Cidades

Guarda municipal armado é baleado durante trabalho paralelo

Servidores da corporação podem ter segundo emprego, mas não podem andar armados, informou o diretor

26/03/2012 | 10:02 Daniel Costa

Diferentemente de outras forças de segurança, o estatuto da Guarda Municipal de Londrina não impede que os oficiais tenham um segundo emprego, mas impede que andem armados, conforme afirmou o diretor Rafael Sampaio, na manhã desta segunda-feira (26). A regularidade da dupla jornada, porém, foi levantada pela reportagem depois que um servidor que realizava uma atividade paralela armado foi baleado em um assalto em Cambé, no sábado (24).

Sampaio explicou que, segundo o regulamento que rege a corporação, os guardas municipais podem inclusive ter empregos formais, com carteira assinada, desde que não interfira na escala de trabalho na Guarda Municipal”, afirmou. Em nenhum dos empregos, porém, os guardas podem portar armas. O caso de sábado, porém, mostra que o regimento não é sempre cumprido.

Na ocorrência registrada no fim de semana, um guarda municipal de folga e armado foi baleado na perna em Cambé. Ele, que tem 35 anos, foi ferido durante um assalto, enquanto realizava um serviço particular. Ele foi encaminhado para o hospital e já recebeu alta. Esse é o quarto caso de guardas municipais flagrados armados, mesmo não podendo portar armas.

Segundo a Polícia Militar (PM), o guarda municipal relatou que fazia o recolhimento do dinheiro da venda de um título de capitalização em um bar, no Jardim Bandeirantes, quando dois homens em uma motocicleta deram voz de assalto e o obrigaram a deitar no chão.

Desconfiados de que o guarda era um policial, os ladrões fizeram uma revista nele, quando encontraram a pistola calibre 380, que também foi roubada. Antes de fugirem, os dois homens atiraram três vezes contra o guarda, sendo que apenas o acertou, na altura da perna.

Questionado sobre o posicionamento da Guarda neste caso, o diretor Rafael Sampaio informou que estava proibido de se pronunciar por determinação do secretário de Defesa Social, Jefferson Dias Chaves. O secretário só falará sobre o caso depois de ter acesso ao boletim de ocorrência.

Quarto caso

A ocorrência de sábado é a quarta envolvendo guardas municipais de Londrina armados, mesmo com a proibição do porte de revólveres e pistolas. Em 2011, três guardas foram presos por porte ilegal de arma no Município. Em dezembro, um servidor municipal foi preso durante uma fiscalização da PM na zona leste da cidade. Os outros dois casos foram registrados em abril e maio.

Na primeira ocorrência, um guarda municipal atirou sem querer na própria perna no Pronto Atendimento Municipal (PAM). Na segunda, uma denúncia anônima levou os policiais a prenderem outro guarda, desta vez de folga, com uma pistola 380.

Porte não é permitido

Os guardas municipais ainda não têm permissão para andares armados. Depois de romper o convênio com a Prefeitura de Londrina para a realização das aulas de tiro para a Guarda Municipal, a PM informou na sexta-feira (23) que poderá ministrar o treinamento. No entanto, algumas condições foram impostas pela corporação.

Na nota à imprensa, a PM ressaltou que para reativar o convênio será necessário: a realização de avaliação objetiva das disciplinas já ministradas; a conclusão das disciplinas interrompidas e a efetivação daquelas ainda não iniciadas, de acordo com a grade curricular do curso; o compromisso formal de que o curso de tiro somente será realizado pelos guardas municipais que forem aprovados nas condições dos itens anteriores; o compromisso de que somente portarão armas em serviço, com a devida certificação da PM; a definição objetiva quanto ao pagamento dos instrutores militares; e o estabelecimento de contrapartida da prefeitura visando à revitalização do stand de tiro da PM de Londrina.

O prefeito Barbosa Neto avaliou como positivo o novo posicionamento da PM, mas afirmou que alguns itens devem ser discutidos em reunião na próxima semana. “Concordei com tudo o que tinha no documento, mas o secretário [de Defesa Social] acredita que ainda há alguns pontos a vencer. Da nossa parte está tudo sanado e teremos uma reunião para que esses pontos sejam esclarecidos e a guarda receba o treinamento da PM. Os problemas que existiram não me competem trazer de novo à tona. O mais importante é que o curso de tiro seja ministrado e para não haver mais desgastes a própria PM pode fazer esse curso se cumprirmos os itens dentro do documento”, ressaltou.

Ao receber a nota à imprensa, distribuída durante a entrega do Cadeião pelo governo do estado ao Município, o secretário de Defesa Social, Jefferson Dias Chaves, desdenhou das propostas da PM, dizendo que iria “chamar gente de fora para dar esse curso”.

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