Sexta-feira, 24 de maio de 2013
- Londrina:Das 23 pessoas que morreram no estado em decorrência do vírus H1N1, 17 tinham problemas como diabete, doenças do coração e câncer
As mortes causadas por gripe A em 2012 no Paraná mostram que há um grupo de risco: pessoas que já estavam doentes antes da contaminação pelo vírus H1N1. Dos 23 óbitos, 17 foram associados ao que os médicos chamam de comorbidade – fator ou pré-disposição que colabora para o agravamento do estado de saúde. Doenças do coração e do sistema respiratório, diabete e câncer estão entre as comorbidades presentes nos casos de morte por gripe A.
Os dados da investigação que está sendo realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) sobre as 23 mortes apontam que não basta se vacinar ou tomar Tamiflu. Mesmo pessoas que receberam a vacina ou foram medicadas no prazo de 48 horas após o início dos sintomas (como indicam os médicos) acabaram morrendo.
Nem todos que tomam a vacina ficam imunes
Uma equipe formada por representantes de 19 instituições está avaliando os prontuários médicos de todos os mortos por gripe A no Paraná. A infectologista Rita Esmanhoto explica que é importante investigar os óbitos para poder traçar estratégias de prevenção. O superintendente da Secretaria Estadual de Saúde, Sezifredo Paz, conta que a comissão estadual de infectologia foi criada justamente com o objetivo de acompanhar os casos e propor sugestões.
Entre os contaminados que faleceram havia um paciente que tinha tomado a vacina. O superintendente salienta que nem todas as pessoas ficam imunes. Grupos que têm baixa imunidade tomam a vacina e mesmo assim contraem a doença. Em idosos, por exemplo, o índice de proteção é de 60% – ou seja, de cada dez que são vacinados, seis ficam realmente protegidos. Rita e Sezifredo salientam que, como a vacina e o remédio não são garantias de que a pessoa não terá complicações, é preciso reforçar as medidas de prevenção, como lavar sempre as mãos e evitar ambientes fechados.
Crianças entre 2 anos e 5 anos incompletos começarão a ser vacinadas contra a gripe na próxima segunda-feira, segundo a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba. As crianças deverão ser levadas às unidades básicas de saúde.
O perfil das mortes ocorridas em 2012 é bem diferente daquele que marcou a pandemia de 2009. Há três anos, crianças, adultos jovens e grávidas eram as vítimas mais frequentes. Agora, nenhuma grávida ou criança está entre os casos de óbito e cinco das 23 mortes são de pessoas com menos de 40 anos. Atualmente, a atenção está voltada para as comorbidades. Qualquer condição que reduza a resposta imunológica do corpo é um fator de risco. Até mesmo casos de depressão, em que o paciente está debilitado, de pessoas internadas e de deficientes mentais, que têm mais dificuldade de tomar os cuidados necessários.
Como resultado da investigação das mortes, a vacinação de pessoas com baixa imunidade em função de doenças está sendo intensificada. Cerca de 130 mil pessoas cadastradas em Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs) já receberam a dose. As secretarias municipais estariam avaliando, de acordo com a quantidade de vacinas disponíveis, a possibilidade de imunizar os doentes crônicos, como diabéticos e hipertensos.
A investigação das mortes também mostra a importância de buscar ajuda médica o mais rápido possível. Entre os pacientes que morreram, seis tomaram o medicamento Tamiflu até 48 horas após os primeiros sintomas.
Oito em cada dez mortos no Paraná tiveram febre, tosse e falta de ar. A dificuldade para respirar, aliás, é um sintoma que diferencia a gripe A de outras doenças mais comuns. Os demais sintomas são menos frequentes. Nem todos os pacientes que morreram tiveram febre, embora o sintoma tenha sido verificado em 19 casos. “A temperatura alta é um sinal do corpo. Mas se a imunidade já está ruim, o paciente não tem febre alta”, destaca a infectologista Rita Esmanhoto.
