Daniel Castellano, enviado especial/ Gazeta do Povo

Daniel Castellano, enviado especial/ Gazeta do Povo / “Atleta” arremessa seu caroço de azeitona em busca do título em Londres “Atleta” arremessa seu caroço de azeitona em busca do título em Londres

‘Arremesso de caroço’ entra na agenda de eventos londrina

Em meio aos Jogos Olímpicos, capital inglesa sediou o campeonato de arremesso de caroço de azeitona. Veja como foi a disputa inusitada

30/07/2012 | 08:29 André Pugliesi, enviado especial

Gastos com segurança: zero. Investimento na construção de instalações esportivas: nenhum. Dinheiro empregado em tecnologia para as transmissões: nada. E o que mais interessa, legado deixado pela competição: um bafo mediterrâneo.

Enquanto a Olimpíada vai embalando aos poucos, Londres recebeu um evento singular ontem à tarde. No bairro de Notting Hill, foi rea­lizado o campeonato de arremesso de caroço de azeitona.

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Daniel Castellano, enviado especial/ Gazeta do Povo / Medalhas levam símbolo dos Jogos Ampliar imagem

Medalhas levam símbolo dos Jogos

Qualquer um podia competir. Sem pré-olímpicos nem a necessidade de atingir índices. Participaram 51 pessoas de 10 países – gente da Gré­­cia, Argentina, Polônia, Hungria, Inglaterra, Itália e, especialmente, “atletas” da Espanha, país organizador. Nenhum brasileiro.

A grande cusparada, ou melhor, arremesso foi de Ri­­cardo Legidos. O madrilenho lançou o fruto a 13,15 m, marca que lhe valeu a medalha de ouro. “É uma emoção indescritível subir ao alto do pódio. Pena que não providenciaram o hino”, brinca o jornalista.

Com 10,37 m, o italiano Giu­­sep­­pe Valada explica a técnica para expulsar com força o aperitivo aos ares. “Primeiro, claro, você deve comer a azeitona, deixá-la o mais leve possível. Depois, prendê-la entre os dentes. Aí, inclinar o corpo para trás, lançar-se para frente e cuspir com tudo, soltando o ar”, diz o advogado e dublê de cozinheiro em Londres.

O recorde mundial é de 21,4 m. Feito que, consideran­­do os lançamentos de ontem à tarde, deve durar tanto quanto o tabu da seleção canarinho de futebol nos Jogos. “É complicado, mas quem sabe os brasileiros não conseguem daqui a quatro anos?”, sugere Antonio Salmerón.

O professor de inglês é um dos organizadores do torneio que promove a azeitona da região espanhola da Murcia e chuvas de perdigotos por onde desembarca. E, de acordo com ele, a competição estará na Olimpíada do Rio de Ja­­nei­­ro, em 2016. “Já fizemos em Pequim, em 2008, e foi um su­­cesso. E agora viemos para Londres apenas para isso. Espero que os brasileiros treinem bastante até lá”, diz.

No mês de agosto, será rea­­lizado o Mundial, sempre sediado em Bruxelas, na Bélgica. Uma tradição que remonta a 1995, quando o campeonato começou, inspirado por um embate australiano de arremesso de caroços de cereja.

* Piada olímpica

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