Sábado, 18 de maio de 2013
- Londrina:Press Tensão
A mesma coisa cem mil vezes dita...Gilberto Abelha/ Jornal de Londrina
Germano comemora título do interior com a torcidaO amistoso será apenas na quarta-feira, mas os piadistas de plantão já soltam algumas pérolas, especulando que Rogério Ceni já deve chegar em Londrina neste domingo. Adiantado.
Piadinhas à parte...
O Londrina foi o campeão moral do campeonato paranaense 2013 - assim como a seleção brasileira, na copa de 82 - , com o título do interior, com 6 profissionais na seleção do campeonato, além da ótima defesa e da melhor campanha geral do campeonato. O LEC se prepara para o início da série D do campeonato brasileiro, no seu retorno ao calendário do futebol nacional. A estreia será contra o Lajeadense no Rio Grande do Sul.
Já o São Paulo vem de duas eliminações - na Libertadores para o Atlético-MG e no Paulistão para o Corinthians - e se prepara para o Campeonato Brasileiro. Sua estreia acontece no próximo dia 26 de maio, domingo, diante da Ponte Preta, em Campinas, no Estádio Moisés Lucarelli.
Eu fiz um plano em alto relevo.
Eu te revelo
Como revelei aquelas nossas fotos
Antigas
Em plano americano
Já amareladas
Como também relevei aqueles fatos
Recentes
Vis
Nunca planejados.
Eu vou pela estrada...
É que eu tenho um plano de sair por aí
Planejei tudo em rabiscos indisciplinados
Tudo solto,
Jogado
No canto esquerdo de um caderno velho
Do tempo de escola
Já faz tanto tempo...
O que eu pensei foi alto
Foi longe
Mais longe
Bem pra lá
Enquanto você ainda dormia
[Sonhei]
Acorde, menina!
Venha comigo
Calce os sapatos
É que eu tenho um plano de sonhar distante
Sem nenhum teto que seja obstante
Com a certeza de não haver nada certo
Nas hesitações dos rumos das vias
Nas excitações a que elas nos levam
Nos esquemas nebulosos e incertos
Da vida.
Somos dois amantes
Para mim, aquela sombra debaixo da mangueira
No alto da colina,
Depois da ribanceira
Já é o bastante
[Quimera]
Eu fiz um plano
Como na foto amarela
Plano americano
Pequena, singela
Em que flagrei um sorriso teu
Eu fiz um plano em alto relevo
Com as marcas da vida
Nada ali é liso
Ninguém passa ileso
Eu fiz um plano de seguir pela estrada
Vem, que te levo àquela colina
E, assim, veremos o sol se pôr lá de cima
Despreocupados,
Deitaremos
Lado a lado
Sob todos os planetas
E veremos cometas
Nossos olhos irão sorrir
E aí, por fim, também veremos
O tempo passar...
Omito sentimentos.
[...]
Não é por maldade
Nem por falta de ser sincero.
Não!
É uma omissão de sentimentos.
Nada que ultrapasse isso.
[...]
Omito alguns sentimentos.
Até por minha própria proteção,
Quem sabe?
[...]
Isto pode valer a concórdia
O istmo
Que
Possibilita
De alguma maneira
A criação e a permanência dos vínculos afetivos mais intensos e profundos.
[...]
Isto, porque omito alguns sentimentos.
[...]
Mas nem sempre.
Alguns... Talvez até mesmo os mais intensos e profundos,
Possíveis por conta da omissão de outros, mais superficiais e pálidos,
São revelados sob a forma de versos.
Conecto
Linha
Após
Linha
Os vínculos que nutrem,
De algum modo,
Toda minha vida,
Também prosa poética,
Que me levam até os sentimentos mais impetuosos!
[...]
Revelo
Faço mil declarações
Faço conhecer
Mesmo que por vezes posso passar a me desconhecer.
Revelo
E descubro um pouco mais de mim
Quando ouço aquilo que não foi dito
Mas que se deveria dizer
Em algum momento
Num instante qualquer
[...]
Posso não mencionar, também, para não banalizar.
Sentimentos precisam ser guardados com zelo
E revelados com desvelo ardente
Na trivialidade do dia-a-dia
Talvez também na minha reticente poesia
Que se manifesta linha após linha
E se transporta para...
[...]
A vida talvez seja feita de mil e uma reticências
Silêncio no barulho
Omissões intencionais de coisas que se deveria dizer...
[...]
Isto pode valer a suavidade
O istmo
Que
Possibilita
De alguma maneira
O pouco de poesia
Na prosa do dia-a-dia
[...]
Montagem a partir do livro "A Máquina de Goldberg"
Montagem a partir de ilustração da grafic novel "A Máquina de Goldberg", de Vanessa Barbara e Fido Nesti, publicada pela Quadrinhos na Cia.O final de semana. Sempre com a falsa sensação de liberdade. O final de semana é um puta instrumento de suportar o cotidiano inerte, besta, macambúzio. Super bem posicionado no calendário, no limite do limite, quando chega sexta à noite, Ufa! Aí há um respiro. Uma porta aberta para a felicidade: o final de semana.
[...]
Esqueceram de avisar que a liberdade é provisória, que ela termina junto com a música do Fantástico, que a segunda-feira vem aí, galopante, justo a sensação inebriante de ser livre se transforma em fotografia velha.
E desfocada.
[...]
O ser trabalhador vive como um pássaro. Às vezes, como um pombo, daqueles que povoam o centro de Londrina, é verdade. Mas, no geral, pássaros desses que vivem presos em gaiolas. Sejam gaiolas sobre rodas, trancafiados no trânsito nosso de cada dia, sejam em apartamentos de cada vez menos metros quadrados por cela.
Ah, o final de semana...
TScarpetta / Divulgação
Thiago Scarpetta vence em Curitiba: líder isolado após três etapas disputadasNeste final de semana, os pilotos da Fórmula Spyder Race aceleraram na pista do Autódromo Internacional de Curitiba. A temporada vinha com Thiago Scarpetta e Ralf Pufleb empatados na ponta, com uma vitória cada um.
Nesta terceira etapa, disputada na capital do estado, o piloto londrinense Thiago Scarpetta venceu e, com isso, isolou-se na liderança do campeonato paranaense da categoria, em que todos os protótipos recebem a mesma preparação, equalizando a disputa e deixando que o talento do piloto se sobressaia.
"Primeiramente quero desejar um feliz dia das Mães! Um dia muito especial. E conseguimos a vitória na terceira etapa. Obrigado mais uma vez a todos os parceiros e patrocinadores por mais essa conquista", agradece Thiago, destacando a vitória no final de semana do dia das mães.
A próxima etapa da competição está marcada para o próximo mês, no dia 2 de junho, em Cascavel (PR).
Confira, aqui, entrevista que o piloto concedeu exclusivamente para o Blog do Giovanni no mês passado, após sua primeira vitória na temporada.
André Simões é jornalista e cronista. E é com ele o papo de hoje. Em 2010, Simões publicou o livro "A Arte de Tomar um Café". "Eu tinha 24 anos, bem jovem. Hoje tenho 28, não passou tanto tempo, mas nesta fase da vida quatro anos fazem muita diferença, eu acho. Já me sinto distante de alguns dos textos do livro, é uma sensação estranha, como se as crônicas não fossem minhas", sente.
Atualmente, André Simões escreve crônicas semanais para o Portal Livros e Afins, toda terça-feira.
Na entrevista de abertura da série "Um papo com...", aqui do Blog do Giovanni, o também jornalista e cronista Paulo Briguet destacou o nome de André Simões como cronista que deve ser observado com atenção.
Não coincidentemente, o trabalho de Simões já ecoa por outras veredas, além da escrita. No domingo passado André Simões também marcou posição como compositor, com a trilha original para o curta "Violeiro de Lerroville", primeiro de uma série de quatro curtas que serão exibidos no Casos e Causos, da RPCTV.
Você tem um livro publicado "A arte de tomar um café". Certo? Nele estão reunidos contos e crônicas. Algum novo projeto para lançamento?
Publiquei o “A Arte de Tomar um Café” em setembro de 2010, e as crônicas mais recentes do livro foram escritas em 2009, eu tinha 24 anos, bem jovem. Hoje tenho 28, n ão passou tanto tempo, mas nesta fase da vida quatro anos fazem muita diferença, eu acho. Já me sinto distante de alguns dos textos do livro, é uma sensação estranha, como se as crônicas não fossem minhas. Mas eu tive cuidado na seleção e no acabamento do “A Arte”, acho que o livro ainda para em pé – inclusive literalmente, fiz questão de que fosse curto, fácil de ler, mas tivesse o número de páginas suficiente para o bichinho ficar em pé.
Por ora, não o considero um erro da juventude ou qualquer coisa assim, muito comum de ouvir da boca de gente que publicou bem jovem. Pelo contrário, tenho orgulho do livro, considero-o bastante razoável, em alguns dos textos há passagens realmente engenhosas.
Mas já tenho material para formar uma nova coletânea de crônicas e contos, melhor do que o “A Arte" . Só não tenho pressa para editar outro livro, não enquanto não me forem garantidas condições de distribuição melhores do que o “A Arte” teve. Não lançarei outro livro só por lançar, não é necessário. Não tenho nada inédito, não guardo absolutamente nada na gaveta. O “A Arte” é uma coletânea de textos meus que foram publicados originalmente em diversos meios e, antes de aparecerem no livro, passaram todos pelo meu blog. Tudo o que eu escrevi está lá, meu blog-arquivo. Não apaguei nada: talvez fosse saudável, dadas algumas passagens bem constrangedoras, mas eu me sentiria mal fazendo isso, como se fosse uma espécie de falsificação histórica. Se eu vier a publicar outro livro de crônicas e contos, fatalmente seguirá o mesmo esquema: uma compila ção de textos que já divulguei no meu blog e/ou em jornais. A não ser que alguém me contrate para escrever algo totalmente in édito, estou aberto a propostas e cobro baratinho, mas no momento esse não parece o horizonte mais provável.
Em "A arte de tomar um café", em algum momento você se preocupou com a temática de cada uma das crônicas a fim de dar certa unidade aos textos ou o livro é fruto de seleção aleatória?
A crônica é um gênero muito amplo, difícil de definir. Em minhas crônicas regulares, transito por várias estruturas (comentário, reminiscência, diálogo, lista espirituosa, crônica-panfleto, crônica-piada, narrativa ficcional, entre muitos outros exemplos que poderia dar). Para meu livro, selecionei os textos que estavam menos vinculados a fatos dados em determinado espaço e em determinado tempo, busquei as crônicas mais atemporais e universais e aquelas que se aproximam do conto, pela forma narrativa. Dispus as crônicas que selecionei para o “A Arte” em ordem cronológica, a não ser pela crônica-título, que foi mesmo uma das primeiras que escrevi, mas quis puxar para abrir o livro. Não sei se repetiria o esquema num próximo livro de crônicas e contos.
Você é jornalista graduado pela UEL. Tem alguma segunda formação? Em que isso ajuda (ajuda?) na sua atividade de escritor?
Sou jornalista formado pela UEL, fiz mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição, tenho diploma R2 – equivalente à licenciatura plena em Língua Portuguesa – pelo Centro Claretiano. Não acho que nada da minha atividade acadêmica – nem da minha atividade como repórter, aliás – tenha me influenciado diretamente no que escrevo de literatura. Não no sentido de como estruturar um par ágrafo, como desenvolver um personagem, como conduzir um diálogo ou qualquer coisa do gênero. Para esse fim, aliás, a única obra que me fez repensar meu jeito de escrever foi “Comunicação em Prosa Moderna”, do falecido professor Othon Moacyr Garcia, que li com o nada artístico fim de me auxiliar a passar num concurso (e consegui!). Mas se digo que a academia e as redações não me ajudaram diretamente, quero ressalvar aqui para não ser ingrato, é porque estou me referindo a esses aspectos mais imediatos e mensuráveis. Vivi bastante na academia e nas redações, e tudo o que eu vivo me influencia. Se formos por aí, o que eu como me influencia, o que vejo me influencia, as moças bonitas e as feias me influenciam. Aliás, acho que, na produção de crônica, há mais espaço do que em outros gêneros literários para se deixar influenciar por autores que praticam um gênero diferente do que você está escrevendo.
Em minhas crônicas, sou tão influenciado por Rubem Braga, Fernando Sabino e Cony quanto por Woody Allen, Bergman, Almodóvar, Chico Buarque, Brian Wilson, Cole Porter, Lorenz Hart, Ira Gershwin, João Gilberto, Tom Jobim, até, sei lá, Degas, Fred Astaire – os artistas de que mais gosto, enfim, mesmo que a atividade deles às vezes não tenha nada a ver com a palavra. Nelson Rodrigues e Vinicius de Moraes, inclusive, que escreveram crônica e muito bem, influenciam-me muito mais pelo que fizeram no teatro, na poesia e na canção do que por suas crônicas. As letras de canções realmente me influenciam muito nos meus textos em prosa, alguns deles têm refrão.
Você já chegou a dizer que não se define como escritor. Como você se define em relação à atividade da escrita?
Ah, os cronistas geralmente têm de ser modestos em relação à própria produção. Por melhor que seja o cara, nunca vai produzir um “Ulisses” das crônicas, um “Grande Sertão: Veredas”. É um gênero menor, mas eu adoro esse gênero menor, assim como adoro hambúrguer, musicais bobos, arte decorativa... Mesmo os meus contos são contos a posteriori, eu termino de escrever algo narrativo e penso, “Nossa! É um conto!”. Então eu sou essencialmente um cronista, daí a dificuldade em encher a boca para me dizer escritor. E há também a razão mais pragmática de que n ão me sustento pelo que produzo de literatura.
No final de semana passado, o Casos e Causos (RPCTV) trouxe curta com música original sua. Como foi essa produção? Encomenda ou música que você já tinha? Além de ser jornalista e escritor, como leva sua atividade como compositor?
Eu sempre escrevi canções como mero diletantismo, para mim mesmo, namoradas, amigos próximos. Sou muito metido para falar das minhas crônicas, mas muito muito inseguro em relação às minhas composições. Meu amigo Carlos Fofão Fortes me deu essa oportunidade de expor uma canção minha para um público mais amplo, e muito lhe sou grato por isso. Meu desejo criativo mais urgente é investir mais tempo e esmero em minhas canções, eu adoro canções – mais do que adoro música. Quanto à literatura – a canção é um gênero músico-literário, mas aqui me refiro à literatura cujo fim principal é a impressão em papel – não tenho planos imediatos de me aventurar por gêneros de maior fôlego. Sento e escrevo meus textos em uma sentada, duas; em casos muitíssimo excepcionais, três. Sou muito preguiçoso. Escrever um romance, peça de teatro, roteiro de cinema ou qualquer coisa assim (de várias páginas!), é um plano remoto para quando eu tiver mais de 40, Deus queira que eu chegue lá.
Como você se planeja para escrever? Aliás, há planejamento? Alguma rotina?
Eu escrevo diariamente, faz parte da minha profissão. Mas acho que você se refere à produção de literatura – crônicas e contos, no meu caso. Isso eu escrevo uma vez por semana, forço-me a escrever com um deadline. Gasto entre uma e duas horas para cada texto, que tem uns 3.500 caracteres com espaço, na média. Funciona assim, bem pouco glamourosamente, por encomenda. A não ser que haja um assunto urgente, que eu considere merecedor de minha posição imediata, como o inc êndio do Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, ou a morte do Saramago. Nesses casos, sento, escrevo e publico na hora em meu blog.
Livro preferido?
Não saberia distinguir um entre tantos de que gosto.
Autor preferido?
Não saberia distinguir um entre tantos de que gosto.
Quais as maiores dificuldades que avalia para um novo autor no meio literário, seja regionalmente ou nacionalmente falando...?
A maior dificuldade para um escritor – tenha ele pretensões regionais, nacionais ou planetárias; seja ele novo no meio literário, de experiência razoável ou veterano – é escrever algo interessante.
Quem se interessar por seu livro, encontra como?
A distribuição do meu livro ficou, infelizmente, muito restrita a Londrina. Aí, pode-se encontrar o “A Arte” no Sebo Capricho, na livraria do Catuaí, na escola Pró-Linguagem, na Livraria da Sílvia ou – por que não? – na casa dos meus pais. Só ligar pra eles e ir pegar um livro na portaria, dez pilas e temos negócio fechado, (43) 3339-0916. Para quem, como eu, aliás, está fora de Londrina, basta mandar-me um e-mail e envio um livro para o cara. Incorporei a proposta Radiohead: o cara manda o que quiser para a minha conta, mais o valor das despesas de postagem, e ganha um lindo exemplar do “A Arte de Tomar Um Café”. É um livro bacaninha, meu, excelente para ser lido em metrôs e em vasos sanitários.
Revejo fotografias antigas
Revejo o tempo
Revisito a vida
[memórias...]
Recordo daquilo que faz o milagre da própria existência
Recordo daquilo que ainda faz algum sentido...
[reminiscências...]
Revejo fotos antigas
Revejo instantes eternos
E pessoas queridas
Gravadas em eternos momentos instantâneos
[São fotos
Fotografias bonitas
Bonitas e antigas
Antigas e amareladas
Amareladas e coloridas
De vida!]
Revejo fotografias antigas
Revisito a vida
E sua essência
[lembranças...]
Despertar-se
Chacoalhar a carcaça
Enrijecida
Quase insensível às dores alheias
[e até mesmo às próprias]
Pôr-se em pé
[e não só sentado]
Para evitar essa mutilação calado
E assumir-se bípede!
O corpo em movimento
Ao ir à caça da vida
Praticamente invisível, sem cores,
Por onde passeia.
Pedalar
Viver este ciclo
Despertar-se
Chacoalhar a carcaça
[também interior]
E construir, a cada giro do pedal,
Um mundo, mil mundos,
Oriundos de contemplação,
Conhecimento,
Emoção.
Despertar-se,
A cada pedalada,
Da pilhéria da vida,
Amiúde na mesmice,
Para o belo que passa
Pelo ciclo da vida.
Lançar-se...
Lançar-se ao mundo sobre pedais
Lançar mundos ao mundo, e mais...
Viver o tudo
[perigosamente, hoje, tão próximo ao nada]
Na constante levada
No ciclo da vida.
Despertar-se
E perceber o melhor da vida: viver
E sentir o vento no rosto: sorrir
E poder chorar, pois, aí, então,
Já sentirá as próprias dores
E as outras também
Assim, na sensibilidade despertada,
A cada pedalada, reconhecer o tudo,
Principalmente no que antes era nada
E perceber o quão perplexo é o inverso,
Quando se acredita que o nada é tudo que se tem
Pedalar
Despertar-se
E lançar mundos ao mundo,
Para, talvez,
De uma só vez,
Suportar toda esta vaziez...
Felippe Aníbal é jornalista da Gazeta do Povo e recentemente foi vencedor da categoria Reportagem Regional Sul do Prêmio Imprensa Embratel 2012, junto com outros jornalistas daquele jornal, com uma série de reportagens chamada “Polícia Fora da Lei”. Por conta da repercussão, ele e os colegas jornalistas chegaram a ser ameaçados.
Felippe Aníbal vive em Curitiba, mas já passou alguns finais de semana por Londrina, quando cursou a pós em Comunicação Popular e Comunitária pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). E é com ele o papo de hoje, exclusivo com o Blog do Giovanni. Felippe Aníbal, além de jornalista, é escritor. E escritor que publica, por enquanto, exclusivamente em internet - mesmo que sem periodicidade bem definida. Uma realidade de muitos escritores. E um pouco da de Felippe pode ser acompanhada no blog Esparsas Palavras. Confira a conversa com o jornalista e escritor de Piraju (SP), que hoje vive na capital paranaense:
Vc é principalmente jornalista, certo? Recentemente, junto com outros colegas, venceu etapa sul de Prêmio Imprensa Embratel 2012. Como foi?
Trabalhei com os jornalistas Diego Ribeiro e Mauri König, além do fotógrafo Albari Rosa. São caras sensacionais, verdadeiros craques. Produzimos uma série de reportagens chamada “Polícia Fora da Lei”, pela Gazeta do Povo. Mostramos indícios de má-gestão na aplicação do fundo-rotativo (dinheiro destinado a manutenção das delegacias) e denunciamos que a alta cúpula das polícias Civil e Militar usava viaturas para fins pessoais. Chegamos a constatar que um delegado ia a um prostíbulo com o carro oficial, em horário de serviço. Por conta da repercussão, recebemos uma série de ameaças, chegamos a andar um bom tempo sob escolta armada. O Mauri acabou passando um período fora do país até a poeira baixar. Foi um período sombrio e pesado. O prêmio veio a coroar todo este trabalho e ressaltar a importância da reportagem profunda e de peso, principalmente em um período de textos cada vez mais enxutos e rasos. É um reconhecimento expressivo, porque concorremos com excelentes trabalhos. Em relação aos policiais e delegados que denunciamos, pasme, apenas um investigador foi punido.
Você mantém um blog, o Esparsas Palavras. Desde quando surgiu a ideia? Quais temas mais lhe interessam?
Mantenho o blog desde o início de 2009, coincidentemente – ou não – o período em que me mudei a Curitiba. Antes deste, tive outros dois, que coincidiram com outras fases da minha vida (um ainda durante a faculdade, outro logo depois deste período). Via de regra, o que me interessa é o ser humano. Gosto de “filosofar” sobre a condição do homem e me vestir sob a pele de outras pessoas. Gosto, por exemplo, de mirar uma pessoa na rua, aleatoriamente, e “inventar” uma história a ela. Imaginar os acontecimentos que a trouxeram onde está. Apesar disso, às vezes também publico alguns artigos sobre temas variados.
Como é sua atividade voltada à literatura? Tem alguma regularidade? Como se planeja - ou não se planeja? Há alguma rotina?
A literatura acaba funcionando como uma válvula de escape. O jornalismo diário lida muito com a razão, mas, como diria Chico, o Buarque, “a dor da gente não sai no jornal”. Então, escrever é preciso. É preciso dar vazão ao outro hemisfério do cérebro, o da emoção. Infelizmente, tenho sido um escrivinhador bissexto, completamente sem método ou regularidade. Me cobro por isso, mas é algo que ainda não consegui resolver. Um nível bom seria escrever um novo texto por semana.
Pretende publicar seu trabalho de contos e crônicas ou outros gêneros em forma de livro?
Todo mundo que escreve, quer ser lido. É claro que seria muito bacana, mas, por hora, não tenho essa pretensão. Há muitos blogs de qualidade, muita gente produzindo textos interessantes. Mas, gostaria de me organizar de modo a ter tempo pra escrever sistematicamente. Não só crônicas e textos curtos. Seria um desafio me arriscar em um romance.
Onde moram os limites do jornalismo e da literatura?
O jornalismo se debruça sobre fatos, análises, argumentos. A sua espinha dorsal é a razão. Apesar disso, é a maneira como se escreve que dá “molho” ao texto, que vai lhe ajudar a “fisgar” o leitor. É aí que entra o aspecto literário. Literatura é sedução, é persuasão. Acredito que a literatura complemente o jornalismo. Às vezes mais, às vezes menos. O livro-reportagem está aí para não me deixar mentir. Boa parte dos jornalistas ou é ou sonha ser escritor. Então, está tudo ali, muito próximo.
Neste sentido, qual a função de um blog, na sua percepção?
Liberdade total. Gosto de blogs por ser um formato livre, sob vários pontos de vista. É uma boa ferramenta que o internauta pode lançar mão para debater o que quiser, da maneira que bem entender.
Tem ambição de alcançar mercado editorial? Ou o blog lhe basta?
Rapaz, gostaria de trabalhar em um livro-reportagem. Quem sabe, não é?
Quais são suas preferências literárias?
Estou sempre lendo algumas coisas ao mesmo tempo. Gosto de romance, mas sem desgrudar de poesia. Agora, por exemplo, estou me dividindo entre Dom Quixote (Cervantes), O sentido de um fim (Julian Barnes) e Lituma nos Andes (Vargas Llosa), além da Antologia Poética do Vinícius de Moraes.
Música é literatura? Sua influência literária vem da música também?
Boa pergunta! Mas acho que, via de regra, é sim. Há vários recursos literários que são usados nas composições musicais. Há muitas letras de músicas que são verdadeiras poesias. Particularmente, a música me influencia muito. Em 90% das vezes, escrevo ao som de alguma música. No meu blog, gosto de usar alguns versos como epígrafe. Alguns dos textos lá postados, a ideia partiu de alguma música, que me serviu de tema.
E, por fim: que livro indica?
Rapaz... ando lendo algumas coisas do Vargas Llosa e recomendo muito. Mas acho que o ser humano não pode passar por este mundo sem ler Machado de Assis e Saramago. Acho que é isso, chefe.
Aos meus amores
Deixo a alegria
Deixo a vida
E a liberdade
Aos meus amores
Uma estrada longa e vazia
E a saudação da chegada
Sem as lágrimas da partida
As saudades
As pazes
As sortes e os sabores
Dos meus amores
Vi a morte
Vivi as dores
Sobrevivi
Sem dizer tchau
Morri aos poucos a cada partida
Morro ainda, a cada chegada
Aos meus amores
Deixo a alegria e uma estrada longa
De onde observo tudo
De onde vejo a vida
Num movimento só de ida
Saudades...