Brasil

Funcionário do James Bar será indiciado por lesão corporal gravíssima, diz delegado

Testemunhas disseram à polícia que o estudante foi agredido pelo funcionário e por isso ele teria caído

16/05/2012 | 13:01 | atualizado em 16/05/2012 às 13:59Fernanda Leitóles, Elisa Lopes e Fernanda Trisotto

Um funcionário do James Bar, em Curitiba, suspeito de ter agredido o estudante Guilherme Carvalho Koerich, de 18 anos, será indiciado por lesão corporal gravíssima. A informação foi divulgada pelo delegado Rogério Martin de Castro, titular do 3º Distrito Policial, nesta quarta-feira (16).

Testemunhas disseram à polícia que o rapaz foi agredido e por isso ele teria caído, segundo o delegado. O funcionário era responsável pelo controle da entrada e saída dos clientes do estabelecimento.

Assembleia cria comissão para discutir a atuação de profissionais de segurança

Após o suposto caso de agressão no James Bar, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) criou um grupo de trabalho que vai discutir a atuação de profissionais de segurança em casas noturnas do estado. A equipe vai atuar na prevenção e orientação de estabelecimentos comerciais da área para prevenir incidentes com o ocorrido no James.

Foi definido que o grupo vai criar uma cartilha de orientação, além de conversar com a Polícia Federal para cobrar mais fiscalização para os profissionais que atuam como seguranças. Uma audiência pública deve ser realizada em junho para apresentar os resultados do projeto.

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De acordo com Castro, não há base legal para pedir a prisão preventiva do funcionário do bar. “Ele se apresentou espontaneamente à polícia e não está coagindo testemunhas”, disse o delegado. O inquérito deve ser concluído em até 30 dias.

Guilherme passou por uma cirurgia no sábado (12) para amputar a perna esquerda por consequência da grave lesão que teve no membro inferior. Uma infecção obstruiu a artéria da perna e complicou o funcionamento dos rins. De acordo com o advogado da família, Edison Rangel Júnior, a junta médica da Clínica de Fraturas Novo Mundo, onde ele esteve internado, decidiu pelo procedimento para salvar a vida do rapaz. Se não fosse feito, ele poderia ter infecção generalizada. O rapaz teve alta na tarde de terça-feira (15).

O advogado do James Bar, Edward Carvalho, disse que o caso foi um acidente e que o jovem é o responsável pelo que houve. “Ele não pagou a comanda, cometeu um crime, saiu correndo, e o segurança cumpriu sua obrigação, ou seja, tentou impedi-lo, indo atrás. Os dois caíram e, infelizmente, ele sofreu esse acidente”, disse em entrevista à Gazeta do Povo no último domingo (13). Carvalho disse nesta quarta-feira que as investigações estão no início e que ainda é cedo para se manifestar sobre o caso.

James Bar não abre nesta quarta-feira por causa de manifestação

O James Bar não funcionará nesta quarta-feira (16). O motivo é uma manifestação de amigos do estudante Guilherme Carvalho Koerich. A direção do James divulgou um comunicado nesta manhã informando que não abrirá nesta quarta e que as atividades serão retomadas na quinta-feira (17).

De acordo com o comunicado do James, o estabelecimento não abrirá para evitar problemas desnecessários. “É com grande pesar que todos os funcionários deixam de trabalhar hoje [quarta-feira], contudo, faz-se necessário por respeito à manifestação. Por fim, os fatos estão sendo esclarecidos nos meios adequados, demonstrando-se a razão dos acontecimentos", informava o comunicado.

O ato pacífico está marcado para ocorrer na noite desta quarta-feira, às 21 horas, na Praça da Espanha. Inicialmente, a manifestação foi marcada para ocorrer na esquina da Avenida Vicente Machado com a Rua Coronel Dulcídio, no Centro da capital (nas proximidades do bar), masmudou de endereço por orientação da Polícia Militar.

O protesto organizado por meio das mídias sociais. De acordo com informações da página do ato no Facebook, 27,3 mil pessoas foram convidadas para a manifestação e 2,2 mil confirmaram presença até as 9 horas desta quarta. Os organizadores afirmaram que não se trata de uma manifestação contra um estabelecimento específico, mas sim um ato contra a violência.

Entenda o caso

O suposto espancamento teria ocorrido na madrugada de 6 de maio, após o jovem informar que não tinha dinheiro suficiente para quitar a conta do bar (R$ 60). Após sair do local sem pagar, ele teria sido perseguido por um segurança, que o alcançou.

A comissão de direitos humanos da subseção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) recebeu uma denúncia o caso.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, Rogério Martin de Castro, algumas testemunhas começaram a ser ouvidas na terça-feira, e pelo menos outras 18 devem depor ainda nesta semana. O advogado da família de Guilherme, Edson Rangel Júnior, disse que o rapaz reconheceu o funcionário envolvido no incidente quando ainda estava no hospital.

Uma equipe de profissionais da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) realizou na segunda-feira (14) uma perícia no estudante. Os exames foram feitos somente após a amputação, realizada em decorrência de uma séria infecção que obstruiu a artéria da perna e complicou o funcionamento dos rins. Segundo a Sesp, o resultado sairá em oito dias.

Histórico

O James Bar já foi condenado por um caso de violência ocorrido dentro do estabelecimento. Em 2011, a casa foi sentenciada pelo Tribunal de Justiça do Paraná a pagar R$ 10 mil de indenização para uma mulher agredida por outro cliente em 2005. Segundo a mulher, ela apanhou de um homem porque era homossexual e nenhum funcionário do bar tentou impedir a agressão. Além do James, o agressor também foi condenado a pagar o mesmo valor para a vítima.

O relator do processo, o desembargador Nilson Mizuta, justificou sua decisão argumentando que todo estabelecimento comercial, além de proporcionar os serviços de bar, música e entretenimento, tem a obrigação de oferecer um mínimo de segurança aos clientes. “A prevenção poderia e deveria ter ocorrido através da contratação de pessoal especializado e em número suficiente para conter os impulsos agressivos de terceiros”, disse o desembargador.

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