Escolas melhoram nota no Ideb com estímulo à autoestima e investimentos

Um dos exemplos é o da Escola Estadual Behair Edna Mendonça, cuja melhoria da nota foi de 72% nos últimos anos, ao dedicar mais atenção aos alunos

21/08/2012 | 11:28 Erika Pelegrino

Foco na autoestima do aluno, investimento em aulas prazerosas e professores experientes. Estes são ingredientes que fizeram com que escolas como a Moacyr Camargo Martins, Olavo G. Ferreira Silva e Behair Edna Mendonça tivessem bons resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011 em Londrina.

A Escola Municipal Moacyr Camargo Martins, na zona norte, atingiu a segunda melhor nota no Ideb 2011 entre as instituições da rede municipal: 7,3. Manteve praticamente a mesma nota do Ideb 2009, que foi 7,2. Entre 2005 e 2011, a escola apresentou crescimento de 138% no desempenho do índice. O segredo: professores experientes. “Temos uma equipe empenhada. Não temos rotatividade. Nosso professor mais novo está há 15 anos aqui”, afirma a diretora Regina Maria Matos Pierotti.

Escola centrou na autoestima do aluno

Na Escola Estadual Behair Edna Mendonça o foco tem sido a autoestima do aluno. E os resultados apareceram. Depois de três edições do Ideb com notas variando entre 2,4 e 2,9, a escola atingiu 4,3 e apresentou a maioria variação positiva entre todas as escolas públicas: 72%.

“Trabalhamos muito a autoestima do aluno em sala de aula, dialogando e mostrando que eles são capazes de melhorar seu desempenho, ressaltando os pontos nos quais se saem melhor”, afirma o diretor Paulo de Albuquerque.

Segundo ele, a escola passou também a escutar o aluno sobre os pontos que precisam ser melhorados. Com isso conseguiram conter o problema da evasão escolar, concentrada principalmente no ensino fundamental noturno. ”Tínhamos em média 150 alunos que abandonavam a escola por ano. Reduzimos para mais de 50%.”

Paralelamente, os conteúdos de português e matemática, exigidos na Prova Brasil, também foram trabalhados de forma mais intensiva pelos professores das disciplinas específicas. Os docentes de outras disciplinas também passaram a trabalhar leitura e interpretação.

Segundo ela, manter um quadro constante de professores é essencial para dar continuidade aos trabalhos com o aluno e obter melhores resultados. “Além disso, nossos professores têm os dois padrões na escola [o professor trabalha exclusivamente naquela escola]. Então, aquele que atende o aluno de manhã no primeiro ano vai atender depois o mesmo aluno à tarde no terceiro[ano], por exemplo”, explica. “Isso é muito bom porque este professor conhece a criança.”

Além de terem mais de uma década de experiência em sala de aula, os professores, segundo a diretora, possuem especialização em psicopedagogia, psicomotricidade, entre outras. Esta bagagem pode fazer toda a diferença em momentos de turbulência como os vividos entre 2009 e 2011 com várias mudanças na secretaria de Educação. “Sabemos o que fazer em sala de aula. Temos a proposta pedagógica da escola e a seguimos. Independentemente do que acontece na secretaria de Educação, não perdemos nosso foco: a aprendizagem do aluno”, conta a professora Mariazinha MourãoMoacyr Martins.

Já a Escola Estadual Olavo G. Ferreira Silva, que atende crianças tanto do primeiro ano ao quinto ano quanto do sexto ano ao nono ano vive uma realidade diferente. Não conseguiu atingir a meta estabelecida para ela pelo MEC: 4.3. Mas obteve um bom resultado: melhorou em 30% sua nota entre 2009 e 2011, passando de 3.0 para 3.9.

A escola foi incluída no programa Escola Superação do governo federal, voltado para as que têm baixo desempenho no Ideb e recebeu aporte financeiro. “Tomamos de fato esse compromisso”, conta a diretora Judithe Santana Palazzo. Os recursos foram utilizados, em parte, na compra de equipamentos, como datashow, e vários jogos para a aprendizagem lúdica. Somam-se a isso os projetos de grafitagem e de atletismo. “Estes projetos contribuem para fazer com que o aluno goste da escola.”



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