Domingo, 19 de maio de 2013
- Londrina:Fernando Santos/Faep
Pedro Dejneka, analista de mercado da Futures International, de Chicago (EUA)
Por que abordar o gerenciamento de risco com esse cenário de altas nas cotações?
Isaac Newton já falava: “Tudo que sobe tem que descer”. É uma lei exata, comprovada, e também se aplica aos mercados financeiros e de commodities. Em épocas de fortes altas, é importantíssimo a conscientização do produtor quanto às dinâmicas do mercado. Existem vários mecanismos para o gerenciamento de seus riscos e trava de margens. O mercado futuro e de opções é um deles.
E o trem da safra 2012/13 já passou?
Acredito que não e, por isso, o “timing” deste evento (os seminários da Faep) é simplesmente fantástico. Os mercados de soja, milho e possivelmente trigo ainda não registraram suas (maiores) altas na temporada. O mercado deve registrar novas altas até setembro ou meados de outubro.
A dinâmica do mercado está mais positiva para o produtor que a de 2008?
2008 foi um ano muito diferente do que é 2012. A alta em 2008 nos preços foi de um foco muito mais especulativo do que é hoje. Não digo que preços altos não eram justificados, mas, que a velocidade e tamanho das altas estavam completamente fora da realidade. Neste ano temos fundamentos sólidos por trás da alta.
O mercado ainda está focado no clima nos EUA?
Não. O foco agora é muito forte na velocidade e voracidade da demanda. O clima ainda é importante, claro, mas diria que hoje o foco é pelo menos 80% demanda e 20% clima da safra dos Estados Unidos, pois as safras já estão consolidadas e, mesmo uma melhora no clima não ajuda mais o milho e pouco ajudará a soja.
O mercado já trabalha com a possibilidade de redução das importações globais de soja?
Considere que os Estados Unidos já venderam 52% de sua safra 2012/13, mesmo antes do início do ano comercial desta safra, que é 1.º de setembro. O Usda [Departamento de Agricultura norte-americano] mostrou números menores de demanda no relatório [do dia 10], pois era a única maneira de “fazer a matemática funcionar”. Apenas demonstrou ao mercado a demanda que deve ser racionada. Agora é o mercado que procura indicações de qual nível de preços atinge este racionamento. E não estamos ainda lá, por isso, acredito em nova alta de preços.
CONTEÚDO EXTRA:
E como os traders de Chicago estão olhando para isso (demanda)? O mercado já trabalha com a possibilidade de redução das importações globais de soja?
Considere que os Estados Unidos já venderam 52% de sua safra 2012/13, mesmo antes do início do ano comercial desta safra, que é 1º de setembro. O Usda, [Departamento de Agricultura norte-americano] mostrou números menores de demanda no relatório [do dia 10], pois era a única maneira de "fazer a matemática funcionar".
O Usda apenas demonstrou ao mercado o nível de demanda que deve ser racionada. Agora é o mercado que procura indicações de qual nível de preços atinge este racionamento. E não estamos ainda lá, por isso, acredito em nova alta de preços. A demanda continuará, os Estados Unidos são os únicos provedores de soja até março do ano que vem e alguém poderá ficar sem o produto até lá. Preços altos são a única solução para fechar o balanço nos Estados Unidos este ano, pois é o mais poderoso fator no racionamento de demanda.
Em que valores estão sustentados o próximo suporte (queda) e resistência (alta) da soja e do milho?
Soja, com base no contrato novembro/12, abaixo de US$ 16 por bushel e principalmente de US$ 15,75 por bushel é uma excelente oferta no momento, ou seja, oportunidade de compra. No milho, o mercado continua usando o nível de US$ 8 por bushel para o vencimento dezembro, não como suporte ou resistência, mas como um imã, sendo que os preços não conseguem se distanciar muito desse nível.
A demanda para o milho é mais elástica do que para a soja. Ou seja, a demanda da soja é mais resiliente no momento.
Quanto á níveis de resistência é dificílimo falar, pois o mercado em si não sabe disto. O mercado procurará pouco a pouco, de acordo com os dados que vão sendo anunciados de demanda, que nível deve buscar para racionar o consumo.
Técnicamente falando, uma alta acima de US$ 8,50 por bushel, no milho dezembro, e US$ 16,75 a US$ 16,90 por bushel na soja (novembro), é importantíssimo para trazer novo interesse especulativo ao mercado.
Ainda acredito que milho pelo menos testará US$ 8,75 a US$ 9,00 por bushel e a soja buscará eventualmente a alta de US$ 17,77, que foi registrada em julho.