Brasil

Equipamentos de espionagem achados na Assembleia

Aparelhos de escuta foram encontrados durante varredura em salas de reunião. Polícia abrirá inquérito para apuração do caso

06/02/2011 | 00:18 Rogerio Waldrigues Galindo

Uma equipe privada de segurança encontrou na tarde deste sábado pelo menos três equipamentos de espionagem dentro da sede da Assembleia Legislativa do Paraná, no Centro Cívico de Curitiba. Es­­condidos acima das placas do forro, os equipamentos estavam em duas salas de reunião usadas pelo presidente do Legislativo e na sala da primeira-secretaria, órgão en­­carregado de fazer a administração da Casa.

Os aparelhos foram encontrados durante uma varredura iniciada na manhã do sábado. Peritos da Embrasil, empresa que já fazia parte da segurança da Assembleia na antiga gestão, fizeram o procedimento. A empresa ganhou novas funções depois que os se­­guranças que exerciam cargos em comissão foram demitidos e não recontratados pela nova presidência.

Segundo os técnicos, os equipamentos são caros e não são produzidos artesanalmente. Um deles, encontrado na sala em que o presidente da Assembleia tradicionalmente faz audiências reservadas com outros políticos, foi avaliado em pelo menos R$ 10 mil. Colocado acima do forro, o aparelho serviria para escuta do ambiente. Havia microfones de indução, que servem para amplificar o áudio.

Na sala seguinte, em que há uma longa mesa para reuniões formais, além de equipamento de escuta ambiente também foi achado um transmissor, que provavelmente enviava o áudio para algum lugar próximo, ainda não identificado pelos técnicos. Parte do material encontrado, segundo Antonio Carlos Walger, perito da Embrasil, é de origem israelense. Segundo ele, os equipamentos poderiam ser oeprados por controle remoto a até 100 metros de distância.

O novo presidente da Assem­­bleia, deputado estadual Valdir Ros­­soni (PSDB) e o primeiro-secretário, Plauto Miró (DEM), foram chamados para ver os material encontrado. “Agora comecei a ficar com medo”, disse Rossoni. Se­­gundo ele, o material provavelmente foi colocado nos últimos dias nas salas, já que não estavam cobertos de pó e que a massa usada para colar os fios nas placas do forro ainda estava nova.

Rossoni diz acreditar que os equipamentos foram colocados na Assembleia para monitorar os atos da nova gestão da Casa, que assumiu na terça-feira desta semana. Na avaliação do deputado, alguém que teria se sentido ameaçado pelas mudanças prometidas por ele poderia ser o responsável. Segundo Rossoni, a iniciativa de fazer a varredura foi recomendada pela polícia.

Ao tomar posse como presidente, Rossoni confrontou os antigos seguranças da Casa. Liderados pelo presidente do Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis), Edenilson Carlos Ferry, conhecido como Tôca, eles teriam feito ameaças ao novo presidente, exigindo a recontratação dos comissionados. Rossoni se recusou a fazer a recontratação. Tôca é suspeito de comandar um “po­­der paralelo” dentro da Assem­­bleia durante anos, tendo in­­clusive ingerência sobre contratações e demissões em vários setores do Legislativo.

Na madrugada de terça para quarta-feira, após sua eleição para a presidência, Rossoni usou a Polícia Militar, com aval do governador Beto Richa (PSDB), para ocupar todo o prédio da Assembleia e impedir que os seguranças entrassem novamente no local. Desde lá, seguranças privados de uma empresa terceirizada e policiais militares assumiram a função dos antigos seguranças.

“Já chamamos a criminalística que vai vir analisar todo esse material. Vai ser aberto um inquérito para apurar tudo isso”, afirmou Rossoni, dizendo que a investigação teria de ser externa, já que uma sindicância realizada pela própria Assembleia, neste caso, “não teria credibilidade”.

A varredura na Assembleia deve continuar pelos próximos dias. Até o momento, Walger, da Embrasil, afirma que não foram encontradas escutas telefônicas, embora ele diga ter percebido “diversas irregularidades” nas linhas da Casa. Segun­­do ele, isso pode indicar que alguns equipamentos poderiam ter sido retirados nos últimos dias.

No teto de uma das salas em que os equipamentos foram encontrados, havia também vários sinais gravados no reboco. Entre eles, três suásticas – o símbolo do regime na­­zista na Alemanha dos anos 1930 e 40 – e o que pode ser um mapa de onde estariam os outros equipamentos de escuta. Os técnicos ainda procuravam, no início da tarde deste sábado, o local para onde os sinais eram enviados.

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