Press Tensão

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A mesma coisa cem mil vezes dita...

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Reflexos de surpresa

21 de Maio de 2013 - 00:01 hscomente esta notícia

A ousadia premiada
Algo como um viver sem ensaio
Mas, não por isso, sem simplicidade ou refinamentos

[O que você faz para ser feliz?]

Uma gota de chuva numa pétala de margarida no jardim da velha casa
ou a gota suspensa na torneira da pia da cozinha e que teima em não se assumir gota

A gota d'água
Sua imagem refletida no espelho do banheiro

.

Nada disso pressupõe o ensaio.
São meros detalhes
cotidiano que nos premia
A ousadia do que é repentino, desprogramado, inesperado
surpreendentemente
raro

.

A ousadia premiada tem a voz do silêncio
Mas grita do outro lado
suplicando liberdade

[E sua imagem, no espelho, te reflete?]


O prego (ou A Lua fica ali bem perto)

19 de Maio de 2013 - 01:01 hscomente esta notícia

A cada batida do martelo, fechava o olho de um jeito apertado, espremido, contraindo-se como se fosse possível, também, fechar os ouvidos.

Aprendeu a trabalhar com madeira, pregos, martelo, formão, serrote, com o avô, carpinteiro, como José, só que Luigi. Descendente de italianos, Luigi veio ao Brasil depois de passar, primeiro, pela Argentina. Córdoba. De lá, veio para o interior de São Paulo. Até tentou a vida na capital. Foi aprendiz de sapateiro, engraxate, chegou a ser jardineiro, mas a função exigia um pouco mais de delicadeza, e a cidade não foi capaz de oferecer isso a ele. Então, arrumou as poucas coisas que tinha e se foi.

Migrou para o sul do estado, quase na divisa com o Paraná, numa cidadezinha que antes era só um distrito e que hoje nem sei como anda. Chegava-se lá numa estação. Nem sei se ainda existe. Faz tempo que não passamos por lá. Era época de café, e a região crescia, com construções de cidades inteiras. Tornou-se pedreiro, Luigi, por pouco tempo. Se firmou firmando pregos na madeira. Fixou-se carpinteiro, tal qual José, só que Luigi. E ensinava o neto. Sempre deixava que o pequeno brincasse com algum toco de madeira.

O pequeno, de não mais que 9 anos, gostava do resultado do trabalho. Madeira afixada em outra com pregos e, zapt!, uma cadeira. Uma mesa. Uma banqueta. E, ele, o pequeno, admirava, mas não tinha muita paciência. Desta maneira, sempre pregava um filete de madeira no outro, em cruz, e a imaginação já voava livre e dava conta de abafar as imperfeições e de dar o fino trato de qualquer acabamento. Estava fabricado um avião, solto a voar, com autonomia de voo de um multizilhão de horas, capaz de efetuar um voo com partida às 14h03 - cuidando para não atrasar, se não os passageiros brigam - saindo do Brasil, passando pela Bulgária, só para ver como as coisas andam por lá, seguindo para o Japão, desviando dos besouros, para, sem escala, alcançar a Lua, após virar à esquerda no limoeiro no quintal, com pouso programado às 14h10, no chão da garagem vazia, que dava para a porta da sala. Um avião potente, fabricado com dois pauzinhos e um prego. E só.

- Para de inventar maluquice, menino! Que Lua, o quê?! E levanta desse chão, que vai sujar toda a roupa que a Tia Darci deu. Já ela chega pro café, e você aí todo sujo? Vai já pra dentro. Vou contar até três: um, dois...

- Tá bom, tá bom! - levantava, resmungando com a avó que queria o neto limpo para dar um beijo na tia Darci, que sempre beijava a bochecha de um jeito gelado e molhado que ele detestava. Abandonando o avião no quintal, entrava. Num outro dia fabricaria outro capaz de fugir da tia Darci.

Aquele, jogado na área, era um turboélice (com hélices invisíveis, contra os marcianos que poderiam atrapalhar no trajeto até a Lua). Uma fantasia que sempre funcionou muito bem, até a vida lhe ensinar que seria impossível um avião fazer isso, até mesmo porque o caminho até a lua não passaria por aquele limoeiro.

A cada batida do martelo, tentava fechar ou ouvidos, como se orelhas também tivessem pálpebras e, assim, evitasse qualquer acidente. Algo como se faz, quando criança, quando se tem medo, à noite, por conta de algum barulho que não se identifica. E, se é barulho e não se pode entender de onde vem, claro que se trata de monstro, ladrão, bicho papão ou o véio do saco, que sempre passa na rua para recolher criancinhas. A cada martelada, fechar o olho livrava o mal de um acidente, assim como qualquer criança, à noite, para fugir, com maestria, de seus medos, esconde a cabeça embaixo da coberta. Não importam os pés de fora. Se não se vê nada, tampouco poderia ser visto. Fechar os olhos, logicamente, portanto, salva.

Toda martelada descia carregada de força. Dizia-se, por aí, que sem a força, nada seria construído. E que tudo fora disso, era bobagem. Era preciso apenas a força, o trabalho. E era preciso de apenas duas marteladas precisas para cada prego cumprisse seu papel e se enterrasse na madeira compacta, espessa, um monumento maciço preenchido da matéria. Como a vida. Aliás, a vida também se via pregada, sem movimento. Ao contrário do que se canta por aí, ela não seguia. A cada martelada, parava. E os olhos, fechados.

Um prego.

A cada batida da vida, deixou de fechar os olhos. De que adiantava, se a pancada seria inevitável e com toda a força? Ficava, mesmo, é de olhos bem abertos, já que não adiantava fugir de todo mal.

Acabou por fechar o peito. Percebeu que depois do limoeiro, à esquerda, nunca se chegaria à Lua, mesmo desviando de todos os besouros. Pilotar um turboélice como aquele também exigia um bocado de delicadeza. E, essa, a vida também não lhe ofereceu.

E foi assim que o menino cresceu. Afinal, não era isso que esperavam dele: amadurecimento? Depois disso, só restaria apodrecer. Que é o que acontece quando se fica parado, como um prego, sem virar à esquerda depois do limoeiro, para alcançar a Lua.

Ainda mais quando não se percebe que às vezes é só isso que nos resta. Alcançar a Lua. Ali, tão perto.


Futebol, de hoje até 2014

19 de Maio de 2013 - 00:01 hscomente esta notícia

Sábado
Estou em Brasília, mas foi pela TV que vi a inauguração do Estádio Nacional Mané Garrincha (os poucos ingressos colocados à venda se esgotaram rapidamente) com a decisão do Candangão - Campeonato do Distrito Federal - entre Brasília e Brasiliense.

O Jogo surpreendeu positivamente pela qualidade dos times, que tocavam bem a bola. Brasiliense, que só precisava de um empate, venceu o Brasília. O placar: 3 a 0, sem contar que um gol foi mal anulado - justo o que seria o primeiro do novo estádio.

Bocão, lateral que tinha feito este, que foi anulado, foi o mesmo, porém, que fez o primeiro gol - pra valer. O segundo foi de Washington, após ótimo passe de Romarinho (não o do Corinthians, mas o filho do Romário, esse mesmo). E o filho do baixinho ainda fez o terceiro, pra fechar a conta, no finalzinho da partida.

No próximo final de semana, será o segundo jogo no estádio. O último, antes da abertura da Copa das Confederações, com o jogo entre Brasil e Japão. O jogo do próximo final de semana será entre Santos e Flamengo, com o ingresso mais barato na exorbitantes R$ 160,00. Ou seja, também assistirei a este jogo pela TV.

Ainda sábado, também na TV
Em Campinas (SP), a Ponte Preta venceu a Penapolense - equipe adversária do Londrina na série D do Brasileirão série D - pela decisão do título do interior por 4 a 2.

O Londrina já venceu a Penapolense neste ano, em seu primeiro amistoso da temporada, por 2 a 0.

Mesmo assim, o time do interior paulista é um adversário duro para o Londrina, mesmo com desfalques entre este término de Campeonato Paulista e início de Série D. De toda forma, estas derrotas não refletem a força de um time que hoje está entre os melhores no estado de São Paulo.

Na série D, só se classificam dois times por grupo. O Londrina tem que ficar esperto com esta equipe. além de também abrir o olho contra o Lajeadense (RS), o Metropolitano (SC), o Jotinha (PR)...

Domingão
Domingo é dia de decisão do campeonato paulista. Dia desses, ouvi, como um insulto: "Londrina, no futebol, não fica no Paraná. Londrina é sul de São Paulo. Povo só torce pra times de São Paulo". No entanto, neste domingo, creio que será mais ou menos isso mesmo. Basta esperar pelos rojões e passeata na Higienópolis, seja lá qual foi o time campeão do estado vizinho.

Mas a média de público no Café no Campeonato Paranaense dá esperanças do resgate do torcedor londrinense, aquele que tem como seu time, o Londrina.

Quarta-feira
Por isso mesmo, independente da festa que se faça no final de semana, o que se espera é que na quarta-feira, o Estádio do Café seja colorido de azul e branco.

Mas tenho certeza, infelizmente, de que vários londrinenses trairão sua própria terra, vestindo uma camisa tricolor.

Faz parte. Por muito tempo Londrina deixou o futebol de lado.

Mas com a campanha no campeonato paranaense deste ano, o que se espera, sinceramente, é o contrário. Estádio do café lotado. E torcida azul-celeste espalhada por todo o Brasil, já que o jogo também será transmitido pela tv fechada. De Brasília (DF), ficarei ligado no Tubarão.

E depois
E então virão partidas de Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Libertadores da América, tudo isso com uma Copa das Confederações no meio. E, no final do ano, um Mundial Interclubes, seja lá entre quais times. Tudo isso, já na expectativa de uma Copa do Mundo. Sempre se respirou futebol no Brasil. Mas, de hoje até 2014, quem não curte ver a pelota rolar, terá que prender bem a respiração. Com Copas no Brasil e com o Londrina em subida declarada, a atmosfera é futebolística, como nunca se viu.


Um papo com Renato Chagas

18 de Maio de 2013 - 14:49 hscomente esta notícia

Divulgação

Divulgação / Renato Chagas, escritor de Santo Antônio da Platina que prepara o lançamento de Renato Chagas, escritor de Santo Antônio da Platina que prepara o lançamento de "21", seu novo romance

Renato Chagas é escritor e também é professor de educação física em Santo Antônio da Platina (PR), no norte pioneiro do estado. Ele é o letrista do hino da cidade de Santo Antônio da Platina, com o poema Cidade Jóia.. Chagas também publicou tiras em jornal chamada Gralha Azul.

Entre seus livros mais conhecidos estão O Quinto Set e A Montanha dos Lagartos de Ouro, para o público juvenil. Já o romance Os Degraus da Agonia é um dos preferidos do próprio autor.

Atualmente, Renato Chagas prepara seu próximo lançamento, o 21, previsto para o final do ano.

Confira o papo com o escritor:

O sr. é professor de educação física e também é escritor. O que veio primeiro em sua vida: a literatura ou o esporte?
Meio difícil responder, mas se histórias contadas são literatura, eu me lembro das histórias "terríveis" que uma senhora já nos seus setenta contava pra gente dormir quando meus pais saíam. A literatura veio primeiro. Mas escrevi poemas logo que fui alfabetizado. Tanto a educação física quanto a literatura são meandrados em minha vida.

Como foi seu início na literatura?
Eu escrevia contos curtíssimos. Um dia, um deles foi encompridando, encompridando e foi um sofrimento só. Eu tinha 20 anos e toda a 'metidez' dessa idade. Então, mostrei o texto para um amigo (na época eu estudava em São Paulo ) que era jornalista do Jornal da Tarde (que fazia parte do Estadão).
Ele leu e disse que era uma merda. Ele perguntou de onde eu havia tirado uma cidade de dentro de um domus na amazônia, índios paranormais, agentes russos e americanos se degladiando pelos índios... Fiquei puto e queimei o troço. Sei lá se hoje isso não agradaria...
Mas em compensação, ele praticamente me desasnou. Abriu a minha mente e então eu descobri Hemingway, Falkner, os russos, os franceses... Eu tinha lido muita coisa, já, claro. Muito Machado, Gracilano. E fui descrobrir A Coleira Cão, do Fonseca . E aí aprendi a escrever sobre o que eu vivi, presenciei. Pra mim, dá mais certo. Aí parti para um livro completamente diferente e tive editado Os Degraus da Agonia, coisa assim que aconteceu como acontece nos filmes sobre escritores. Recebi uma porrada de recusas e de repente veio um contrato. Os outros foram assim , também . O Quinto Set é meio misterioso: acabado o livro, editei por minha conta quinhentos exemplares e fui mandando... Aí veio um contrato da editora LÊ.

Além de escritor, o sr. é autor do hino de Santo Antônio da Platina. E também publicou tiras de jornal. No início deste ano, em janeiro, foi anunciado seu próximo livro, o 21. Como é essa transição de estilos? É natural?
Quando escrevo, eu nunca penso em livros juvenis. Escrevo coisa que qualquer jovem pode dizer que aquilo poderia ter acontecido com ele. Gosto de super heróis, mas não é minha praia e nem escrever sobre jovens de catorze anos enfrentando bandidões armados como nesses filmes que os americanos enviam aos magotes para nós. Esse livro, 21, considero adulto, porque os personagens são adultos com problemas de adultos, vidas de adultos.

Quando será lançado 21?
Acho que sai no fim do ano. Trata - se do seguinte: três amigos vão numa dessas festas do peão e se desentendem com os seguranças. Dão no pé, literalmente, pois para saírem da cidade - já que estão sendo perseguidos - resolvem voltar a pé por uma antiga estrada e no caminho um deles faz a propostas de cada um contar algo que nunca contou, algo que está roendo, algo que causa remorso. É noite, vão ter de andar vinte e um quilômetros e portando topam de contar. Paralelo a isso, vão topando com as mudanças na região: o café arrancado para dar lugar aos bois ou à cana, colônias inteiras, dezenas de casa abandonadas, os trabalhadores vindo para cidade e virando diaristas e os filhos e netos engrossando as favelas, enfim, em resumo é isso.

A internet ainda não existia quando o sr. começou a escrever seus livros. Atualmente, a internet tem algum peso em sua produção, seja em fase de pesquisas ou até mesmo com publicação?
Do jeito que eu escrevo, eu pouco ou quase nunca faço pesquisas. Mas a internet, ou melhor, o computador é ótimo para quem escreve. Sabe como eu datilografei o final do meu primeiro livro? Escrevi em folhas soltas todos os erros e mudanças. Depois cortei com uma tesoura e fui colando. Viva o computador!!!

Quais são suas manias literárias?
Tenho uma só , depois que termino , não leio mais ou vou querer mudar tudo, tirar ali, por acolá.

Qual livro seu o sr. indicaria?
O meu primeiro, Os Degraus da Agonia.

E de outros autores, qual indica?
Memória Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), Viva O Povo Brasileiro (João Ubaldo Ribeiro), A Coleira do Cão (Rubem Fonseca), Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez), O velho e o Mar (Erneste Hemingway), qualquer um de Simenon, Nuvens de Pássaros Brancos (Yasunari Kawabata), Guerra e Paz (Liev Tolstói), Germinal (Émile Zola), Os Nus e os Mortos (Norman Mailer), Aventuras de Huck Finn (Mark Twain) e tantos e tantos outros.

Qual temática, na sua visão, não cabe na literatura?
Não existe isso. Qualquer temática cabe na literatura .

Há circunstâncias ideais para escrever? E para ler?
Não. Tudo depende da concentração e de vontade.

Mas o sr. tem alguma rotina, como escritor?
Não tenho rotina. A coisa fica se aquecendo na cabeça e de repente vem. Aí, paro tudo e mando ver.

Há algo que incomode no meio literário?
As editoras em sua maioria só quer o que vem pronto, não se preocupam em lançar gente nova. E tem gente nova e boa. Mas estão se dando mal, os autores estão editando por conta própria e aumentando seu público, tanto no papel quanto na internet.

Algo que não perguntei e que o sr. gostaria de destacar?
Não. Acho que valeu. Só um conselho para quem quer ser escritor: escreva, escreva, escreva. Não importa se vai ser lido por dez ou por dezenas. Escreva, que só assim se aprende. Aprendi fazendo artes marciais chinesas, Tai Chi e Wing Chun, um negócio chamado Wu wei, que é o fazer deixando acontecer.


LEC contra São Paulo no Estádio do Café

18 de Maio de 2013 - 11:43 hscomente esta notícia

Gilberto Abelha/ Jornal de Londrina

Gilberto Abelha/ Jornal de Londrina / Germano comemora título do interior com a torcidaGermano comemora título do interior com a torcida

O Londrina Esporte Clube, de Neílson, Germano e cia., enfrentará o São Paulo, de Rogério Ceni, nesta quarta-feira, dia 22, às 19h15, no Estádio do Café. As informações são do site do canal de tv fechada ESPN Brasil, que transmitirá o jogo ao vivo em sua programação.

O amistoso será apenas na quarta-feira, mas os piadistas de plantão já soltam algumas pérolas, especulando que Rogério Ceni já deve chegar em Londrina neste domingo. Adiantado.

Piadinhas à parte...

O Londrina foi o campeão moral do campeonato paranaense 2013 - assim como a seleção brasileira, na copa de 82 - , com o título do interior, com 6 profissionais na seleção do campeonato, além da ótima defesa e da melhor campanha geral do campeonato. O LEC se prepara para o início da série D do campeonato brasileiro, no seu retorno ao calendário do futebol nacional. A estreia será contra o Lajeadense no Rio Grande do Sul.

Já o São Paulo vem de duas eliminações - na Libertadores para o Atlético-MG e no Paulistão para o Corinthians - e se prepara para o Campeonato Brasileiro. Sua estreia acontece no próximo dia 26 de maio, domingo, diante da Ponte Preta, em Campinas, no Estádio Moisés Lucarelli.

Ingressos a R$ 40 arquibancada e R$ 80 cadeiras numeradas. Postos de vendas são os mesmos do campeonato Paranaense.

Mais informações, clique aqui, para reportagem especial do JL.


Um plano

17 de Maio de 2013 - 17:33 hscomente esta notícia

Eu fiz um plano em alto relevo.
Eu te revelo
Como revelei aquelas nossas fotos
Antigas
Em plano americano
Já amareladas

Como também relevei aqueles fatos
Recentes
Vis
Nunca planejados.

Eu vou pela estrada...

É que eu tenho um plano de sair por aí
Planejei tudo em rabiscos indisciplinados
Tudo solto,
Jogado
No canto esquerdo de um caderno velho
Do tempo de escola

Já faz tanto tempo...

O que eu pensei foi alto
Foi longe
Mais longe
Bem pra lá
Enquanto você ainda dormia

[Sonhei]

Acorde, menina!
Venha comigo
Calce os sapatos

É que eu tenho um plano de sonhar distante
Sem nenhum teto que seja obstante
Com a certeza de não haver nada certo
Nas hesitações dos rumos das vias
Nas excitações a que elas nos levam
Nos esquemas nebulosos e incertos
Da vida.

Somos dois amantes

Para mim, aquela sombra debaixo da mangueira
No alto da colina,
Depois da ribanceira
Já é o bastante

[Quimera]

Eu fiz um plano
Como na foto amarela
Plano americano
Pequena, singela
Em que flagrei um sorriso teu

Eu fiz um plano em alto relevo
Com as marcas da vida
Nada ali é liso
Ninguém passa ileso

Eu fiz um plano de seguir pela estrada
Vem, que te levo àquela colina
E, assim, veremos o sol se pôr lá de cima

Despreocupados,
Deitaremos
Lado a lado
Sob todos os planetas
E veremos cometas
Nossos olhos irão sorrir
E aí, por fim, também veremos
O tempo passar...


Reticências

14 de Maio de 2013 - 13:28 hscomente esta notícia

Omito sentimentos.

[...]

Não é por maldade
Nem por falta de ser sincero.

Não!

É uma omissão de sentimentos.
Nada que ultrapasse isso.

[...]

Omito alguns sentimentos.
Até por minha própria proteção,
Quem sabe?

[...]

Isto pode valer a concórdia
O istmo
Que
Possibilita
De alguma maneira
A criação e a permanência dos vínculos afetivos mais intensos e profundos.

[...]

Isto, porque omito alguns sentimentos.

[...]

Mas nem sempre.

Alguns... Talvez até mesmo os mais intensos e profundos,
Possíveis por conta da omissão de outros, mais superficiais e pálidos,
São revelados sob a forma de versos.
Conecto
Linha
Após
Linha
Os vínculos que nutrem,
De algum modo,
Toda minha vida,
Também prosa poética,
Que me levam até os sentimentos mais impetuosos!

[...]

Revelo
Faço mil declarações
Faço conhecer
Mesmo que por vezes posso passar a me desconhecer.
Revelo
E descubro um pouco mais de mim
Quando ouço aquilo que não foi dito
Mas que se deveria dizer
Em algum momento
Num instante qualquer

[...]

Posso não mencionar, também, para não banalizar.
Sentimentos precisam ser guardados com zelo
E revelados com desvelo ardente
Na trivialidade do dia-a-dia
Talvez também na minha reticente poesia
Que se manifesta linha após linha
E se transporta para...

[...]

A vida talvez seja feita de mil e uma reticências
Silêncio no barulho
Omissões intencionais de coisas que se deveria dizer...

[...]

Isto pode valer a suavidade
O istmo
Que
Possibilita
De alguma maneira
O pouco de poesia
Na prosa do dia-a-dia

[...]


O final de semana

13 de Maio de 2013 - 13:05 hscomente esta notícia

Montagem a partir do livro "A Máquina de Goldberg"

Montagem a partir do livro Montagem a partir de ilustração da grafic novel "A Máquina de Goldberg", de Vanessa Barbara e Fido Nesti, publicada pela Quadrinhos na Cia.

O final de semana. Sempre com a falsa sensação de liberdade. O final de semana é um puta instrumento de suportar o cotidiano inerte, besta, macambúzio. Super bem posicionado no calendário, no limite do limite, quando chega sexta à noite, Ufa! Aí há um respiro. Uma porta aberta para a felicidade: o final de semana.

[...]

Esqueceram de avisar que a liberdade é provisória, que ela termina junto com a música do Fantástico, que a segunda-feira vem aí, galopante, justo a sensação inebriante de ser livre se transforma em fotografia velha.

E desfocada.

[...]

O ser trabalhador vive como um pássaro. Às vezes, como um pombo, daqueles que povoam o centro de Londrina, é verdade. Mas, no geral, pássaros desses que vivem presos em gaiolas. Sejam gaiolas sobre rodas, trancafiados no trânsito nosso de cada dia, sejam em apartamentos de cada vez menos metros quadrados por cela.

Ah, o final de semana...


Scarpetta é líder isolado

12 de Maio de 2013 - 17:10 hscomente esta notícia

TScarpetta / Divulgação

TScarpetta / Divulgação / Thiago Scarpetta vence em Curitiba: líder isolado após três etapas disputadasThiago Scarpetta vence em Curitiba: líder isolado após três etapas disputadas

Neste final de semana, os pilotos da Fórmula Spyder Race aceleraram na pista do Autódromo Internacional de Curitiba. A temporada vinha com Thiago Scarpetta e Ralf Pufleb empatados na ponta, com uma vitória cada um.

Nesta terceira etapa, disputada na capital do estado, o piloto londrinense Thiago Scarpetta venceu e, com isso, isolou-se na liderança do campeonato paranaense da categoria, em que todos os protótipos recebem a mesma preparação, equalizando a disputa e deixando que o talento do piloto se sobressaia.

"Primeiramente quero desejar um feliz dia das Mães! Um dia muito especial. E conseguimos a vitória na terceira etapa. Obrigado mais uma vez a todos os parceiros e patrocinadores por mais essa conquista", agradece Thiago, destacando a vitória no final de semana do dia das mães.

A próxima etapa da competição está marcada para o próximo mês, no dia 2 de junho, em Cascavel (PR).

Confira, aqui, entrevista que o piloto concedeu exclusivamente para o Blog do Giovanni no mês passado, após sua primeira vitória na temporada.


Um papo com André Simões

11 de Maio de 2013 - 12:58 hscomente esta notícia

André Simões é jornalista e cronista. E é com ele o papo de hoje. Em 2010, Simões publicou o livro "A Arte de Tomar um Café". "Eu tinha 24 anos, bem jovem. Hoje tenho 28, não passou tanto tempo, mas nesta fase da vida quatro anos fazem muita diferença, eu acho. Já me sinto distante de alguns dos textos do livro, é uma sensação estranha, como se as crônicas não fossem minhas", sente.

Atualmente, André Simões escreve crônicas semanais para o Portal Livros e Afins, toda terça-feira.

Na entrevista de abertura da série "Um papo com...", aqui do Blog do Giovanni, o também jornalista e cronista Paulo Briguet destacou o nome de André Simões como cronista que deve ser observado com atenção.

Não coincidentemente, o trabalho de Simões já ecoa por outras veredas, além da escrita. No domingo passado André Simões também marcou posição como compositor, com a trilha original para o curta "Violeiro de Lerroville", primeiro de uma série de quatro curtas que serão exibidos no Casos e Causos, da RPCTV.

Você tem um livro publicado "A arte de tomar um café". Certo? Nele estão reunidos contos e crônicas. Algum novo projeto para lançamento?
Publiquei o “A Arte de Tomar um Café” em setembro de 2010, e as crônicas mais recentes do livro foram escritas em 2009, eu tinha 24 anos, bem jovem. Hoje tenho 28, n ão passou tanto tempo, mas nesta fase da vida quatro anos fazem muita diferença, eu acho. Já me sinto distante de alguns dos textos do livro, é uma sensação estranha, como se as crônicas não fossem minhas. Mas eu tive cuidado na seleção e no acabamento do “A Arte”, acho que o livro ainda para em pé – inclusive literalmente, fiz questão de que fosse curto, fácil de ler, mas tivesse o número de páginas suficiente para o bichinho ficar em pé.

Por ora, não o considero um erro da juventude ou qualquer coisa assim, muito comum de ouvir da boca de gente que publicou bem jovem. Pelo contrário, tenho orgulho do livro, considero-o bastante razoável, em alguns dos textos há passagens realmente engenhosas.

Mas já tenho material para formar uma nova coletânea de crônicas e contos, melhor do que o “A Arte" . Só não tenho pressa para editar outro livro, não enquanto não me forem garantidas condições de distribuição melhores do que o “A Arte” teve. Não lançarei outro livro só por lançar, não é necessário. Não tenho nada inédito, não guardo absolutamente nada na gaveta. O “A Arte” é uma coletânea de textos meus que foram publicados originalmente em diversos meios e, antes de aparecerem no livro, passaram todos pelo meu blog. Tudo o que eu escrevi está lá, meu blog-arquivo. Não apaguei nada: talvez fosse saudável, dadas algumas passagens bem constrangedoras, mas eu me sentiria mal fazendo isso, como se fosse uma espécie de falsificação histórica. Se eu vier a publicar outro livro de crônicas e contos, fatalmente seguirá o mesmo esquema: uma compila ção de textos que já divulguei no meu blog e/ou em jornais. A não ser que alguém me contrate para escrever algo totalmente in édito, estou aberto a propostas e cobro baratinho, mas no momento esse não parece o horizonte mais provável.

Em "A arte de tomar um café", em algum momento você se preocupou com a temática de cada uma das crônicas a fim de dar certa unidade aos textos ou o livro é fruto de seleção aleatória?
A crônica é um gênero muito amplo, difícil de definir. Em minhas crônicas regulares, transito por várias estruturas (comentário, reminiscência, diálogo, lista espirituosa, crônica-panfleto, crônica-piada, narrativa ficcional, entre muitos outros exemplos que poderia dar). Para meu livro, selecionei os textos que estavam menos vinculados a fatos dados em determinado espaço e em determinado tempo, busquei as crônicas mais atemporais e universais e aquelas que se aproximam do conto, pela forma narrativa. Dispus as crônicas que selecionei para o “A Arte” em ordem cronológica, a não ser pela crônica-título, que foi mesmo uma das primeiras que escrevi, mas quis puxar para abrir o livro. Não sei se repetiria o esquema num próximo livro de crônicas e contos.

Você é jornalista graduado pela UEL. Tem alguma segunda formação? Em que isso ajuda (ajuda?) na sua atividade de escritor?

Sou jornalista formado pela UEL, fiz mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição, tenho diploma R2 – equivalente à licenciatura plena em Língua Portuguesa – pelo Centro Claretiano. Não acho que nada da minha atividade acadêmica – nem da minha atividade como repórter, aliás – tenha me influenciado diretamente no que escrevo de literatura. Não no sentido de como estruturar um par ágrafo, como desenvolver um personagem, como conduzir um diálogo ou qualquer coisa do gênero. Para esse fim, aliás, a única obra que me fez repensar meu jeito de escrever foi “Comunicação em Prosa Moderna”, do falecido professor Othon Moacyr Garcia, que li com o nada artístico fim de me auxiliar a passar num concurso (e consegui!). Mas se digo que a academia e as redações não me ajudaram diretamente, quero ressalvar aqui para não ser ingrato, é porque estou me referindo a esses aspectos mais imediatos e mensuráveis. Vivi bastante na academia e nas redações, e tudo o que eu vivo me influencia. Se formos por aí, o que eu como me influencia, o que vejo me influencia, as moças bonitas e as feias me influenciam. Aliás, acho que, na produção de crônica, há mais espaço do que em outros gêneros literários para se deixar influenciar por autores que praticam um gênero diferente do que você está escrevendo.

Em minhas crônicas, sou tão influenciado por Rubem Braga, Fernando Sabino e Cony quanto por Woody Allen, Bergman, Almodóvar, Chico Buarque, Brian Wilson, Cole Porter, Lorenz Hart, Ira Gershwin, João Gilberto, Tom Jobim, até, sei lá, Degas, Fred Astaire – os artistas de que mais gosto, enfim, mesmo que a atividade deles às vezes não tenha nada a ver com a palavra. Nelson Rodrigues e Vinicius de Moraes, inclusive, que escreveram crônica e muito bem, influenciam-me muito mais pelo que fizeram no teatro, na poesia e na canção do que por suas crônicas. As letras de canções realmente me influenciam muito nos meus textos em prosa, alguns deles têm refrão.

Você já chegou a dizer que não se define como escritor. Como você se define em relação à atividade da escrita?

Ah, os cronistas geralmente têm de ser modestos em relação à própria produção. Por melhor que seja o cara, nunca vai produzir um “Ulisses” das crônicas, um “Grande Sertão: Veredas”. É um gênero menor, mas eu adoro esse gênero menor, assim como adoro hambúrguer, musicais bobos, arte decorativa... Mesmo os meus contos são contos a posteriori, eu termino de escrever algo narrativo e penso, “Nossa! É um conto!”. Então eu sou essencialmente um cronista, daí a dificuldade em encher a boca para me dizer escritor. E há também a razão mais pragmática de que n ão me sustento pelo que produzo de literatura.

No final de semana passado, o Casos e Causos (RPCTV) trouxe curta com música original sua. Como foi essa produção? Encomenda ou música que você já tinha? Além de ser jornalista e escritor, como leva sua atividade como compositor?
Eu sempre escrevi canções como mero diletantismo, para mim mesmo, namoradas, amigos próximos. Sou muito metido para falar das minhas crônicas, mas muito muito inseguro em relação às minhas composições. Meu amigo Carlos Fofão Fortes me deu essa oportunidade de expor uma canção minha para um público mais amplo, e muito lhe sou grato por isso. Meu desejo criativo mais urgente é investir mais tempo e esmero em minhas canções, eu adoro canções – mais do que adoro música. Quanto à literatura – a canção é um gênero músico-literário, mas aqui me refiro à literatura cujo fim principal é a impressão em papel – não tenho planos imediatos de me aventurar por gêneros de maior fôlego. Sento e escrevo meus textos em uma sentada, duas; em casos muitíssimo excepcionais, três. Sou muito preguiçoso. Escrever um romance, peça de teatro, roteiro de cinema ou qualquer coisa assim (de várias páginas!), é um plano remoto para quando eu tiver mais de 40, Deus queira que eu chegue lá.

Como você se planeja para escrever? Aliás, há planejamento? Alguma rotina?

Eu escrevo diariamente, faz parte da minha profissão. Mas acho que você se refere à produção de literatura – crônicas e contos, no meu caso. Isso eu escrevo uma vez por semana, forço-me a escrever com um deadline. Gasto entre uma e duas horas para cada texto, que tem uns 3.500 caracteres com espaço, na média. Funciona assim, bem pouco glamourosamente, por encomenda. A não ser que haja um assunto urgente, que eu considere merecedor de minha posição imediata, como o inc êndio do Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, ou a morte do Saramago. Nesses casos, sento, escrevo e publico na hora em meu blog.

Livro preferido?
Não saberia distinguir um entre tantos de que gosto.

Autor preferido?
Não saberia distinguir um entre tantos de que gosto.

Quais as maiores dificuldades que avalia para um novo autor no meio literário, seja regionalmente ou nacionalmente falando...?

A maior dificuldade para um escritor – tenha ele pretensões regionais, nacionais ou planetárias; seja ele novo no meio literário, de experiência razoável ou veterano – é escrever algo interessante.

Quem se interessar por seu livro, encontra como?
A distribuição do meu livro ficou, infelizmente, muito restrita a Londrina. Aí, pode-se encontrar o “A Arte” no Sebo Capricho, na livraria do Catuaí, na escola Pró-Linguagem, na Livraria da Sílvia ou – por que não? – na casa dos meus pais. Só ligar pra eles e ir pegar um livro na portaria, dez pilas e temos negócio fechado, (43) 3339-0916. Para quem, como eu, aliás, está fora de Londrina, basta mandar-me um e-mail e envio um livro para o cara. Incorporei a proposta Radiohead: o cara manda o que quiser para a minha conta, mais o valor das despesas de postagem, e ganha um lindo exemplar do “A Arte de Tomar Um Café”. É um livro bacaninha, meu, excelente para ser lido em metrôs e em vasos sanitários.


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