Ambientalistas denunciam ameaças

28/04/2011 | 00:09 Diego Ribeiro

Um grupo de ambientalistas se reuniu ontem com o superintendente interino da Polícia Federal (PF) no Paraná, delegado Rosalvo Ferreira Franco, para que a instituição acompanhe toda a investigação da chacina de Piraquara, que vitimou cinco pessoas, na sexta-feira da semana passada. Entre as vítimas estava o ambientalista Jorge Grando, 53 anos. Até o começo da noite de ontem não havia novas informações sobre a autoria do crime. A PF informou que não vai atuar no caso, mas deve acompanhar as investigações.

Entre as preocupações do grupo estão represálias a grupos que combatem a depredação do meio ambiente e a possibilidade de a chacina ser um recado. Segundo a representante da ONG As­­sociação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária e conselheira do Conselho Nacional do Meio Ambiente, Zuleica Nyckz, há pelo menos quatro casos recentes de ameaças constantes contra ambientalistas no Paraná. “Não podemos voltar a essa época. Você tem uma voz que critica e alguém elimina essa voz”, afirma.

Os ambientalistas enviaram à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) um documento que informa uma série de ameaças a militantes de Curitiba e região. De acordo com o texto, uma militante de Araucária, que enfrenta a exploracão ilegal de areia, tem recebido ligações telefônicas intimidadoras. Além dela, um ambientalista de Curitiba foi ameaçado depois de apoiar a lei municipal que proibiu empresas de aluguel de cães de guarda. Outro caso é o de um morador de Almirante Tamandaré que denunciou a instalação ilegal de um aterro sanitário em Itaperuçu e foi perseguido pelas ruas da cidade.

Para o ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Não Renováveis (Ibama) José Álvaro Carneiro, a motivação da chacina de Piraquara pode estar relacionada com algumas preocupações de Grando. “Ele sabia de muita coisa”, afirma. Carneiro se refere a supostos casos de loteamentos com documentações questionáveis e licenciamentos duvidosos, além de exploração de areia e pedra irregulares que Grando teria descoberto. A Polícia Civil ainda não havia levantado essa hipótese até ontem.

O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que acompanhou os ambientalistas na PF, solicitou uma reunião com o secretário de Estado da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, para discutir a investigação.

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