Quarta-feira, 22 de maio de 2013
- Londrina:Extracampo
Londrina dentro e fora das quatro linhas“O segredo é não cuidar das borboletas, e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.” (Mario Quintana)
O Londrina, que sempre se ressentiu das visitas das borboletas, neste ano se viu rodeado por elas. Não correu atrás, cuidou de cuidar de si mesmo, fez sua parte sem pedir nada em troca. Regou as flores com vitórias contundentes logo no início do campeonato que terminou ontem. Virou um belo jardim.
Se o título tão merecido, tão ansiado e tão próximo como há quase 20 anos não acontecia não veio desta vez, o time do Danilo, do Dirceu, do Bruno, do Germano, do Wéverton, do Neílson, do Tencati, já deixa um legado que não pode ser desprezado. A maior conquista do Tubarão, maior até que os números que o tornam inquestionavelmente o melhor time deste Paranaense, foi o resgate da autoestima do torcedor, em particular, e do londrinense de forma geral.
Com um detalhe nada pequeno: atingindo os corações dos pequeninos. Como a educação, a paixão por um clube também começa no berço. O que há de melhor no fato do Londrina ter sido o campeão de bilheteria neste campeonato foi a presença da criançada nos jogos. Que legal é ver um moleque ou uma menina vestindo azul e branco. Resgatando seu torcedor e, tomara, conquistando novos, o clube trouxe a reboque o interesse do mercado. Os patrocinadores embarcaram na boa fase e se alimentaram dela. O LEC, quem diria, é um bom produto. E se o status é outro, as ambições têm que estar na mesma proporção. O Londrina não pode mais se dar ao luxo de aceitar-se pequeno.
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A disputa do Troféu RPC de Campeão do Interior com o Operário, ontem, foi mera formalidade. Como também o foi a disputa do título estadual entre a dupla Atletiba. Quando alguém for falar sobre este Campeonato Paranaense daqui a 50, 500 anos, é de bom tom ressalvar: foi aquele em que o melhor time não foi o campeão. Sabe os húngaros de 1954, os holandeses de 1974, os brasileiros de 1982? Somos nós, londrinenses de 2013.
Por razões familiares, estive em Curitiba no último final de semana. Vi pela TV a tranqüila vitória do Londrina sobre o Jotinha e depois ouvi pelo rádio o pós-jogo do Atletibinha disputado no campinho da Vila Olímpica do Boqueirão. Os comentaristas preferiram creditar a derrota do Coritiba para o sub-23 do Atlético a questões puramente técnicas e táticas. Sequer levantaram a possibilidade de que o Coxa pudesse ter tirado o pé para evitar ter que decidir o título estadual aqui, no Café lotado e contra o melhor time do campeonato.
Para eles, a coça levada pelo Coritiba, que anteontem esteve mais para Coritibinha, foi sim vergonhosa, mas por méritos da garotada rubro-negra. Uns disseram que o Coxa não tem um time, e sim alguns bons talentos individuais, como Alex e Rafinha, diferente do Atlético sub-23, que à exceção do Douglas Coutinho, vive mais do conjunto do que propriamente do brilho individual.
Como não tenho vocação para Velhinha de Taubaté, eu prefiro ficar com a análise menos cínica de um grande torcedor coxa-branca, desses que vivem no Couto Pereira. Antes do Atletiba começar, ele me dizia que preferia enfrentar o Atlético ao Londrina na final. O raciocínio é lógico: para ele, esse time de guris do rubro-negro não é bom como se pinta e não vai ter culhão para decidir o título contra o atual bicampeão, num Couto Pereira lotado. Completamente blasé, acompanhou o clássico checando o resultado pelo celular. Confirmada a derrota, sorriu amarelo.
Se o Londrina não for à final, restará a constatação, que não serve de consolo, de que este Campeonato Paranaense, com a fórmula que tem, com a arbitragem que tem, não merece mesmo ter o melhor time campeão. O Tubarão mantém o foco no último jogo do returno, contra o Coritiba, lá, confiando na vitória e no tropeço do Atlético em Ponta Grossa. E assim deve ser.
Mas caso a combinação não aconteça, o retorno a Londrina deve ser feito com a cabeça erguida. Deixem que coxas e rubro-negros decidam o título do faz de conta e cuidem de preparar o time para a Série D. Parafraseando Augusto Nunes, o Brasil que presta sabe quem de fato é o campeão.
Sobre os três palpites da semana passada: só ganhei com o Londrina.
Um amigo-irmão costuma dizer que meu forte são os palpites. De cada dez, acerto um. A fama já ganhou os corredores da firma. Um outro amigo faz questão de me consultar antes dos jogos do seu time e fica tranqüilo quando eu cravo vitória do adversário. Conto isso para me eximir de qualquer responsabilidade pelo que vou escrever aqui.
Tenho pra mim, a despeito da mania de esperar sempre pelo pior, que o Londrina chegará à última rodada do returno na frente do Atlético. Se a tabela não é lá das mais fáceis para o Tubarão, também não está tão generosa assim para os meninos sub-23 do Furacão. Acredito na vitória sobre o J. Malucelli, embora a previsão é de que o Estádio do Café esteja cheio de novo e nas duas vezes em que jogou com grande público neste ano o Londrina perdeu.
E também estou certo de que o Coritiba ganha do Atlético no clássico. Na real, o Coxa tem obrigação de ganhar da molecada. O velhinho Alex, artilheiro e maestro do time, vai até ser poupado na Copa do Brasil para poder estar inteiro no Atletiba. O Tencati já disse que a definição do campeão do returno pode sair nesta próxima rodada. Eu acho que não. Se a minha previsão estiver correta – e provavelmente não está –, o LEC chegará à última rodada na frente do Furacão e com o Coritiba brigando apenas para tentar terminar a fase geral em primeiro.
A parada mais dura será vencer os coxas lá no Couto Pereira. Um tropeço do Atlético contra o Operário em Ponta Grossa é perfeitamente possível. Tudo será decidido mesmo na última rodada. E aí, não me arrisco a tentar prever nada. Uma coisa eu digo e repito: fosse por merecimento e o título seria do Londrina. Sem patriotada. Nenhuma outra equipe foi mais regular nos dois turnos do que o Tubarão. O Coritiba, campeão do primeiro turno, não foi o mesmo no returno. E o Atlético fez o inverso. Foi mal no primeiro turno e está bem, muito bem agora. O Londrina não destoou, não saiu do prumo. Tanto é que lidera o campeonato na soma geral. Vamos ver o que vem por aí. E já que a coluna está metida a visionária, um outro pitaco: o São Paulo não passa para os oitavas de final da Libertadores. Meu forte é o palpite.
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Para começar a projetar o time da Série D, a primeira providência é segurar o Kasparov. #ficatencati.
Há derrotas que envergonham, constrangem e causam um rebuliço danado. A do Bahia foi assim: uma chinelada de 5 a 1 para o arquirrival Vitória na reinauguração da Fonte Nova. Além da gozação inevitável, a goleada custou o cargo do técnico Jorginho, substituído prontamente por Papai Joel. O Baêa está mais vermelho do que azul e branco.
E há derrotas que não provocam qualquer transtorno ou reação, no máximo uma reflexão. Como a do Londrina para o Operário. Tudo bem, por causa dela o time perdeu a liderança do returno para o Atlético sub-23. Mas foi uma derrota acima de tudo imerecida, como imerecidas foram as vaias da torcida para o Alexandre Oliveira. O gol que ele perdeu foi tão imperdível quanto os do Neílshow, nosso artilheiro máximo, e o do Germano, o capita. Alexandre em nenhum momento destoou do restante do time, em nenhum momento atrapalhou o ataque. Ao contrário: participou ativamente do jogo e deu trabalho à defesa do Fantasma. As vaias, acredito, foram mais pelo que ele deixou de ser nesta temporada do que propriamente pelo que ele é.
Ouvi de um torcedor atento uma sugestão interessante: já que nem Celsinho nem o menino Robinho tem jogado aquilo tudo, não seria má ideia testar um ataque com Alexandre pela direita, Neílson centralizado e Wéverton, o Furacão, pela esquerda. Bruno, de futebol tão grandioso que a Série A certamente levará embora no segundo semestre, pode muito bem ser aquele elo que o Tencati queria e ainda não teve com C10. Um 4-3-3 típico, utópico.
Mas ainda que não tivesse sido justa, a derrota, como é função de toda derrota, terá serventia. Um revés nos ensina a enxergar as fraquezas e nos lembrar que somos falíveis. O Tubarão quase perfeito neste returno é um time falível. Perdeu gols incríveis e encontrou um adversário tinhoso, aguerrido e com pitadas de talento, como o meia Rony Dias, um bom nome para a Série D.
Restam três rodadas e o Londrina já não depende só dele para levar o returno. Não cabe alarmismo. Um jogo por vez, cada coisa a seu tempo. A derrota do J. Malucelli garantiu matematicamente as vagas na Série D e na Copa do Brasil. O ano está salvo, as promessas, cumpridas. Tudo o que o LEC não merece agora é pressão no cangote.
Dizem que o coração não sente o que o que os olhos não veem. Pois no último domingo o coração sentiu tudo aquilo o que os olhos lhe permitiram ver. O orgulho com a multidão azul e branca caminhando léguas e léguas até o Estádio do Café, como quem dissesse a Lupicínio Rodrigues: nós também vamos a pé, para o que der e vier. A angústia provocada por filas desordenadas para passar pelas catracas e a superlotação irresponsável nas arquibancadas cobertas e descobertas. A sede por um copo d’água.
Lá de cima, espremido, o coração viu um time jogando pelo empate e outro tentando de toda maneira corresponder às expectativas daquelas 30 mil pessoas que trocaram o preto, branco, vermelho e verde pelo azul celeste que simboliza o céu do norte do Paraná (o do sul é cinza). E ficou apertado ao ver o brado indignado de gente indignada com mais uma arbitragem vergonhosa, repetindo cenas já vistas contra o mesmo Coritiba na semifinal de 2003, no VGD, e nos dois jogos do ano passado.
O policial federal que apitou a partida de domingo pode até não ser um vilão premeditado, um sacana daqueles, mas no domingo agiu como um ladrão de sonhos. Roubou dos torcedores londrinenses o direito de ser feliz. Só a covardia, mais que a incompetência, pode explicar o pênalti não marcado quando Germano cruzou a bola e o Robinho a interceptou com os braços, abertos como não convém a um defensor que está em sua própria área, em lance tão cristalino que não há o que interpretar. O segundo pênalti, o do Rafinha, foi menos acintoso, mas não menos pênalti. O braço foi um instrumento para mandar a bola a escanteio. No terceiro, confesso que não vi irregularidade, a bola resvalou no peito do Pereira.
Na súmula, o árbitro foi valente, abriu o coração e relatou falhas na segurança do estádio e agressões sofridas por ele e pelo auxiliar. Certamente espera alguma punição, e com razão. Mas, e ele? Quem o pune? A Federação, tão complacente com os erros a favor de seus filiados mais queridos? Da desolação pela sensação de estelionato fica a esperança de que o Londrina não sucumba. O aplauso de 30 mil corações ao final da batalha mostrou que o Tubarão, agora mais do que nunca, está vivo. E muito bem acompanhado. Ao segundo turno, moçada.
A história em geral, infelizmente, é contada pelos sobreviventes. E a do futebol em particular, pelos vencedores. O vencido raramente tem razão. Mas neste domingo, ganhando ou perdendo, o Londrina de 2013 já terá feito sua própria história. Será para todo o sempre lembrado como aquele time do Tencati que levou mais de 15 mil pessoas ao Estádio do Café para decidir uma vaga na final do Paranaense contra o Coritiba. Em se tratando de Londrina, da cidade de Londrina, vamos combinar, é tarefa hercúlea. Um feito e tanto.
Embora o título do primeiro turno esteja tão perto, e a expectativa da torcida seja tão grande, os jogadores não devem se sentir tão pressionados. O favorito é o Coritiba, do Alex, do Deivid (que, felizmente, não joga), do Rafinha, do Lincoln, e, por que não, do Arthur. O empate ou a derrota, resultados tão possíveis quanto uma vitória do Tubarão, não será a morte.
Haverá vida e um segundo turno inteiro pela frente para que a equipe mantenha a mesma sintonia e consiga garantir essa vaga na Série D, que, por questão moral, já é do Londrina. Já dizia o sambão da Mocidade Independente de Padre Miguel, de 1992, que sonhar não custa nada. Pensar em título, a essa altura do campeonato, não é nenhum devaneio, mas não é essa a obrigação de um time que há quatro anos
está fora do cenário nacional.
O que se espera, ou melhor, o que se exige desse grupo é a vaga na Série D. Se vier acompanhada da presença na final, neste domingo, ótimo. Se vier somente ao término do segundo turno, quando a primeira fase do campeonato acabar, muito bom também. Fosse eu o Kasparov e a recomendação aos jogadores contra o Coritiba seria uma só: joguem leves e soltos.
A propósito, o futebol adora clichês, e o Tencati talvez seja tão contestado por boa parte da torcida e imprensa porque ele próprio é um anti-clichê. O homem já foi criticado até por ser "muito didático" nas entrevistas. Pois na terça-feira ele deu uma declaração que vale por mil treinos táticos: o Coritiba é que deve se adaptar ao Londrina. O tabuleiro está armado. Os peões, a postos. Eu sou mais o Kasparov.
Ao reclamar da média de público no Estádio do Café, ameaçando inclusive deixar o clube e até aumentar o valor do ingresso para a decisão do primeiro turno contra o Coritiba, dia 3 de março, em raivosa entrevista concedida logo após a vitória sobre o Paranavaí, anteontem, o gestor do Londrina atirou nos que não vão e acertou nos que vão. Comprou uma briga errada não com os 27 mil que ignoram a ótima campanha do Tubarão no Paranaense, mas com os 3 mil e poucos apaixonados de sempre que também acham caro pagar R$ 60, R$ 40, R$ 30 ou R$ 20 pelo ingresso, mas que pagam justamente porque gostam demais do clube.
São eles os mais ofendidos com as declarações do gestor no dia em que a equipe do Tencati fez uma grande exibição. Eu não vou aqui cobrar do torcedor que vá ao estádio porque também não o instigo a não ir quando a fase é ruim. Cada um sabe de si. Até acho, aliás, tenho certeza, de que está valendo a pena ver esse Tubarão jogar – em casa, são quatro vitórias, um empate e 14 gols marcados. É um argumento a favor do gestor, sem dúvida.
Mas ainda que Sérgio Malucelli tenha sua dose de razão em querer mais gente no campo, se mantiver a postura de que está fazendo um favor à cidade tocando o Londrina vai conseguir a difícil proeza de desagradar a gregos e troianos. Ninguém está devendo nessa relação. O gestor investe numa marca consolidada, mesmo que em baixa nos últimos anos, e recebe em troca todo retorno de mídia e o potencial de negociação que jamais teria em Irati. Não fosse assim, a SM Sports não teria motivo para insistir em querer administrar o futebol quando a Justiça do Trabalho assumiu o controle do clube em meio ao caos administrativo do final de 2009.
Além disso, cabe a essa gestão, que terá mais longos oito anos de contrato a cumprir, encontrar uma forma de aproximar o Londrina de sua torcida, e não de afastá-lo. Atrai-la pelo bolso. Se não há patrocinadores o suficiente – e aqui é importante lembrar que o gestor perdeu o canal direto que tinha com a Prefeitura desde que seu aliado de primeira hora foi devidamente cassado pela Câmara –, a SM que dê seus pulos. É do jogo. O mais difícil a parceira do clube está conseguindo fazer, que é montar um time decente. O resto é conseqüência.
De goleada em goleada, o Tubarão vai enchendo os olhos. Celsinho fez contra o Nacional seu melhor jogo pelo Londrina. Finalmente alguém resolveu pegar a 10 que o Nem deixou sem dono e andava carente de afeto. Quanto mais o Londrina não jogar em função do Celsinho, mais o Celsinho jogará em função do Londrina. E quem ganha com isso, claro, são os dois.
Mas o campeonato começa de fato quarta-feira. Lá em Curitiba, contra o Paraná, onde o Tubarão venceu com direito a gol de placa do Ricardo Bueno na última vez em que os dois times se encontraram, em 2009. Uma vitória ilusória e inútil, já que naquele ano o caos havia se instalado no VGD e deixou como legados um rebaixamento e uma intervenção judicial sem precedentes.
É claro que a história agora é diferente. Há um time, há uma estrutura e há, sobretudo, um elenco plenamente consciente de que cada jogo tem sua própria história. O oba-oba foi barrado no portão de entradas do CT pelo Tencati. Das três primeiras vítimas do Tubarão, talvez o Toledo é que tenha time para brigar por alguma coisa. Rio Branco e Nacional são fracos e, a não ser que mudem muito, vão lutar pra não cair. Essa foi a grande virtude do Londrina até aqui: soube aproveitar muito bem a tabela, vencendo com autoridade e, o mais importante, deslanchando no saldo de gols. Eles serão fundamentais lá na frente, no pega pra capar.
O Paraná tem um time jovem, liderado pelos veteranos Anderson, zagueiro que a Portuguesinha do Amarildo revelou para o Corinthians, Lúcio Flávio, e o atacante Reinaldo, ex-São Paulo, Flamengo etc. E embora tenha passado pelo sub-23 do Atlético com extrema dificuldade no clássico do último domingo, certamente vai dar trabalho no campeonato. É o primeiro time forte que o Tubarão encara neste ano. Forte no sentido de ter uma folha salarial superior a sua e cujo objetivo maior é o título. Se eu fosse o Tencati, não mudaria uma vírgula na formação da equipe e na postura tática.
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Ayrton marcou, de falta, seu primeiro gol pelo Palmeiras no domingo. A camisa 2 do LEC anda saudosa dele, apesar do Raul ter feito em meio-tempo contra o Nacional o que o Régis não havia feito em dois jogos inteiros. É o mais indicado para ficar com a vaga. Na esquerda, o Wendell precisa ser mais folgado, tem jogado muito comportado.
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O Coritiba, a meu ver, é o time de melhor elenco do campeonato. Os reservas têm jogado o suficiente para manter a equipe na cola do LEC. Quando os titulares, com o genial Alex no meio, entrarem em campo, o bicho vai pegar. Já esse time sub-23 do Atlético...
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Não me iludo com o início irregular, pra não dizer ruim, da dupla Cianorte e Arapongas. Eles vão chegar. O Operário também não é só isso que tem mostrado.
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Termino com uma pérola de Paulo Briguet, o pai da matéria trocadilhesca: “Os outros times precisam fazer um tratamento contra Kaspa. Rov.”
Nada é por acaso. O Tubarão fez o que fez no litoral porque desde o primeiro minuto de jogo não se acovardou. Tem sido assim na Era Tencati. Eu não me lembro de ter visto o Londrina jogar fechado, acanhado, amedrontado, nesses dois anos em que o treinador comanda o time. Joga bem, joga mal, mas nunca lá atrás, feito um pequenininho indefeso. Talvez seja por isso que o Kasparov me desperte tanta empatia. A conduta, a maneira como fala e o apego ao estudo teórico daquilo que pratica são outras virtudes raras do treinador, que de boleiro não tem nada.
Mas sigamos com a goleada, que não veio por acaso. O Tubarão aprontou no litoral porque tem dois volantes, o Bruno e o Germano, que não se limitam a proteger a retaguarda. Eles saem para o jogo e sabem o que fazer com e sem a bola quando se veem próximos à área adversária. Foi assim na estreia, contra o Toledo, foi assim quarta-feira em Paranaguá. Os dois têm sido o pulmão e o cérebro desse time.
O Tubarão aterrorizou no litoral também porque não joga só e exclusivamente em função do Celsinho, nem Celsinho tem jogado só para ele, embora ele, Celsinho, seja o mais famoso do time. Assim como é verdade que o Tubarão massacrou no litoral porque o Rio Branco, cá pra nós, é fraco, fraquinho, e se perdeu completamente quando levou o primeiro gol, provavelmente irregular. Até acho que o Bruno realmente estava impedido quando foi lançado, mas pelo andar da carruagem os gols sairiam naturalmente depois, como saíram.
As perguntas que ficam após duas vitórias maiúsculas, 10 gols marcados: o Londrina é tudo isso? Vale sonhar com o título e não apenas com a vaga na Série D? Calma, gente. O próprio Londrina nos ensinou ano passado e em tantas e tantas temporadas que não convém se entregar à ilusão tão cedo. O jogo contra o Rio Branco e o deste domingo, diante do Nacional, são os dois ditos ‘ganháveis’ em relação à seqüência duríssima que vem por aí a partir da próxima quarta-feira (Paraná, lá; Arapongas, aqui; Cianorte, lá; Atlético, aqui; e Operário, lá).
O que vale é acreditar que o Londrina, sempre tão imprevisível, pode ser mais regular, mais constante desta vez. O Tubarão é um filme que todos conhecem, resta esperar por um outro final. Nada é por acaso.
Nove meses depois, as meias azuis entraram de novo no gramado verde do Café. E a cada vez que entram, mexem com o coração. No peito, camisas pretas com detalhes azuis. É o terceiro uniforme. Em campo, o Londrina vence o Toledo sem brilho e sem susto. Um 4 a 2 que só mesmo o tempo vai dizer se foi merecido ou ilusório.
Dos estreantes, Germano é o que mais chamou a atenção, ele que saiu daqui comum, sem nada ou pouco a oferecer, há dez anos, e retornou mais presente, com mais repertório, o que, aliás, se espera de um jogador com passagens por clubes como Atlético-MG, Santos e Sport. Perdeu a mania de ficar cavando falta toda hora, praga que o contaminou nos tempos de recém-profissional no Londrina do início dos anos 2000. Participou de um dos gols e combateu com eficiência.
E Celsinho? O sósia do Ronaldinho ficou na média. Fez um gol – de pênalti – e deu assistência para outros dois. Corre quando quer, joga quando quer. Não é armador, não é bem um atacante. Atua mais próximo ao ataque, vindo de trás. O gol diante da torcida sempre quebra o gelo, e isso é bom pra adquirir confiança. O Neílson passou em branco, mas incomodou os zagueiros do Toledo. É cedo pra dizer se tem que ficar no time ou não. Precisa mostrar mais.
Os destaques acabaram sendo mesmo três jogadores que já atuam no grupo há dois anos: o Danilo, goleiro excelente, sem exagero algum; defendeu uma bola à queima-roupa impressionante no primeiro tempo; Bruno, que mostrou ao Tencati por que deve ficar no time, independente de quem chegue – é volante moderno, que sabe sair para o jogo; além do mais, virou arma importante no chute de fora da área; no primeiro tempo, em cobrança de falta caprichosa, mandou a bola na trave; no segundo, acertou um pombinho sem asa, marcando um belo e merecido gol; e por fim, o destaque maior, Wéverton, atacante da base, que errou muito no primeiro tempo, mas marcou dois gols no segundo e “se consagrou”. O menino não é nenhuma sumidade, só que foi oportunista e matador hoje, mostrou hoje que o Alexandre Oliveira (ainda se recuperando fisicamente) e o próprio Neílson têm uma boa sombra a incomodá-los. Em suma, a estreia foi mais do que a torcida esperava, menos do que ela merece. É só o primeiro passo. Quarta-feira, em Paranaguá, tem mais.