos progressivos nos rendimentos dos trabalhadores, capazes de alavancar o mercado interno e melhorar a qualidade de vida de seus habitantes.
A população brasileira cresce 1,2% ao ano, se o PIB crescer apenas 2,5%, a renda per capita aumentará próximo a 1%, e só dobra a cada 70 anos. Por outro lado, se conseguirmos um crescimento econômico na casa dos 5%, a renda per capita aumentará 4%, dobrando a cada 17 anos, ficando próximos aos países desenvolvidos. Essa mudança de patamar é algo viável, considerando a redução das taxas de juros, câmbio mais ajustado, condição fiscal favorável, além dos recursos do pré-sal e possuirmos as maiores reservas cambiais da nossa história, quase US$ 300 bilhões, porém, precisa-se estimular o investimento e distribuir renda para aliar crescimento com desenvolvimento.
*Luís Miguel Luzio dos Santos é economista e professor do Departamento de Administração da UEL.