Brasil

Comissão da OAB vai acompanhar denúncia de tortura no caso Tayná

Três dos quatro suspeitos foram ouvidos nesta manhã pela Comissão de Direitos Humanos da OAB. Um dos acusados foi encaminhado ao hospital com sangramento

10/07/2013 | 18:03 | atualizado em 10/07/2013 às 20:31Raphael Marchiori e Eloá Cruz, especial para a Gazeta do Povo

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deve acompanhar as denúncias de tortura dos quatro suspeitos de terem assassinado a adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos. A advogada e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Isabel Kügler Mendes, ouviu na manhã desta quarta-feira (10) três dos quatro suspeitos que seguem presos na Casa de Custódia de Curitiba.

O único suspeito não ouvido pela vice-presidente da comissão foi Adriano Batista, de 23 anos. Ele foi encaminhado nesta manhã para o Complexo Penal Médico, em Piraquara, com sangramento intenso no ânus, ocasionado pela introdução de objeto perfurante no local, segundo Isabel Kügler Mendes.

"Se houve excessos, vamos punir", diz Richa

O governador do Paraná, Beto Richa, afirmou nesta quarta-feira (10) durante uma entrevista coletiva que tem acompanhado o caso da menina Tayná. Ele disse que se reuniu com o secretário de Segurança Pública do Estado, Cid Vasques, pela manhã cobrando explicações sobre o assunto.
“Estamos aguardando o desfecho do caso e, se houver erro, que seja corrigido”, afirmou Richa. O governador explicou que o estado não tolera o uso de tortura para obtenção de informações. “Se houve excessos, nós vamos punir com o rigor da lei. Haverá punições rigorosas”, reiterou.

Ela afirmou ainda que o advogado de defesa dos quatro acusados, Roberto Rolim de Moura Júnior, teve a entrada negada na Casa de Custódia e não pôde acompanhar os depoimentos dos presos. Os três suspeitos, Sérgio Amorin da Silva Filho, de 22 anos, Paulo Henrique Camargo Cunha, 25, e Ezequiel Batista, 22, relataram as sessões de tortura separadamente.

Segundo a vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, o caso é mais complicado do que se imaginava inicialmente. “É tão grave que a gente não tem condições de relatar”, declarou. A situação de Sérgio Amorin da Souza Filho, por exemplo, também chocou a advogada. De acordo com ela, o suspeito teve o braço ferido. “A algema estava tão apertada que chegou a pegar o osso”, explicou. Além do braço machucado, Sérgio também teve o tímpano perfurado, de acordo com Isabel.

O advogado da defesa, Roberto Rolim de Moura Júnior, disse que pretende solicitar a remoção de Adriano Batista para um hospital de referência. "Ele está com uma infecção generalizada por causa da perfuração no intestino", explicou o advogado. Os suspeitos devem passar por novos exames para averiguar a gravidade dos ferimentos ainda esta semana.

Investigações

Com tantas contradições que pairam sobre o caso, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) informou nesta quarta-feira (10) que o delegado Guilherme Rangel, titular do núcleo da região metropolitana da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), será o novo responsável pelo caso. Ele contará com acompanhamento de Rafael Viana, assessor civil da pasta. Rangel é o terceiro delegado nomeado para investigar o crime.

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