Cidades

Salário dos pediatras de Londrina é o menor da Região Metropolitana

Prefeitura propõe remuneração inicial de R$ 2.805,98; Sociedade Brasileira de Pediatria defende salário de R$ 8 mil. Cidades menores, como Ibiporã, Cambé, e Rolândia, remuneram melhor os especialistas no atendimento à criança

20/11/2010 | 17:00 | atualizado em 22/11/2010 às 09:56Daniel Costa

Qual deve o salário de um médico pediatra? A resposta para esse questionamento tem colocado em rota de colisão a Secretaria Municipal de Saúde e os profissionais dessa especialidade. Enquanto para o Município o trabalho de um pediatra vale R$ 2.805,98 (iniciantes no serviço público) para a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) os vencimentos deveriam ser de R$ 8 mil para uma jornada de 20 horas semanais. O valor considerado “indigno” pela classe tem, segundo a SBP, levado os pediatras a se afastarem das unidades básicas de saúde e, o mais preocupante, estimulado a procura de emprego em outras cidades da região. Levantamento feito pelo JL em sete das 11 cidades da Região Metropolitana apontou que Londrina é quem oferece o menor salário para os pediatras.

Cidades menores, como Ibiporã (R$ 3.771,00), Cambé (R$ 3.900,00), Rolândia (R$ 5.304,00) e Alvorada do Sul (R$ 6 mil), remuneram melhor os especialistas que fazem o atendimento básico infantil. O salário mais alto encontrado pela reportagem foi em Sertanópolis, onde o profissional recebe R$ 12 mil da prefeitura, para uma jornada de 40 horas semanais.

Salários pagos para os pediatras em cidades da Região Metropolitana

Londrina R$ 2.805,98 – salário inicial + insalubridade para carga horária de 20 horas semanais

Cambé R$ 3.900,00 – salário inicial + insalubridade para carga horária de 20 horas semanais

R$ 5.500,00 - salário inicial + insalubridade para carga horária de 30 horas semanais

Ibiporã R$ 3.771,00 – salário inicial + insalubridade para carga horária de 20 horas semanais

Rolândia R$ 5.304,00 – salário inicial + insalubridade para carga horária de 20 horas semanais

Sertanópolis R$ 12 mil – para carga horária de 40 horas semanais. Segundo o secretário de Saúde, Ilto de Souza, a remuneração foi possível com a realização de uma licitação para a contratação de um médico pediatra.

Souza informou que essa foi a medida encontrada para preencher o cargo que estava vago até o final de 2008, quando o salário era de R$ 6 mil por 20 horas semanais.

Alvorada do Sul R$ 6.030,55 – salário inicial + insalubridade para carga horária de 40 horas semanais

Jataizinho R$ 3 mil – salário inicial para uma carga horária de 20 horas semanais. A única vaga ainda não foi preenchida.

Tamarana Na segunda-feira (22), a secretária de Saúde, Adriana Soares, entrou em contato com o JL para retificar a informação repassada pelo setor de Recursos Humanos da Prefeitura de que a cidade não teria pediatra. Segundo ela, Tamarana conta com um profissional clínico com carga horária de 20 horas e salário de R$ 4 mil.

A falta de médicos tem sido uma constante nos postos de saúde de Londrina, o que tem provocado a revolta da população. Um exemplo, foi a manifestação no final do mês de outubro de moradores do Jardim União da Vitória, zona sul, pedindo pediatras para a UBS. Para o diretor da Sociedade Brasileira de Pediatria, Milton Macedo de Jesus, esse caso tem que ser avaliado como reivindicação de um item que está descrito na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que não está sendo cumprindo pela administração. “Eles têm o direito legal de ter o atendimento pediátrico”, afirma.

“Número suficiente”

O diretor da Sociedade Brasileira ressalta que a “justificativa”, apresentada pela atual administração para o problema da falta de profissionais no mercado de Londrina é incorreta. Macedo diz que o número de pediatras na cidade “ainda” é suficiente para atender a demanda. “O que está faltando é pediatra que aceite receber uma remuneração indigna. Não estão faltando profissionais para atender no particular ou plano de saúde. Aviltamento dos salários os pediatras não aceitam mais. Os últimos concursos tiveram interessados, pelo menos 15, mas ninguém quis assumir pela baixa remuneração.”

Para o promotor de Defesa da Saúde, Paulo Tavares, o argumento do secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, para a falta de profissionais “é muito simplista”. Ele afirma que conseguir médicos para atender nas unidades básicas não é “uma dificuldade absoluta”, mas que acaba sendo agravada pela baixa remuneração.

Tavares revela que uma auditoria do Departamento Nacional de Auditorias do Ministério da Saúde (Denasus) de 2009 identifica a baixa remuneração. Segundo o promotor, o relatório cita que “a carência de recursos humanos em algumas unidades de saúde, principalmente profissionais médicos, é de solução mais complexa e que envolve questões de mercado, pois a remuneração oferecida pelo sistema público é pouco atraente e dificulta a permanência do profissional na unidade”. “A falta de profissionais no mercado não é uma questão crucial e preponderante que nós temos observado e, sim, a baixa remuneração que faz os profissionais não terem interesse em ingressarem no sistema”, afirma.

Medidas sem eficácia

O promotor de Defesa da Saúde Paulo Tavares diz que o Ministério Público tem acompanhado de perto o problema e questionado o Município sobre quais serão as soluções para o problema. Para ele, todas as medidas que Londrina vem adotando não estão sendo suficientes para atender a demanda, cada vez mais crescente.

Tavares também criticou a postura do gestor municipal que diz que na falta de profissionais nas unidades básicas de saúde os pais devem levar os filhos para o Pronto Atendimento Infantil (PAI). “Primeiro tem a questão da locomoção, que não é tão fácil assim. O Município não pode falar simplesmente para levar as crianças para a área central. Os usuários do SUS são pessoas humildes que têm dificuldade até em transportar os filhos. Nós temos que valorizar as unidades básicas, que são a porta de entrada para o SUS. Você não pode obrigar as famílias a levar as crianças para o PAI.”

Para o diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria, Milton Macedo de Jesus, se o Município não reajustar os valores dos salários, equiparando os ao que são praticados no sistema particular, “pode fazer quantos concursos quiser, mas a situação não melhorará”. “Remuneração indigna desestimula o trabalho desses profissionais. Não queremos nada de exagero, queremos apenas o que é justo.”

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