Cidades

Criação de novas empresas em Londrina cai 14,5% no primeiro semestre

Dados da Junta Comercial do Paraná apontam uma redução no número de novos empreendimentos nos primeiros seis meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2011. Instabilidade política e indefinição do Plano Diretor podem ter motivado a queda

11/07/2012 | 12:50 Fábio Calsavara

O cenário de instabilidade política, o atraso na aprovação do Plano Diretor e a agora extinta Lei da Muralha, são apontados como os principais fatores da retração observada em Londrina quando o assunto é a criação de novos empreendimentos na cidade. A avaliação, feita por empresários ouvidos pelo JL, vem ao encontro dos números divulgados pela Junta Comercial do Paraná (Jucepar) nesta quarta-feira (11).

Segundo o balanço, o número de empresas criadas em Londrina no primeiro semestre de 2012 (1.619) foi 14,5% menor do que no mesmo período do ano passado. O maior crescimento percentual foi registrado pela Jucepar em Colorado, região Noroeste do Estado. Na cidade, o número de novas empresas subiu de 124 para 164, um aumento de 32,2%.

Números refletem crise mundial

Na avaliação do presidente da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), Ardisson Naim Akel, os números refletem a crise mundial. “Querendo ou não, a crise acaba afetando o Brasil. O Paraná ainda está bem, mas em todo o estado o número de novas empresas abertas no primeiro semestre de 2012 foi 6% menor do que no ano passado”, avaliou. Para Akel, 2011 foi um ano atípico. “Desde 2009, o estado registra uma média de 24 mil novas empresas instaladas. No ano passado, foram quase 26 mil novos empreendimentos. Houve sim uma redução, mas foi uma queda em relação a um ano muito bom no cenário estadual”, ponderou o presidente.

Os números que apontam a criação de novos empreendimentos vêm caindo em Londrina nos últimos quatro anos. Em compensação, a quantidade de empresas que fecharam as portas também caiu, de 664 para 565, uma redução de 14,9% em comparação ao primeiro semestre de 2011.

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte), Gerson Guariente, a recente derrubada da Lei da Muralha pode reverter essa situação. “Agora, com igualdade para a concorrência, com regras mais claras, nós vamos ter uma surpresa com a quantidade de investimentos que vão ser feitos na cidade”, comentou. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, concorda com a avaliação do presidente do Sinduscon. “Agora vamos passar por um novo tempo na cidade”, afirmou.

A indefinição no Plano Diretor acaba afastando os empreendedores, na opinião do presidente do Siduscon. “Existe um número muito grande de projetos que estão parados, já que não há clareza nem definição sobre essas informações. Londrina se tornou um ambiente inóspito para o empreendedor”, falou Guariente. Para o presidente da Acil, essa instabilidade afeta negativamente o cenário industrial na cidade. “Existem empresários que receberam terrenos doados pela Prefeitura, investiram em projetos de adequação, mas não sabem se vão poder se instalar ou não”, declarou Balan.

Para Gerson Guariente, o atual cenário também pode ser interpretado de outra forma. “Esses números [da Jucepar] precisam ser avaliados em conjunto com outros dados, como os indicadores de emprego, por exemplo. Mesmo com a diminuição no número de novas empresas, houve uma alta no número de contratações na cidade. Isso mostra que quem já está estabelecido, está se solidificando no mercado”, avaliou o presidente do Sinduscon.

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