Cidades

Crise na Apae de Londrina

Falta de transparência, atraso dos salários e má administração dos recursos são os principais motivos de insatisfação de pais e funcionários

23/10/2010 | 18:00 Amanda de Santa

Falta de transparência na prestação de contas, escassez de materiais para a escola e setor clínico, salários atrasados são os principais fatores que desencadearam uma crise na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Londrina. Professores e funcionários contam que o problema começou há cerca de três anos quando Rosangela Martins assumiu a presidência da entidade.

“Desde então não temos informações sobre a receita mensal ou resultado de promoções”, disse uma das funcionárias do setor clínico da Apae, a fonoaudióloga, Ana Carla Sitta. Ela explicou que na administração anterior, os números eram divulgados em edital e ficavam disponíveis para acesso tanto dos funcionários quanto dos pais dos alunos.

Prestação de contas

A presidente, Rosângela Martins, não confirmou a falta de transparência com as contas da entidade durante sua gestão. “A administração é aberta para qualquer pessoa”, garantiu. Ela afirmou que vai divulgar todas as informações, dos últimos três anos, para pais e funcionários assim que deixar o cargo no final deste ano. “Fui orientada que poderia fazer isso”. Rosângela disse que não pretende disputar a reeleição para a presidência.

A mãe de um aluno, que não quis se identificar, disse que os pais querem a realização de uma auditoria nas contas da entidade. “Queremos que ela deixe o cargo. Não estamos levando para o lado pessoal, mas profissional e ético”, garantiu. Na sexta-feira (22) à noite, pais, funcionários e presidente participaram de uma reunião de prestação de contas.

Federação diz que não fará auditoria

O conselheiro administrativo da Federação das Apaes do Estado do Paraná, na região de Londrina, Antonio Ramos Zanin, afirmou que já está tomando providências em relação à crise na entidade. “O problema é que a receita é menor que as despesas”, disse. Zanin descartou a possibilidade de fazer uma auditoria nas contas da Apae. Ele informou que o SUS atrasou o repasse da verba apenas este mês. Segundo o conselheiro, o objetivo agora é a formação de uma nova diretoria. “Dia 20 de novembro teremos eleição”, apontou. Enquanto isso, o problema continuará sem solução.

A fonoaudióloga é contratada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que repassa uma verba mensal à entidade. Mesmo assim, o salário dela e de vários funcionários são pagos com atraso há vários meses. “Dia 13 de outubro recebemos a terceira parcela do salário referente a agosto. O pagamento sempre vem atrasado ou parcelado”, contou. Segundo Ana Carla, a equipe técnica, formada por psicólogo, fisioterapeuta, assistente social, terapeuta ocupacional, pedagoga e fonoaudióloga, recebe por procedimentos realizados. “É uma verba garantida”.

Uma professora da escola, que não quis se identificar, disse que nem o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) está sendo depositado. “Tem funcionário que não recebeu nem as férias”, apontou. Ela contou que faltam materiais para os alunos e os professores tem que comprar com o próprio dinheiro. Pais e funcionários reclamam também de nepotismo – favorecimento de parentes em cargos na entidade. Segundo eles, filho, irmã e amigos da presidente passaram a trabalhar na escola desde que ela assumiu o cargo.

A presidente da Apae de Londrina, Rosângela Martins, afirmou que as verbas recebidas pela entidade chegam com atraso todo mês. “No mês passado, mandaram dia 26 e este mês chegou no dia 21”, justificou. Ela explicou que a folha de pagamento está “inchada” e os salários são pagos de forma parcelada por conta dos atrasos nos repasses. Segundo ela, devido ao grande número de crianças, a escola tinha demanda de contratação. De acordo com a presidente, as verbas da entidade filantrópica vêm do SUS, Prefeitura de Londrina e Secretaria de Estado da Educação (SEED).

Rosangela confirmou a falta de alguns materiais na escola, mas ressaltou que não faltam alimentos nem produtos de limpeza. “A situação está no limite”, definiu. A presidente também confirmou a contratação de parentes. “Qual entidade não tem parente do presidente?”, questionou. Ela disse que não considera isso normal, mas “acontece”. Rosangela contou ter um filho especial e disse que não tinha experiência administrativa antes de assumir o cargo. “Não tive apoio da diretoria. Fiz tudo sozinha com muito amor e carinho”. A reportagem não conseguiu localizar ninguém da diretoria para comentar o assunto.

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